quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

TRIBUNAL ENDOSSA ATOS DE JUIZ SÉRGIO MORO E LANÇA REGRAS GERAIS SOBRE GRAMPOS E DENÚNCIAS ANÔNIMAS
Os desembargadores da 4.ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) aprovaram, por unanimidade, súmulas que autorizam abertura de procedimentos investigatórios com base em denúncia anônima, ‘quando amparada por outro indício’, e a renovação sucessiva de interceptação telefônica ‘caso persista a necessidade de apuração’.

O TRF4 mantém jurisdição no Paraná, base da Operação Lava Jato.

Maior investigação já realizada no País contra a corrupção, a Lava Jato, constantemente, sofre pesadas críticas de juristas e criminalistas que atribuem supostos excessos a seus protagonistas, inclusive o juiz federal Sérgio Moro.
Todos os atos de Moro, símbolo da Lava Jato, são submetidos ao crivo do TRF4 – as decisões do magistrado de primeiro grau têm sido endossadas pela Corte federal sediada em Porto Alegre.

Súmula é a interpretação majoritária adotada por um colegiado do Judiciário sobre determinado tema. Ela é seguida pelos magistrados.

A denúncia anônima é a base de grande parte de investigações contra o crime organizado e a corrupção. Dela, muitas vezes, surgem pistas que levam a fraudadores do Tesouro. Mas a ocultação da identidade do denunciante abre caminho para ataques de especialistas da área penal.

Frequentemente, advogados também recriminam o longo período das interceptações telefônicas.

No dia 12 de dezembro, os desembargadores do TRF4 aprovaram quatro súmulas, entre elas a 128 e a 129.

A Súmula 128 prevê. “É válida a instauração de procedimento investigatório com base em denúncia anônima, quando amparada por outro indício.”

A Súmula 129: “É lícita a sucessiva renovação da interceptação telefônica, enquanto persistir sua necessidade para a investigação.”

O texto na íntegra foi publicado nesta terça-feira, 10, no Portal do TRF4.

As súmulas 128 e 129 registram o entendimento pacífico das 7.ª e 8.ª Turmas, especializadas em Direito Penal.

PATRÍCIA PILLAR PROCESSA INTERNAUTAS APÓS SE SENTIR OFENDIDA POR DEFENDER DILMA

A atriz Patricia Pillar entrou na justiça para investigar ofensas recebidas por ela nas redes sociais. Ela procurou a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) , no Rio de Janeiro, para prestar queixa contra internautas que a hostilizaram por mostrar apoio à ex-presidente Dilma Rousseff, afastada do cargo no dia 31 de agosto de 2016. 

A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da atriz ao Viver, que confirmou que ela deve rastrear usuários específicos.  "As pessoas usam a internet para ofender e xingar achando que estão protegidas por um anonimato, mas a internet deixa rastros. O que a Patrícia fez foi pedir a quebra de sigilo dessas pessoas para entrar com um processo na Justiça", disse a assessoria. 

Aos 52 anos de idade, a artista brasiliense da TV Globo não abre mão de comentar assuntos relacionados a política nas redes sociais. Desde a posse do presidente interino Michel Temer, Pillar tem se posicionado contra a PEC 55 e outras ações do governo. "Um governo sem legitimidade, atolado até o pescoço em corrupção, não pode fazer reformas assassinas como a Reforma da Previdência, Reforma do Ensino Médio e a PEC 55 (PEC da morte). A única atitude digna é renunciar já! Fora Temer!!!", escreveu ela em dezembro. 

JUIZ INVESTIGADO POR LIGAÇÃO COM FACÇÕES DIZ QUE DEVERÍAMOS SOLTAR TODOS OS PRESOS
Juiz de Execuções Penais há 17 anos, Luís Carlos Valois se colocou no epicentro da crise carcerária em Manaus, que resultou na morte, até o momento, de 64 custodiados. Valois esteve no Complexo Penal Anísio Jobim (Compaj) durante a revolta do domingo, chamado pelo secretário de Segurança Pública Sérgio Fontes para negociar o fim do motim. O magistrado, de 49 anos, notabilizou-se por uma declarada proximidade com os presos, com os quais já jogou bola. Ele também doou livros para a biblioteca de prisão, treinou judô com os detentos e participou até de sessões de terapia de grupo com os encarcerados, segundo suas palavras.

Valois é alvo de uma investigação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), depois que seu nome foi mencionado em conversas de presos interceptadas pela Operação "La Muralla", da Polícia Federal, de 2015. Nos diálogos, presidiários ligados à facção criminosa Família do Norte (FDN) manifestam preocupação com a possibilidade de o magistrado deixar a Vara de Execução Penal e discutem como poderiam pressionar Judiciário e governo estadual a mantê-lo no cargo. Por ora, não há evidência de envolvimento do juiz com os criminosos. Valois nega qualquer relacionamento com a FDN.
Nesta entrevista ao Valor, Valois, que supervisiona 14 mil processos com o apoio de apenas oito funcionários, reconheceu já ter despachado favoravelmente a um preso dentro da própria penitenciária, sem ouvir manifestação do Ministério Público sobre o pedido. "Eu levo o meu notebook para dentro da penitenciária. Sento com eles, abro o processo. Eles formam uma fila gigante e eu os informo sobre o andamento. Quando eu vejo um absurdo eu solto na hora, sempre fiz isso", afirmou. Eis os principais trechos da entrevista concedida em seu gabinete, decorado com pôsteres de filmes com temática prisional, como "Papillon", "Birdman of Alcatraz", "Carandiru" e "Salve Geral".

Já aconteceu de em uma dessas ocasiões o senhor soltar o preso com decisão de ofício mesmo?
Já, de ver que há um absurdo ali envolvendo a prisão dele e soltar. É comum a pessoa já ter tempo de prisão em regime fechado para progredir para o semiaberto, por exemplo, e aí está faltando um parecer do Ministério Público ou algo assim. Aí eu vejo o processo, pego e solto mesmo. Deixa o Ministério Público se manifestar com ele solto. É uma medida cautelar que eu adoto. Não é nada do outro mundo, mas é um direito do preso.

