quinta-feira, 16 de março de 2017

Ex-ministro do STF critica foro privilegiado: 'Todos têm que ser julgados de modo igual'


O gaúcho Eros Roberto Grau, 76 anos, foi ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) entre 2004 e 2010. Indicado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, ele foi o quarto ministro do STF nomeado nos 13 anos de governos do PT. Recentemente, declarou ter sido “sempre ligado” ao PSDB. Depois de aposentar a toga, quando foi substituído na Corte por Luiz Fux, Grau se dedica a dar pareceres jurídicos em seu escritório de advocacia, em São Paulo. Mantém a frequência de viagens a Paris que o levou a ser chamado de “Euro Grau” nos tempos de STF e passa a maior parte do tempo em sua casa em Tiradentes (MG), a 190 quilômetros de Belo Horizonte, onde ostenta uma biblioteca com 37.000 títulos. 

Foi de lá que, por telefone, Grau falou à revista Veja. Nesta entrevista, o jurista defende mandatos com tempo determinado para ministros do STF, critica as transmissões televisivas das sessões do Supremo e afirma: “juiz não é produtor de Justiça, é aplicador da lei”.

O modelo de escolha dos ministros do STF, com nomeação pelo presidente da República e decisão pelo Senado, é o ideal? 
Esse processo de escolha me parece correto, porque, rigorosamente, o que vai do Executivo para o Legislativo é uma proposta. O Legislativo pode ou não aceitar. Já houve dois casos de recusa. O que eventualmente pode receber alguma crítica é o procedimento de um ou outro caso.

Mas esse modelo não dá aos presidentes muito poder sobre o Judiciário, além da possibilidade de senadores investigados definirem um juiz que pode vir a julgá-los? 
A Constituição prevê a coexistência em harmonia entre os três poderes. Essa harmonia se observa nas nomeações ao STF, pois há uma proposta do Executivo a ser analisada pelo Legislativo e que resulta na aprovação de um membro do Judiciário. A circunstância de nós estarmos vivendo um momento crítico da história brasileira, em que existe uma quase tragédia, é realmente terrível, mas não é isso que deve determinar uma mudança na Constituição. É apenas trágico, se é que ser trágico é “apenas”.

O senhor é favorável à ideia de estipular mandatos aos ministros do STF? 
Acho que no futuro, se houver uma alteração da Constituição, seria bastante razoável. Porque permite que o tribunal possa ser renovado de tempos em tempos, para evitar determinados mandatos muito longos e outros muito curtos. Há ministros que ficaram lá anos e anos e há outros que passaram pouco tempo, poderiam ter prestado uma colaboração maior à Justiça do Brasil.

De quanto tempo seria o mandato ideal de um ministro do STF? 
Se eu fosse membro do Legislativo e fosse votar em uma emenda constitucional, votaria por um mandato de dez anos, seria mais do que razoável.

Como avalia a indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo? 
Ele foi meu aluno na Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, onde eu, aliás, também tive como aluno um colega meu no STF, o ministro Dias Toffoli. Para ser objetivo e direto: os dois foram bons alunos e eu aprovei. Respondi a questão? (risos)

As recentes filiações de Moraes a PSDB, DEM e PMDB não o colocam em suspeição para julgar casos envolvendo políticos? 
Se formos seguir esse raciocínio, voltando ao passado, seriam inviabilizadas as nomeações de inúmeros ministros do Supremo que fizeram política antes de ir para lá. Foram ministros, deputados, senadores e, embora tenham sido políticos e filiados a partidos, revelaram-se grandes ministros do STF. Isso não quer dizer nada.

O senhor foi indicado pelo ex-presidente Lula ao STF e disse recentemente que sempre foi ligado ao PSDB. Lula não sabia dessa sua identificação com os tucanos? 
Quem indicou meu nome ao Senado foi o presidente da República. Não foi o Lula. Foi o presidente, que indicou inúmeros ministros aprovados pelo Senado e que nunca tiveram ligação com o PT, como Cezar Peluso, Joaquim Barbosa e Cármen Lúcia. Nesse ponto, o procedimento do presidente foi correto, não fez escolhas políticas, fez escolhas prudentes.

O senhor vê movimentos do governo do presidente Michel Temer tentando barrar a Operação Lava Jato? 
Não vejo e acho que qualquer movimento nesse sentido seria inútil, felizmente, porque história é um processo que não se detém voluntariamente. Hoje a Operação Lava Jato é algo que não se pode mais deter. A sociedade não aceitaria um procedimento desse tipo.