O problema de superlotação de presídios não é exclusividade de Manaus. A que o senhor atribui isso? É uma cultura de encarceramento?
A cultura no Brasil é que a prisão é só segregação. É depósito de seres humanos. Deveríamos fazer as coisas de maneira racional, de preferência científica. A prisão não é resultado de nenhum experimento científico. E se foi, foi falho. A prisão não serve para nada, nada, nada. Sabe como é que nasceu a prisão? Antigamente as pessoas eram enforcadas, queimadas, guilhotinadas, chicoteadas. Tinha várias penas que não eram a de prisão. Mas para o cara ser condenado a uma dessas penas, ele tinha que ficar esperando na prisão. E essas penas foram acabando por causa da sensibilidade da sociedade industrial, da Revolução Francesa, elas foram acabando. E os caras foram sendo esquecidos. A prisão nasceu por acaso. E agora, então, o que vamos fazer? vamos decidir que o cara então vai ficar lá [na prisão] cinco anos. Não vamos poder matar, então ele fica cinco anos, não é nenhum resultado de pensamento científico. Imagine que pessoas diferentes cometam um crime, cada uma em um lugar. Aí pega essas pessoas e colocam presas no mesmo lugar para ficarem conversando. Olha que absurdo!

O que fazer então com um latrocida violento, por exemplo?
O que acontece é que hoje a gente não pensa em tecnologias para isso. Tem chip, tornozeleira eletrônica. Qualquer coisa é melhor do que a prisão. Até não se punir o cara. Preste bem atenção: se a gente parasse de prender as pessoas, todo mundo, de uma hora para a outra, daqui a 50 anos teríamos menos crimes. Olha que absurdo. Então a gente está fazendo uma coisa para aumentar a criminalidade. 'Ah, mas ele não vai ser punido?'. Não posso punir, porque senão vai aumentar a criminalidade. O nosso sentimento de punição é maior que a nossa racionalidade. Bota um capacete no cara, com luz piscando, sei lá. Mas botar numa prisão com outros bandidos é uma coisa idiota.

O senhor e a desembargadora Encarnação das Graças Sampaio Salgado, do Tribunal de Justiça do Amazonas, são investigados pelo Superior Tribunal de Justiça porque foram citados nas investigações da Polícia Federal sobre a facção Família do Norte. O que o senhor diz sobre essas suspeitas?
Eu não tenho muito o que falar, os presos falam bem de mim nas gravações porque sempre tive o respeito de todos os presos. Quer dizer, se fosse o [Primeiro Comando da Capital, facção que controla os presídios em São Paulo] PCC era o PCC, se fosse a FDN era a FDN. Por isso que eu estou dizendo, trato os presos de modo igual, com respeito. E a polícia está na batalha, na guerra do dia a dia, com combate e mais não sei o quê. Na Polícia Federal normalmente são pessoas de fora que vêm para cá e não sabem do meu trabalho. E aí veem um juiz sendo citado no meio de uma interceptação telefônica, e a investigação não era sobre mim, era sobre outra coisa, e aí ouviram os advogados falando com os presos... Se tudo aquilo fosse verdade, ainda assim não teria crime algum [na gravação os presos falam em fazer um abaixo assinado para manter Valois na Vara de Execução Penal, porque teriam ouvido comentários sobre uma suposta intenção dele de deixar o posto].

Mas lendo o relatório policial, tem-se a impressão de que a sua manutenção no cargo facilitaria a vida dos presos...
Pois é, mas eu nunca estive ameaçado de sair daqui. Na verdade os presos confundiram o meu pedido para me afastar para fazer meu doutorado em São Paulo com uma intenção de sair. Eu acho que eles resolveram me investigar, só que a medida foi muito rigorosa, entendeu? Mas, olha, eu nem fui afastado [do cargo]. Não existe isso de juiz suspeito em atuação, entendeu? Eu estou atuando, sou juiz da execução. Eu sou um juiz que foi investigado. Se eu fosse suspeito eu teria que ser afastado. Quer dizer, é uma investigação normal, tem de ser investigado mesmo. Eles não me conhecem, não sabem quem sou. Eu acho que eles [os policiais] deveriam ter se informado melhor, colhido mais informações antes de me colocar nessa jaca aí, entendeu?

O que é possível fazer, em termos penitenciários, enquanto estamos todos no meio de uma guerra de facções criminosas? Separar os presos surte efeito?
Separar os presos é contra a lei, inclusive. A lei prevê a separação por tipo de crime, por idade, a Constituição diz isso, inclusive. Então, botar todos os criminosos de uma facção pra cá e todos os de outra pra lá é contra a lei. Eu sou a favor de cumprir a lei. E já pensou fazer uma lei dessa, determinando a separação de presos por facções? Que ridículo que ia ser para o Brasil?

O senhor tem uma posição pessoal de ser contra o enfrentamento do Estado às drogas. Na sua opinião, a liberalização das drogas seria uma solução para o crime?
Resolver, não resolveria, numa sociedade com desigualdades sociais deste jeito. Inclusive, muitas dessas pessoas [traficantes de drogas] iam migrar para outros crimes. Mas, ao mesmo tempo, a polícia, que fica apenas na operação antidroga, teria mais tempo para investigar outros crimes. Hoje você é assaltado, vai à delegacia e recebe um BO [boletim de ocorrência]. Matam um familiar teu, tu vais lá e recebe um BO. Ninguém investiga mais nada. Por quê? Porque a polícia vai à esquina, pega o cara com 10 trouxinhas de droga e ela está trabalhando, mas não investiga mais nada. A polícia fica só fazendo blitz. Essa é a atividade da polícia brasileira atualmente. Eu não gosto nem de falar de descriminalização, gosto de falar de regulamentação. Porque droga tá tudo liberado aí. Acha que a polícia não sabe onde estão vendendo as drogas? E o que está havendo com isso? Mortes e mais mortes. O Estado deveria era ganhar um dinheiro com isso, ia retirar o financiamento do crime organizado. A única coisa ruim da droga é a própria droga em si. Eu não vejo nada de ruim na descriminalização, absolutamente nada. Só vejo coisa boa. Vai sobrar muito mais dinheiro, investimento e efetivo policial para outros crimes. Vai ter muito mais dinheiro para tratamento de viciado.