Como o senhor avalia a atuação do juiz Sergio Moro na Lava Jato? 
O procedimento dele é correto. Se eu tivesse que fazer alguma crítica, não faria nem a ele, nem ao Supremo, mas à maneira como são divulgadas algumas questões.

Quais questões? 
Hoje as sessões do STF se transformaram em um espetáculo jornalístico e televisivo. Isso não existe no mundo, apenas no Brasil. A chamada prudência, que deve determinar a atuação de um membro do Poder Judiciário, exige certo recato, que foi destruído na medida em que o tribunal passou a ser um espetáculo televisivo. Tenho um grande amigo que é juiz da Corte Constitucional da França e ele morreu de rir comigo, em uma ocasião, porque eu andava com ele por Paris e alguém me cumprimentou, “bom dia ministro”. Era um brasileiro. Ele morreu de rir e perguntou “como as pessoas sabem que você é ministro? Aqui ninguém sabe, ninguém me incomoda, posso andar pela rua e sou anônimo, isso é maravilhoso”. Só no Brasil existe o espetáculo judicial.

As transmissões não dão mais transparência às decisões? 
Então em todo o mundo não haveria transparência. Porque não há nenhum lugar, salvo engano, em que exista publicidade das sessões do tribunal. Não existe. O que caracteriza a atuação do Judiciário é a prudência. O juiz, o membro do tribunal, não pode fazer parte de um espetáculo televisivo, e é isso que acontece hoje no Brasil.

Que avaliação o senhor faz das cada vez mais frequentes manifestações de ministros do STF fora dos autos dos processos, na imprensa? 
Acho que não é adequado. Em nenhum lugar do mundo existe esse tipo de procedimento.

Voltando à Lava Jato, qual sua opinião a respeito das prisões preventivas determinadas pelo juiz Sergio Moro? 
Elas são definidas nos termos da lei e, ao que me consta, os tribunais têm confirmado as prisões definidas em primeira instância na Operação Lava Jato.

Em três anos, o STF ainda não julgou nenhum réu na Operação Lava Jato. Por que a lentidão? 
Porque existe um número imenso de processos no STF. Isso é algo que um dia deverá ser reformado, com uma alteração na Constituição, reduzindo a competência do Supremo e ampliando a do STJ e de outros tribunais. Esse meu amigo que é juiz da Corte Constitucional da França ficou estupefato quando eu disse a ele o número de processos que eu tinha no meu gabinete. Mais de 2.000 processos. Ele me perguntou quantos casos o tribunal julga por ano. Eu disse que era coisa de 10.000 e ele respondeu: “na França, nós não julgamos mais de 100 a cada ano”. A diferença é brutal, reclama uma mudança constitucional.

Entre os ministros da Segunda Turma do STF (Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Edson Fachin e Celso de Mello), Fachin, o novo relator, é o que tem o perfil mais adequado à Lava Jato? 
É complicado falar sobre perfis dos ministros. O que o membro de um tribunal tem de fazer é aplicar a lei e a Constituição do modo mais prudente possível. Acho terrível quando começamos a avaliar o comportamento, as preferências, a personalidade de fulano e beltrano, e desconsideramos que ele é um juiz. O juiz não é um produtor de justiça, ele é um aplicador da lei. Quando ele sair dali, pode até dizer a si mesmo “que coisa, eu absolvi aquele sujeito. Eu, como cidadão comum, queria ver aquele sujeito preso. Mas ele tinha direitos e eu absolvi”.

Fachin classificou recentemente o foro privilegiado como “incompatível com o princípio republicano” e o ministro Luís Roberto Barroso afirmou que “o sistema é feito para não funcionar”. O senhor concorda com eles? 
Concordo sim. Não há razão nenhuma, nenhuma distinção entre deputado, senador, membro do Poder Executivo e o mais humilde delinquente que pratica um delito para se alimentar. Não tem sentido isso. Todos têm que ser julgados de modo igual.

O foro privilegiado deveria se restringir a quais funções? 
Eu, pessoalmente, deixaria só o presidente da República. Acho que deveria ser como é na França, por exemplo: durante o tempo em que o presidente da República exerce o mandato, ele não deve ser processado, porque isso pode desequilibrar a marcha do Estado. Mas quando deixar de ser presidente, ele vai responder. Isso está acontecendo com [o ex-presidente] Nicolas Sarkozy.