Mas hoje, no Brasil e no mundo, os tráficos de drogas e de armas andam juntos, quase se complementam...
Então imagine, tirar esse financiamento aí todo. Porque o grande problema da violência é o problema do varejo. O atacado está aí, andando de helicóptero. O atacado não está atingido por essa política de repressão. E o varejo quer a regulamentação, mas o atacado não quer.

O que o senhor quer dizer com atacado?
Ninguém sabe quem é o atacado, ele anda de helicóptero, de jatinho. Tu achas que o traficante brasileiro é Fernandinho Beira-Mar [líder do Comando Vermelho, no Rio] e Marcola [líder do PCC]? Acha? Cadê os helicópteros deles? Cadê o helicóptero do Zé Roberto [líder da FDN], que mora em uma periferia aqui em Manaus? O Fernandinho Beira-Mar morava na favela. Acha mesmo que esses são os traficantes brasileiros comandando o tráfico brasileiro? E apareceu um helicóptero com meia tonelada de cocaína no Brasil e a gente fica achando que são eles os traficantes. É muita ingenuidade, né? [o juiz se refere à apreensão de um helicóptero com 445 kg de cocaína em Minas Gerais, em 2013, durante ação da PF A aeronave pertence a uma empresa do ex-deputado estadual mineiro Gustavo Perrella].
O senhor então considera o combate às drogas uma hipocrisia?
Não uma hipocrisia, mas algo alienante. Você fica enxugando gelo para fazer de conta que está fazendo alguma coisa enquanto o tráfico real, milionário, de milhões e milhões de dólares está circulando no 'alto clero'. Veja um exemplo: bancos abriram caixas eletrônicos específicos no México para distribuir dinheiro dos Estados Unidos, sabendo que o dinheiro era originado do tráfico. E ninguém foi punido. Houve uma CPI nos Estados Unidos, indiciaram os gerentes dos bancos. O gerente do banco foi punido. A gente está tapando o sol com a peneira com essa guerra às drogas. E é difícil defender a descriminalização das drogas, porque as pessoas dizem logo: 'ah, esse cara é maconheiro'.

O senhor já foi chamado de maconheiro?
Já, já. Porque eu cheguei em Londres e vi que tinha um energético feito de cannabis [maconha]. Daí eu bati uma foto e eu não bebi, só fingi que estava bebendo para bater a foto. E nem comprei aquela merda, que eu nem gosto de energético. E é um energético, tem efeito oposto ao da maconha. Ai eu postei no Facebook, 'olha que absurdo, conseguem fazer um energético de maconha, podiam fazer muito mais coisas em vez de ficar encarcerando as pessoas'".

O senhor usa algum tipo de droga?
Não, nunca usei. Nem beber eu bebo. Fui atleta a vida inteira. Apesar de que no esporte tem um monte de gente que usa maconha. Se você andar em Ipanema, vai ver muita gente fumando maconha. Na Avenida Paulista, nas passeatas durante os movimentos de 2013, todo mundo fumando maconha. No próprio movimento contra a corrupção gente fumando maconha. Eu sou doido por que eu falo a verdade? É impressionante isso. Não consigo ser irracional.

O senhor é considerado um juiz ativista...
Quando eu digo que sou a favor da regulamentação de todas as drogas, eu estou pensando diferentemente do traficante.

Como lidar com organizações criminosas violentas como a FDN e o PCC? Essas pessoas podem ser reeducadas, ressocializadas?
Eu acho que até tu, com aquela violência da prisão, pode perder o limite para tudo. Muitas dessas pessoas não fariam ou não vão fazer isso em liberdade. A prisão leva àquilo. O medo, o terror, a ignorância, o ódio. É tudo misturado ali. Por exemplo, uma guerra. O soldado pai de família, tem o filho dele que ele leva à escola, a esposa que ele beija toda noite. Ele é convocado para a guerra e ele estupra, ele mata, ele corta a cabeça, ele faz o escambau lá dentro. Acabou a guerra ele continua com a vida dele normal. A prisão é uma guerra. É violência 24 horas por dia, a prisão. Não é natural ficar atrás de grades. Não tem como a gente avaliar aqui de fora.

E a pessoa submetida a isso tem como ser reinserida na sociedade?
Depende dela. Vou te dar um grande exemplo. Malcolm X [ativista negro americano, assassinado em 1965]. Ele foi preso por um assalto e ele era analfabeto. Na penitenciária em que ele ficou não podia ter livro. Ele traficava livro, à noite ele esperava um guarda acender a luz da sala dele para aproveitar um raio de luz para enxergar e aprendeu a ler assim na penitenciária. Saiu de lá e virou um grande líder revolucionário negro nos Estados Unidos. Foi a prisão que ressocializou Malcolm X? Quer dizer, esse pensamento de mudar funciona com, sem ou apesar da prisão. Depende da pessoa. Mas é sempre apesar da prisão quando acontece, porque a prisão não está auxiliando nisso.

Então é um equívoco pensar que a prisão ressocializa?
Claro. Até do Big Brother, que é um lugar com um monte de mulher bonita, o cara quer sair.