O senhor é favorável à prisão depois da segunda instância? 
Não. Suponhamos que existam 1.000 processos e que em 999 deles a segunda instância decidiu corretamente. Mas há um caso em que o sujeito era inocente e ainda tinha uma possibilidade de recurso aos tribunais superiores. Ele foi preso inadequadamente, por isso o direito de defesa tem que ser observado. Só depois do trânsito em julgado da condenação é que deve haver prisão. Essa decisão [de permitir prisões após a segunda instância] do Supremo se deve ao fato de haver inúmeros processos em que os ricos contratam advogados que inventam recursos, recursos e recursos para que os processos não terminem jamais, ao passo que os pobres sem direito a defesa acabam presos por nada.



'Lista de Janot' contém no máximo 107 nomes sob sigilo no STF, aponta levantamento

Os 83 pedidos de inquérito enviados na última terça-feira ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contêm 107 nomes, todos sob sigilo, segundo apurou levantamento do G1 e da TV Globo no sistema processual do STF.

Isso não quer dizer que o total de investigados seja 107. Em alguns poucos casos, segundo informaram investigadores da Lava Jato, foi pedida a investigação de uma mesma pessoa em mais de um inquérito. Esses investigadores estimam em cerca de 100 o total de pessoas cuja investigação foi pedida ao STF.

O levantamento apontou que, dos 83 pedidos:

  • 64 têm um nome por inquérito;
  • 16, dois nomes em cada inquérito;
  • 2 pedidos, três nomes em cada inquérito;
  • 1 pedido aparece com cinco nomes no mesmo inquérito

Para o levantamento, o G1 e TV Globo consultaram cada um dos pedidos de inquérito que constam do sistema processual do STF. Como o material está sob sigilo, não aparecem os nomes, somente a quantidade de pessoas cuja investigação é solicitada em cada pedido de inquérito.

Janot enviou na terça ao Supremo pedidos para investigar investigar políticos citados nas delações de 77 executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht.

Até o momento, não foram divulgados, oficialmente, os nomes dos políticos que integram a “nova lista do Janot” porque a solicitação tem caráter sigiloso. Além da abertura dos inquéritos, Janot também pediu ao STF a retirada do sigilo das delações. Quem decidirá sobre os pedidos é o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo.

Apesar de os pedidos de inquérito ainda estarem sob segredo de Justiça, a TV Globo já conseguiu confirmar 38 nomes de políticos que fazem parte da chamada "nova lista do Janot” (veja a lista completa ao final desta reportagem).

Os documentos entregues pela PGR nesta semana ao Supremo trazem acusações de crimes como corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, fraude à licitação, formação de cartel e caixa 2.

Sala-cofre

Relator da Lava Jato no Supremo, o ministro Luiz Edson Fachin ainda não recebeu o material enviado pela PGR. O magistrado não tem prazo para tomar decisão sobre a abertura de inquéritos ou sobre o fim do sigilo das delações.

Ele só decidirá depois que receber e analisar centenas de documentos entregues pela Procuradoria. Por enquanto, está tudo guardado numa sala-cofre no terceiro andar do tribunal, próximo ao gabinete da presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia.

Antes de os pedidos chegarem ao gabinete de Fachin, tudo tem de passar pelo protocolo do Supremo. A previsão é de que os documentos sejam liberados para o relator até o final desta semana.

Os 320 pedidos de Janot (dos quais 83 de abertura de inquérito) já começaram a ser cadastrados no sistema do STF e receberam um número. Agora, estão em fase de processamento.

Foro privilegiado

Os pedidos de abertura de inquérito foram enviados ao Supremo porque entre os alvos há autoridades com foro privilegiado, isto é, que só podem ser investigadas (e depois julgadas, se for o caso) com autorização do STF. São os casos de deputados e senadores, por exemplo. Governadores são investigados e julgados no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Para os casos de políticos e demais pessoas que perderam o foro privilegiado – integrantes do governo passado, por exemplo –, o procurador-geral fez 211 pedidos de remessa de trechos das delações para instâncias inferiores da Justiça (o chamado "declínio de competência").

No total, a Procuradoria Geral da República fez ao Supremo 320 pedidos, dos quais:

  • 83 pedidos de abertura de inquérito
  • 211 pedidos de remessa de trechos das delações que citam pessoas sem foro no STF para outras instâncias da Justiça
  • 7 pedidos de arquivamento
  • 19 outras providências

Nomes revelados

Veja quais são os nomes da “lista do Janot” já revelados pela TV Globo:

Seis ministros do governo Temer – Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria Geral), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), Bruno Araújo (Cidades), Marco Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços)

Cinco governadores – Renan Filho (Alagoas), Luiz Fernando Pezão (Rio de Janeiro), Fernando Pimentel (Minas Gerais), Tião Viana (Acre), Beto Richa (Paraná)

Seis deputados: Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara; Marco Maia (PT-RS); Andres Sanchez (PT-SP); Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA); José Carlos Aleluia (DEM-BA); Paes Landim (PTB-PI)

Dez senadores: Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado; Edison Lobão (PMDB-MA); José Serra (PSDB-SP); Aécio Neves (PSDB-MG); Romero Jucá (PMDB-RR); Renan Calheiros (PMDB-AL); Lindbergh Farias (PT-RJ); Jorge Viana (PT-AC); Marta Suplicy (PMDB-SP); LÍdice da Mata (PSB-BA)

Dois ex-presidentes da República – Luiz Inácio Lula da Silva (PT); Dilma Rousseff (PT)

Dois ex-ministros do governo Dilma – Antonio Palocci (PT); Guido Mantega (PT)

Um ex-ministro do governo Temer – Geddel Vieira Lima (PMDB-BA)

Um ex-governador – Sérgio Cabral (PMDB-RJ)

Um ex-presidente da Câmara – Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Dois prefeitos – Duarte Nogueira (PSDB-SP), de Ribeirão Preto; Edinho Silva (PT-SP), de Araraquara

Um ex-candidato a governador – Paulo Skaf (PMDB-SP)

Um ex-assessor da ex-presidente Dilma Rousseff – Anderson Dornelles

Partidos

Veja a distribuição por partido dos nomes da "lista do Janot" revelados pela TV Globo:

DEM – José Carlos Aleluia, Rodrigo Maia

PMDB – Edison Lobão, Eduardo Cunha, Eliseu Padilha, Eunício Oliveira, Geddel Vieira Lima, Lúcio Vieira Lima, Luiz Fernando Pezão, Marta Suplicy, Moreira Franco, Paulo Skaf, Renan Calheiros, Renan Filho, Romero Jucá, Sérgio Cabral

PRB – Marco Pereira

PSB – LÍdice da Mata

PSD – Gilberto Kassab

PSDB – Aécio Neves, Aloysio Nunes, Beto Richa, Bruno Araújo, Duarte Nogueira, José Serra

fonte: G1 e TV Globo

Demonstrando medo, Ciro Gomes começa atacar Doria: ‘Mil vezes um Bolsonaro do que um enganador como Doria'

Em meio a rumores de uma possível candidatura do atual prefeito de São Paulo, João Doria,  para presidência da república, o socialista Ciro Gomes já começa a disparar ataques.  O prefeito tem aprovação de 75% dos cidadãos paulistanos e 48% dos moradores acham sua gestão boa ou ótima, o que pode fazer de Doria um forte candidato nas eleições de 2018 para presidente.

Ciro Gomes, que não supera nem mesmo Jair Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, disparou críticas contra o Doria em um entrevista ao portal HuffPost: ‘Mil vezes, na minha opinião, um Bolsonaro do que um enganador desse tipo’.

Só o povo na rua salvará a Lava Jato da enorme pizza que está sendo assada

O jornalista Elio Gaspari, do jornal O Globo, chama a atenção para a estratégia que está sendo armada para salvar corruptos da punição: "A grande pizza começa a ser assada fabricando-se um tipo de anistia parlamentar e/ou judiciária para o caixa 2. Em seguida, as propinas virarão caixa 2, e estamos conversados". E conclui: "Só a rua pode evitar que assem a pizza".
 