O senhor acha que nessa questão dos presídios e do crime organizado está se dando pouca atenção ao problema da corrupção do Estado?
O Estado não serve para nada. Às vezes eu falo assim a pessoa pensa, 'pô, esse cara é um liberal'. Mas Marx nunca gostou do Estado. A sovietização do marxismo é um fenômeno. O Estado, onde esteve, nunca foi boa coisa não. Todos os países socialistas tiveram movimentos de defesa dos direitos humanos contra violência do Estado como os países capitalistas também. O Estado é um problema.

JUIZ AUTORIZA BLOQUEIO DE BENS DE MINISTRO DA AGRICULTURA

O juiz Luís Aparecido Bertolucci Júnior, da Vara Especializada de Ação Civil Pública e Ação Popular de Cuiabá, determinou liminarmente a indisponibilidade de bens em até R$ 4 milhões do ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP-MT) e de outros oito réus de uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Estado do Mato Grosso.

Segundo o MP, foi montado no estado um esquema fraudulento que utilizava recursos públicos sob a aparência de factoring durante os governos de Blairo Maggi e Silval Barbosa (PMDB-MT). Factoring, também chamada de fomento mercantil, é uma operação financeira na qual uma empresa vende seus direitos creditórios – que seriam pagos a prazo – por meio de títulos a um terceiro, que compra estes à vista, com um desconto.
Na decisão, o juiz escreveu que “enfatiza o Ministério Público que o governador, à época, Blairo Maggi estimulou e permitiu a utilização de factoring como forma de levantar recursos para fazer frente às despesas políticas, procedimento que teve continuidade no governo de Silval Barbosa”.

Quanto a Maggi, segundo o magistrado, “não é possível recusar os indícios dos atos de improbidade administrativa que lhe são atribuídos”.

Na decisão, o juiz disse que o periculum in mora evidencia-se “na urgência de acautelar, o quanto antes, o erário estadual” na medida em que o “dinheiro que abastecia a conta corrente, depositado por outros empreiteiros e outros prestadores de serviço ao Estado, provinha de propina paga ao grupo de políticos, vale dizer, dinheiro público desviado por agentes públicos”.

E, segundo ele, “no caso, nada asseguraria que os réus, ao final do processo, que costuma durar anos, se condenados, conservariam patrimônio suficiente à garantia da condenação ou viessem espontaneamente a reparar danos”.

Além do ministro e do ex-governador Silval Barbosa, são réus também na ação: o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Sérgio Ricardo de Almeida, os ex-conselheiros Alencar Soares Filho e Humberto Melo Bosaipo, o ex-presidente da Assembleia Legislativa José Geraldo Riva, o ex-secretário estadual Eder de Moraes Dias, além de Gercio Marcelino Mendonça Júnior e Leandro Valoes Soares.

Afastamento

Na mesma liminar, o juiz Bertolucci Júnior decretou o afastamento de Sérgio Ricardo de Almeida do cargo de conselheiro do TCE.

Segundo o juiz, “o cargo e as funções públicas são diretamente afetados na hipótese destes autos não porque o Conselheiro tivesse atuado contra a lei e moralidade administrativa, mas porque, segundo se aponta na inicial, o então deputado estadual comprou a cadeira do então conselheiro Alencar Soares Filho, com um pseudo empréstimo tomado numa factoring, onde uma conta corrente era abastecida com dinheiro público desviado pelo grupo político a que pertencia”.
 O preço pago pelo cargo vitalício, segundo o Ministério Público, teria sido de R$ 8 milhões, numa vaga que viria a ser provida por indicação da Assembleia Legislativa do Estado.

Segundo a inicial, o ministro Blairo Maggi teria questionado o então conselheiro Alencar Soares sobre a razão de ele abrir mão de sua vaga antes do tempo, “obtendo a resposta de que o deputado estadual Sérgio Ricardo já havia dado um adiantamento da quantia de R$ 2,5 milhões para ocupar sua vaga”.

Para o Ministério Público, Maggi “concordou com a pretensão espúria de Éder Moraes e Sérgio Ricardo, participou de reuniões e ordenou devolução de dinheiro, tendo também ordenado pagamentos, retardando e depois concretizando compra de vaga de Conselheiro do TCE”.

Outro lado

Em nota, o ministro Maggi disse que, no dia 26 de abril do ano passado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou o arquivamento de todas as acusações que pesavam contra ele na Operação Ararath. Segundo o ministro, o procurador-geral entendeu “que não haviam nos autos indícios suficientes de crimes praticados pelo senador Blairo Maggi, nem vislumbra o Parquet outras diligências úteis à formação da justa causa necessária para oferecimento de denúncia no presente caso”.
Por isso, Maggi se disse surpreso com a decisão, ainda que provisória, do juiz da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular.

“Sem que absolutamente nada de novo tenha sido acrescido ao processo, o juiz veio na contramão do entendimento do Procurador-Geral da República, a quem coube apurar com rigor as denúncias que geraram o presente feito. Com a consciência tranquila, estou pronto para prestar todos os esclarecimentos à Justiça e, recorrer da medida, por entender não ter sido justa a decisão proferida, ainda que liminarmente”, disse em nota.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

DONOS DA UMANIZZARE DOARAM R$ 1 MILHÃO PARA VANESSA GRAZZIOTIN

A Serval Serviços e Limpeza, empresa que foi apontada pelo jornal O Globo como tendo doado R$ 1,2 milhão para a campanha de José Melo (Pros) ao Governo do Amazonas em 2014, é a mesma que repassou R$ 1 milhão em 2012 para a campanha à Prefeitura de Manaus da atual senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB).

As informações estão no sistema de prestação de contas de Vanessa na Justiça Eleitoral, e os depósitos foram feitos de duas vezes: nos dias 9 e 14 de novembro de 2012, nos valores de R$ 610 e 390 mil, respectivamente.
A senadora Vanessa recebeu os valores em transferências eletrônicas do CNPJ 07.360.290/0001-23, da Serval.

A empresa seria comandada pela família do presidente da Federação do Comércio do Ceará (Fecomércio-CE), Luiz Gastão Bittencourt.