Leia abaixo o texto completo:
No seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, Emílio Odebrecht soltou uma palavra que reflete a ansiedade da oligarquia nacional diante da Lava-Jato. Discutia-se a identidade do “Italiano” das planilhas de capilés do empreiteiro, e ele esclareceu que o apelido é muito comum, mas era possível que se referisse também ao “nosso Palocci”. O uso do “nosso” não indica propriedade, mas apenas familiaridade. É enorme a admiração de Odebrecht pelo doutor Antonio, ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma Rousseff. Em poucos minutos doou-lhe nove adjetivos: entre eles, “inteligente”, “bem informado”, “homem de visão de estadista”.
A lista da Procuradoria-Geral da República contém os beneficiários de capilés da “nossa” Odebrecht. Empresários de todos os calibres, políticos de todos os grandes partidos, os três ex-presidentes vivos e pelo menos dois ministros do Supremo Tribunal Federal formaram um coro destinado a embaralhar a discussão dos capilés. Caixa 2 seria uma coisa, propina seria outra, dinheiro embolsado seria uma coisa, dinheiro gasto na campanha, bem outra. Jurisconsulto de renome, o doutor Gilmar Mendes fica devendo uma tabelinha capaz de diferenciar urubu de carcará.
A principal estridência desse coro ocorre quando se vê que se planeja uma anistia para delinquentes que se recusam a confessar. Todos operam no caixa dois, diz o coro, mas eu nunca operei, responde cada um dos cantores.
A Lava-Jato foi na jugular da oligarquia política e de boa parte da oligarquia empresarial do país. (Está na memória nacional o pato amarelo que ficava diante da Fiesp, do “nosso” Paulo Skaf, mencionado em colaborações da Odebrecht como receptáculo de R$ 6 milhões.) Ferida, essa oligarquia joga com o tempo, com as peças de Brasília e com o cansaço da choldra. Afinal, um dia a Lava-Jato haverá de ser um assunto chato, se já não é.
A grande pizza começa a ser assada fabricando-se um tipo de anistia parlamentar e/ou judiciária para o caixa 2. Em seguida, as propinas virarão caixa 2, e estamos conversados. Mas isso não pode ser tudo. Se o caixa 2 é uma anomalia da contabilidade das campanhas eleitorais, deve-se criar um novo modelo. Qual? O do financiamento público. Como dizia Renato Aragão, você da poltrona que já paga impostos para receber (se receber) obras superfaturadas, pagará as campanhas eleitorais dos candidatos que mordem as empresas para botar ou tirar jabutis de medidas provisórias.
Parece maluquice, mas já desengavetaram um corolário do financiamento público: o voto de lista. Assim, o sujeito paga pela obra superfaturada, financia a campanha dos candidatos e ainda perde o direito de votar em quem quer. (Pelo sistema atual, o sujeito votava em Delfim Netto e elegia Michel Temer, mas indiscutivelmente votara em Delfim, não em Temer.) Junte-se a isso que nenhum dos listados pela Procuradoria-Geral irá a julgamento em menos de quatro anos.
Só a rua pode evitar que assem a pizza. Não é coisa fácil, pois uma parte da turma do “Fora Temer” tem o pé esquerdo na “nossa” Odebrecht e parte do coro do “Fica Temer” tem o pé direito. Sem a rua, a oligarquia unida jamais será vencida. Ela fez esse milagre no século XIX, e o Brasil foi o último país independente das Américas a acabar com a escravidão.

fonte: O Globo 

Metade do Senado assina pedido para votar em plenário fim do foro privilegiado

Senadores assinam pedido para votar projeto que põe fim ao foro privilegiado

Grupo formado por 41 dos 81 parlamentares assinou documento para que Eunício inclua texto na pauta de votações e determine as datas para análise; assinaturas podem ser retiradas.

Um grupo formado por 41 senadores de diversos partidos assinou um requerimento para que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim ao foro especial por prerrogativa de função, o chamado foro privilegiado, seja incluída na pauta de votações do plenário do Senado (leia ao final desta reportagem os nomes dos 41 senadores).

Os parlamentares que assinaram o requerimento podem, eventualmente, retirar as assinaturas, o que poderia inviabilizar a inclusão da proposta na pauta de votações do Senado.

A PEC foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em novembro do ano passado e, para ir a votação em plenário, precisa incluída na pauta pelo presidente, Eunício Oliveira (PMDB-CE), em acordo com os líderes partidários.

A proposta foi apresentada por Álvaro Dias (PV-PR) e extingue o foro privilegiado nos casos em que as autoridades – presidente da República, senadores e deputados, entre outras – cometerem os chamados crimes comuns, como, por exemplo, roubo e corrupção.
O foro privilegiado prevê a essas autoridades o direito de serem processadas somente no Supremo Tribunal Federal. No caso dos governadores, por exemplo, os processos ficam a critério do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na prática, com o fim do foro privilegiado, as autoridades que hoje têm o direito de serem julgadas somente nos tribunais superiores passariam a responder a processos na primeira instância da Justiça.
Segundo o relator da PEC, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o requerimento assinado pelos 41 senadores será apresentado na próxima terça (21) e, com o documento, o senador espera que o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), inclua a PEC na pauta e agende as datas para a análise da medida.