Segundo O Globo, a Serval não teria negócio com ninguém no Amazonas, mas Bittencourt tem ligações com outras empresas, como RH Multi e a Umanizzare, estas sim contratadas para prestar serviços terceirizados ao sistema prisional do estado.

Em rede social, a senadora cobra investigação sobre os contratos do governo com essas empresas.


CIDADÃO REVOLTADO EXPÕE SUA VISÃO DO BRASIL ATUAL E VÍDEO REPERCUTE NA REDE
Um vídeo de um cidadão indignado viralizou na internet. O cidadão defende que criminosos presos trabalhem. Para ele, os brasileiros não deveriam ter que pagar impostos para sustentar presidiários que passam o dia usando drogas. 

GOVERNO DO AMAZONAS AFASTA DIRETOR DE PRESÍDIO, ACUSADO DE CORRUPÇÃO

O governador do Amazonas, José Melo, afastou do cargo, por tempo indeterminado, o diretor interino do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), José Carvalho da Silva. A sanção administrativa foi decidida depois que veio a público a informação de que, semanas antes da chacina que vitimou pelo menos 56 presos da unidade, dois detentos tinham denunciado à Justiça estadual que diretores do presídio recebiam dinheiro de organizações criminosas para permitir a entrada de armas, drogas e celulares na unidade.

Segundo a Secretaria de Comunicação do Amazonas, Silva permanecerá afastado até que os fatos sejam esclarecidos. Se ao fim da apuração as denúncias forem confirmadas, ele poderá ser exonerado e processado.
Segundo a Defensoria Pública do Amazonas, 19 dias antes da chacina em que 56 presos do Compaj foram assassinados por outros internos, os presidiários Alcinei Gomes da Silveira e Gezildo Nunes da Silva entregaram à Defensoria duas cartas escritas à mão em que afirmavam estar recebendo ameaças de morte e temer por suas vidas, já que, segundo eles, presos ligados a facções criminosas que subornavam os diretores tinham acesso a armas, drogas e celulares.

“Eles são corruptos e recebem dinheiro da facção criminosa, facilitando a entrada de drogas e celulares e [também] a última fuga no Compaj”, escreveu Alcinei, referindo-se a diretores da unidade prisional.

Ainda de acordo com a defensoria, cópias das duas cartas foram anexadas ao processo de Gezildo, no dia 14 de dezembro, para conhecimento do juiz Luís Carlos Valois, titular da Vara de Execuções Penais. O defensor público Arthur Sant’anna Ferreira Macedo, apontou a gravidade das denúncias para pedir que Gezildo fosse transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) como forma de o Estado protegê-lo e assegurar sua integridade física. Como o Poder Judiciário entrou em recesso seis dias depois, em 20 de dezembro, o pedido não foi analisado. Gezildo e Alcinei foram mortos entre o dia 1º e 2 de janeiro.

Procurado pela Agência Brasil, o juiz Luís Carlos Valois informou, por meio da assessoria do Tribunal de Justiça do Amazonas, que não recebeu em mãos o pedido da Defensoria Pública e os documentos citados, e nem sequer foi procurado pela defesa dos presos para tratar do assunto.

“A Vara de Execuções Penais recebe centenas de documentos diariamente, inclusive de forma eletrônica e, no caso de informações sobre risco de vida de detentos, esses documentos são encaminhados pela Justiça também ao Ministério Público para ciência e manifestação, bem como à Secretaria de Administração Penitenciária do Estado, visando a obtenção de dados relacionados ao apenado. O trâmite jurídico segue o que determina a Lei de Execução Penal”, afirma o juiz em mensagem enviada à reportagem.

A presidência do Tribunal de Justiça do Amazonas determinou que os fatos sejam apurados pela Corregedoria-Geral de Justiça, que instaurou procedimento nesta terça-feira (10).

Terceirizada, a gestão do Compaj é feita pela empresa privada Umanizzare, que administra outros cinco estabelecimentos prisionais no Amazonas e dois em Tocantins. Em notas, a empresa informou que o comando geral de cada unidade é feito por servidores públicos indicados pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) uma vez que, legalmente, "são indelegáveis as funções de direção, chefia e coordenação no âmbito do sistema penal, bem como todas as atividades que exijam o exercício do poder de polícia". A Umanizzare garantiu estar "colaborando com as investigações, à espera de que todos os fatos sejam esclarecidos".



Senador Magno Malta explode em indignação: 'Indenizam as famílias de presos e não as vítimas?'
O senador Magno Malta gravou um vídeo expressando sua indignação com as opiniões de "especialistas" sobre as condições dos presídios e o novo plano de segurança pública. Malta lembra que os criminosos fazem uma opção por uma vida de crime. 
PT TEM ESPERANÇA DE QUE STF GARANTA A LULA O DIREITO DE DISPUTAR A PRESIDÊNCIA

O PT tem esperança de que o STF (Supremo Tribunal Federal) garanta a Lula o direito de disputar a eleição presidencial de 2018, ainda que ele vire ficha suja, caso seja condenado em segunda instância. O ex-presidente é réu em cinco ações.

Dirigentes do partido trabalham com o seguinte cenário: Lula, condenado, recorreria ao STF apontando vícios do processo que hoje já são repisados por sua defesa. Tirá-lo da disputa seria ferir um direito de forma extrema, e irreversível, por causa de uma condenação que poderia no futuro inclusive ser anulada.

Diante da repercussão nacional e internacional esperada com um eventual impedimento de Lula de disputar a Presidência, o STF poderia conceder uma liminar garantindo o direito do petista de aparecer na urna eletrônica.



Esse é o cenário cor-de-rosa considerado por dirigentes do PT. Outra possibilidade, também tida como concreta, é a da inviabilização da candidatura por uma condenação na Justiça que o Supremo acabe respaldando.

CRIMINOSOS MORTOS EM PRESÍDIO SÃO HOMENAGEADOS PELO ESTADO DO AMAZONAS

Nas fotos dos enterros dos criminosos mortos em uma guerra de facções no interior do presídio de Manaus, um "detalhe" chama a atenção: os caixões receberam faixas de "homenagem do governo do Estado do Amazonas. A homenagem, somada à presteza em se oferecer indenizações às famílias, faz pensar que os mortos são considerados verdadeiros heróis do estado.

Não se sabe se o Estado rende as mesmas homenagens aos policiais mortos em serviço ou às vítimas de criminosos. 

Magno Malta expõe absurdos do Novo Código Penal brasileiro

O senador Magno Malta, em um discurso profundamente irônico, apontou as incoerências que surgem até mesmo no Código Penal a partir de propostas da esquerda. Para Malta, o Código passará a valorizar mais os direitos dos animais que os direitos dos humanos. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O SANGUE A CORRER SERÁ AGORA DOS INOCENTES, ALERTA PROMOTOR

O promotor César Dario Mariano da Silva, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, contrapõe-se ao discurso de que "o Brasil prende demais". Para Silva,  ao contrário, "colocar marginais nas ruas somente irá mudar o foco das ações. Deixa-se de matar rivais de outras facções e passa-se a assassinar e roubar o trabalhador honesto". 

Leia abaixo o texto completo: 
Tenho lido e ouvido “especialistas” discutindo sobre o ocorrido nos presídios em Manaus e Roraima. O problema seria a superpopulação carcerária e a solução a diminuição das prisões, provisórias e definitivas. Quem conhece um pouco de execução penal sabe que dificilmente há presos que lá não deveriam estar. São homicidas, latrocidas, traficantes, estupradores, dentre outros criminosos violentos.
Fazer o que com esse pessoal? Mandar para o regime aberto, impor penas alternativas?
O problema não é a quantidade de presos, mas o número enorme de criminosos. Devemos investir a médio e longo prazo em educação, esportes, lazer e criação de empregos. Será a única maneira de resolver esse problema.
Colocar marginais nas ruas somente irá mudar o foco das ações. Deixa-se de matar rivais de outras facções e passa-se a assassinar e roubar o trabalhador honesto.
A tão propalada tese de que o Brasil prende demais não resiste a uma análise lógica e honesta.
Diariamente, são praticados milhares de crimes, muitos desses violentos. A taxa de elucidação de delitos é muito pequena, o que faz com que o cidadão muitas vezes sequer procure a Delegacia de Polícia para a elaboração de boletim de ocorrência. E, mesmo assim, flagrantes são realizados e pessoas presas e condenadas.
Imaginemos apenas que não houvesse mais as prisões necessárias e inúmeros criminosos fossem colocados nas ruas apenas para esvaziar o sistema prisional, o que vêm defendendo alguns “especialistas” no assunto.
Se já temos uma das maiores taxas mundial de crimes violentos, a situação iria se agravar sobremaneira de modo a ficar insuportável viver nas cidades mais populosas e violentas.
A lei penal e processual penal possui mecanismos adequados e suficientes para encarcerar apenas as pessoas que tenham cometido crimes graves, normalmente com violência ou grave ameaça. Por isso, dificilmente há nas penitenciárias praticantes de crimes leves, a não ser que sejam useiros e vezeiros em sua prática.
Prende-se apenas o necessário e de acordo com a legislação em vigor. E, para os casos em que a prisão não é necessária ou adequada, há recursos próprios para corrigir eventual equívoco judicial.
Não é a população que deve ser penalizada pela ausência de vagas no sistema penitenciário. A solução de soltar criminosos levará necessariamente ao aumento da criminalidade e o sangue a correr será agora de inocentes cidadãos cumpridores de seus deveres. 

RENAN QUER GASTAR R$ 2 MILHÕES PARA SABER O QUE O POVO ACHA DELE

Renan Calheiros está disposto a gastar uma grana violenta para descobrir algo que todo mundo já sabe: o que a opinião pública pensa sobre ele e seus colegas de Legislativo.

O Senado abriu uma licitação para contratar uma empresa especializada em pesquisas de opinião por até R$ 2,2 milhões, a serem pagos durante um ano de serviços.

De acordo com o edital, Renan precisa de um monitoramento de avaliação da imagem do Senado. Os questionários também devem conter perguntas sobre temas relacionadas a violência doméstica contra a mulher; segurança pública; educação e cultura; saúde; direitos das pessoas com deficiência; direitos dos idosos; entre outros.

Em tese, o material será usado no apoio à atividade das comissões parlamentares da Casa.

ÓCIO DOS PRESOS É O MOTOR DA VIOLÊNCIA, DIZ COLUNISTA
A colunista Elisa Robson, do blog República de Curitiba, analisa a necessidade urgente de se repensar o sistema prisional brasileiro e sugere começar pelo óbvio: a ociosidade dos presos. A colunista lembra que embora os presos tenham direito a trabalhar, isso não ocorre na grande maioria das prisões, e 80% dos presos permanecem no ócio, o que, segundo ela, favorece o aumento da violência.

Leia abaixo o texto completo: 
Uma das mais impressionantes histórias sobre a vida na prisão contada pelo cinema foi, sem dúvida, a biografia de Henri Charrière, em “Papillon”. O longo, lento e pesado ritmo do filme consegue levar, por duas horas e meia, o espectador a sofrer os martírios do encarceramento dos personagens interpretados por Steve McQueen e Dustin Hoffman. A escuridão da solitária, o odor fétido dos corpos moribundos e, claro, o desespero dos prisioneiros na Guiana Francesa. Mas o que torna a obra relevante é o foco sobre as transformações físicas e mentais que a prisão tem sobre aqueles homens.
“A vida supera a ficção” é um clichê, mas tem uma boa utilidade aqui. Isto porque, hoje no Brasil, todas as notícias que tivemos essa semana provaram ser absolutamente verdadeira essa frase desgastada no diz que respeito ao sistema carcerário. Relatos, orgulhosamente feitos pelas facções a fim de mostrar o seu poder de barbárie e impor medo, descreveram os mais atrozes episódios de violência. E superaram qualquer impacto que o cinema tentou causar nesse sentido.
Os responsáveis pelo encarceramento em massa tentaram lavar as mãos e fazer o jogo do empurra-empurra. Governo federal, estadual, justiça, empresa administradora. Todos se debateram. Enquanto os brasileiros, mais uma vez, assistiram o horror daquilo que é consequência direta do descaso e corrupção.
Contudo, a um ponto chegamos: não será mais possível, daqui pra frente, deixar de repensar o nosso Estado penal. Podemos começar por muitos aspectos para tentar entender o motor da violência do sistema prisional. E há diversas opções diante dessa degradação. Mas vamos escolher a mais óbvia: a ociosidade dos presos.
Em nosso país, apenas dois em cada dez presos não estão à toa. Cerca de 80% das penitenciárias não contam com marcenarias, padarias ou fábricas. Dos 58.414 presos que trabalham (equivalente a menos de 16% dos encarcerados) 34% exercem tarefas nos presídios como limpeza, cozinha ou biblioteca, funções que, segundo especialistas ainda é feito com baixo potencial de capacitação para um ofício. Costurar bolas ou fazer artesanato não são atividades absorvidas pelo mercado. Esses dados são do Departamento Penitenciário Nacional, do Ministério da Justiça.
A Lei de Execução Penal garante o direito ao trabalho. Nesse caso, o preso ganha pelo menos ¾ do salário mínimo e tem descontado um dia da pena a cada três trabalhados. Mas com presídios lotados e poucos agentes penitenciários, o risco à segurança e movimentação dos presidiários é o principal argumento dos Estados para a baixa oferta de emprego.
O que fazer? Talvez começar com parcerias honestas, frutíferas, com o setor privado. Um bom exemplo é o caso dos 200 presos que trabalham em uma fábrica de estofados na penitenciária de São Cristóvão do Sul, em Santa Catarina. O Estado tem um dos índices mais expressivos de oferta de emprego, 57% da população carcerária trabalham.
Lá, ao contrário de presídios em outros lugares, as oficinas de artesanato são raras – predominam indústrias. Presos fabricam chuveiros, estofados, móveis e fazem costura industrial. E não há encargos trabalhistas para a empresa, como FGTS.
Os problemas relativos ao cárcere são muitos e precisamos enfrentá-los com urgência. E isso não pode mais ser feito em um ritmo longo, lento e pesado.

ALBERTO GOLDMAN PROPÕE ACABAR COM A MESADA DE GUERRILHEIROS E DEIXA A EXTREMA-ESQUERDA EM FÚRIA
Quinze anos depois de criada, a Comissão de Anistia, que julga pedidos de reparação aos perseguidos pelo regime militar, está mudando de cara. No governo Temer, vários conselheiros, alguns com ligações com a esquerda, se demitiram ou foram demitidos. Outros permanecem. Entre os que chegaram agora está o ex-governador de São Paulo e ex-deputado federal por seis mandatos Alberto Goldman, um ex-integrante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), mas que tem batido de frente com a "velha guarda" da comissão e votado contra pagamento de reparação econômica para militantes que foram alvos do regime militar. 

Goldman tem questionado os cálculos que são feitos para se chegar ao montante a ser pago como reparação a um ex-atingido pelos excessos do governo militar. E já disse que o objetivo principal foi alcançado, que foi a reconquista da democracia.
Nos três julgamentos de pedidos de anistia de que participou até agora, o novo integrante, na maioria dos casos, votou contra ou se absteve. Em um dos julgamentos, Goldman criou polêmica ao criticar os critérios da comissão e discordar usando argumentos considerados fortes para quem está há mais tempo nesse colegiado. Ao se referir a um dos casos, disse:

— Reparação mesmo é a que já tivemos, que foi a vitória contra a ditadura e a reconstrução democrática. Isso é de fato o que entendo por reparação. Apenas discordo mais uma vez que seja uma reparação política, e não é. Já que você sofreu tudo isso, toma R$ 500 mil, R$ 200 mil, toma R$ 1 milhão. E está reparado. Não, a lei não estabeleceu isso como princípio. O processo foi distorcido.

REPARAÇÃO ECONÔMICA

Decana da comissão, a conselheira Ana Maria Oliveira, que está ali desde 2008, rebateu as críticas de Goldman. Ela disse que não há na comissão uma distribuição do dinheiro do povo e que a lei é muita clara e não há interpretação diferenciada. E afirmou que, no caso específico que estava sendo julgado, nenhum valor iria apagar tudo aquilo sofrido pelo ex-perseguido político.

— Quantos não perderam a vida nessa luta por dias melhores? Além do pedido de desculpas, a lei é muito clara para dizer que é justo que se faça a reparação moral e muito clara para dizer que é justo que se faça a reparação econômica. Tudo que estamos fazendo desde 2008 são interpretações que não fogem da legislação que temos hoje. Não tem ninguém aqui fazendo distribuição do dinheiro do povo brasileiros. Seguimos a legislação com o maior respeito que a gente acha que merece esse tipo de questão — disse Ana Maria, acrescentando: — Nesses oito anos que estou na Comissão de Anistia, eu durmo com a consciência tranquila de que estou aqui fazendo o dever de casa com muito respeito às nossas instituições e respeito aos nossos anistiados.

Para Goldman, a comissão virou um “tribunal”.

— Fui convidado para participar, e entendia ser uma comissão cujo papel é de assessoramento do ministro da Justiça. E me dei conta que essa comissão virou uma espécie de Poder Judiciário. Espécie de tribunal. Não esperava encontrar isso. Encontrei um verdadeiro tribunal.


PLANALTO OBRIGOU O BNDES A CONCEDER EMPRÉSTIMOS A EMPRESAS ENROLADAS NA LAVA JATO
Partiu do Planalto a ordem para o BNDES liberar empréstimos para que empreiteiras enroladas na Lava Jato toquem obras no exterior. Representantes das construtoras imploraram pelo dinheiro ao governo porque estão em extrema dificuldade no Brasil. A presidente do banco, Maria Silvia Bastos, teve de aceitar.

A presidência do BNDES afirma que todas as suas decisões são tomadas a partir de estudos técnicos e que a retomada do financiamento para essas empresas foram definidas dentro do próprio banco.

VALOR MOVIMENTADO NA LAVA JATO SOMA R$ 8 TRILHÕES
SUPERA O PIB DO BRASIL, QUE FICOU EM R$ 5,9 TRILHÕES EM 2015
Um levantamento de peritos da Polícia Federal mostra que todas as operações financeiras averiguadas nas investigações da Lava Jato somam R$ 8 trilhões. O PIB do Brasil em 2015 alcançou R$ 5,9 trilhões.
POBREZA NÃO É SINÔNIMO DE MARGINALIDADE, MAS É O ALIMENTO DE “INTELECTUAIS” CANALHAS

Quem faz ligação direta entre pobreza e criminalidade normalmente vive bem longe da pobreza, no conforto da civilização, observando os pobres como seres abstratos, idealizados ou, ainda pior, seus mascotes. São os “intelectuais” que costumam viver da miséria alheia, e falam o tempo todo daquilo que não conhecem de fato: do pobre. Por isso tendem, de forma extremamente ofensiva para com os mais pobres, a fazer essa ligação direta entre “desigualdade” e marginalidade.
Cheguei a levantar, para provocar essa turma, a seguinte questão como dúvida do dia: se a violência é causada pela desigualdade, como afirmam os “especialistas” da BoboNews, então quer dizer que uma ala dos criminosos que mata outra ala dentro do presídio o faz porque possui menos bens e riquezas?
Será que essa gente que culpa a pobreza pela criminalidade sabe que Marcola, chefão de uma poderosa facção criminosa, estudou filósofos e tudo? Que Playboy, já morto pela polícia enquanto fugia, vinha de classe média com escolaridade? Vários bandidos são de classe média ou mesmo alta, a começar pelos que ocupam cargos no poder político. Enquanto isso, inúmeros pobres levam a vida com dignidade e respeito às leis.
Pois bem: um texto um tanto pessoal de autoria de Michele Prado tem circulado bastante pelas redes sociais, e merecidamente. Ela coloca o dedo na ferida, defende os pobres com dignidade, ou seja, a maioria, e ataca justamente esses “intelectuais” canalhas que exploram a miséria como seu ganha-pão ou sua massagem no ego. Simplesmente imperdível, e deveria ser leitura obrigatória em toda aula de “humanas” nas nossas universidades. Vejam:
Tenho 38 anos.
Aos 4 anos meu pai se separou de minha mãe, foi se amanziguar com a melhor amiga dela, e enquanto passávamos férias na Bahia, colocou nossas coisas num morro no Rio de Janeiro, em Brás de Pina, na rua Oricá.
Mais de 200 degraus de escadas para chegar ate lá.
Mainha, então com duas filhas pequenas, voltou ao seu ofício de artesã. Vendeu a aliança pra nos comprar comida, colocou duas barracas de ferro ( que eram desmontadas e remontadas diariamente) nas respectivas praças: Bonsucesso e Praça XV, e passou a nos sustentar com o fruto de seu ofício.
Minha irmã estudava em escola pública e eu, por conta de uma vizinha, ganhei uma bolsa de estudos, que garanti passando sempre direto até o final de meus estudos do ensino fundamental. Depois ganhei outra num colégio católico, ainda no Rj, e quando voltamos para a Bahia ganhei mais uma num colégio também católico, Colégio Paulo VI, que mantive sem perder de ano até o final do ensino secundário. Ainda me lembro do Frei que sempre me incentivava a estudar cada vez mais, Frei Serafim ( já morto).
Quando criança não me lembro as vezes em que vi minha mãe sair de casa cedo pra pegar uma imensa fila em algum mercado e estocar alimentar básicos, antes que fossem reajustados de novo por uma inflação galopante e horrenda.
Aprendi a comer todas as vísceras e partes consideradas menos nobres : pé de galinha, tripa frita, pescoço, moela, bofe etc. 
Cansei de ver minha mãe contando o pouco dinheiro e não dormir durante a noite preocupada com as contas. Uma dia contava as cédulas e no dia seguinte nenhuma delas valia mais nada, fora as vezes em que a moeda era substituída e brincávamos de ricos com as que já não eram mais tostão algum.
Na vizinhança, a realidade não era diferente. 
Todos, em suas vidas, enfrentavam a pobreza e quase todos conseguiam passar por ela mantendo um mínimo de dignidade.
Tenho 38 anos e nunca roubei ninguém. 
Nunca assassinei. 
Nunca nem furei fila.
Digo isto, que é particular e íntimo, porque NÃO ADMITO que um bando de vagabundos chamados de intelectuais, que fazem a imprensa e ocupam as cátedras hoje, digam que EU ou minha irmã, ou outros como nós, somos culpados pela barbárie que os SEUS DISCURSOS ajudaram a criar. E também pra deixar claro que POBREZA não é, nem nunca será, a CULPADA pela criminilidade.
Eu nunca irei aceitar a esquizofrenia desses pensadores, até porque TENHO CERTEZA de que quem ama a MISÉRIA são justamente eles, pois só assim conseguem capitalizar em cima da desgraça alheia.
E, enquanto eu puder, vou desmascarar cada um desses cretinos e seus discursos delirantes e irresponsáveis.
P.s > NENHUM DOS MEUS VIZINHOS, NEM AMIGOS DA ESCOLA, VIRARAM MARGINAIS.
fonte: Blog de Rodrigo Constantino