Isso porque, por se tratar de uma alteração na Constituição, a proposta precisa ser aprovada pelos senadores em dois turnos de votação e receber o apoio de pelo menos três quintos dos parlamentares (49 dos 81 senadores). Se a PEC passar pelo Senado, vai para a Câmara, onde também deverá ser aprovada em dois turnos e receber o apoio, nas duas votações, de pelo menos 308 deputados.

Lava Jato
A discussão sobre o foro privilegiado ganhou força nas últimas semanas no Senado em meio ao envio, ao Supremo Tribunal Federal, da lista da Procuradoria-Geral da República (PGR) com 83 pedidos de abertura de inquérito para investigar políticos citados nas delações de ex-executivos da empreiteira Odebrecht no âmbito da Lava Jato.

Defensores da proposta argumentam que o número de autoridades que tem direito a julgamentos em tribunais superiores é alto – mais de 20 mil –, o que, na visão desses defensores, atrasa a análise dos processos e, muitas vezes, fazem-nos prescrever, sem que o réu seja condenado.

Lista
Saiba abaixo quais senadores assinaram o requerimento:

Álvaro Dias (PV-PR)
Randolfe Rodrigues (Rede-AP);
Ana Amélia (PP-RS);
Paulo Paim (PT-RS);
Ataídes Oliveira (PSDB-TO);
Ricardo Ferraço (PSDB-ES);
Otto Alencar (PSD-BA);
Ronaldo Caiado (DEM-GO);
Reguffe (sem partido-DF);
Cristovam Buarque (PPS-DF);
Romário (PSB-RJ);
Waldemir Moka (PMDB-MS);
Lasier Martins (PSD-RS);
João Capiberibe (PSB-AP);
Davi Alcolumbre (DEM-AP);
Pedro Chaves (PSC-MS);
Ângela Portela (PT-RR);
Lídice da Mata (PSB-BA);
Flexa Ribeiro (PSDB-PA);
Paulo Bauer (PSDB-SC);
Armando Monteiro (PTB-PE);
Eduardo Amorim (PSDB-SE);
Magno Malta (PR-ES);
Marta Suplicy (PMDB-SP);
Raimundo Lira (PMDB-PB);
Simone Tebet (PMDB-MS);
Maria do Carmo Alves (DEM-SE);
Regina Sousa (PT-PI);
Paulo Rocha (PT-PA);
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM);
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN);
Roberto Requião (PMDB-PR);
Thieres Pinto (PTB-RR);
Eduardo Lopes (PRB-RJ);
Acir Gurgacz (PDT-RO);
José Medeiros (PSD-MT);
Cidinho Santos (PR-MT);
Fátima Bezerra (PT-RN);
Dário Berger (PMDB-SC);
Rose de Freitas (PMDB-ES);
Lúcia Vânia (PSB-GO).

fonte: G1

Com o fim da mamata e verbas oficiais, Paulo Henrique Amorim agora implora por assinaturas


A mamata do jornalista lulopetista Paulo Henrique Amorim acabou.
As verbas governamentais que jorravam no seu decadente blog cessaram.
Foram treze anos de excelente faturamento e total decadência profissional.
Paulo Henrique Amorim se ajoelhou para o petismo, virou um sujeito totalmente parcial, beirando a mediocridade.
Doravante, para sobreviver, terá que vender ‘assinaturas’.
O vídeo onde anuncia a venda do produto é comovente.
Será muito difícil encontrar clientes.
conteúdo: Jornal da Cidade On Line

ESTÁ TUDO ERRADO E JÁ QUEBROU. MAS NÃO MEXE!

Difícil entender a conduta de muitos brasileiros. A parcela mais significativa do eleitorado é, historicamente, sensível às mais demagógicas promessas populistas. 

A biografia de muitos que entraram para nossa história como líderes benquistos e o catálogo de suas principais realizações não resiste ao crivo da relação benefício-custo e ao escrutínio de suas consequências. O Brasil anda devagar e o futuro é um horizonte que se afasta. 

De Getúlio para cá, incluindo o próprio, o populismo nos presenteou pela urna Juscelino, Jânio, Collor, Lula e Dilma. Não era outro o ânimo dos vices Jango e Sarney. Escaparam-se, em tempos recentes, o saudoso Itamar Franco e FHC em sua primeira eleição como cavalo do comissário de um governo bem sucedido. Já não se diga o mesmo dele em 1998, pois a reeleição enviou às favas os critérios do primeiro mandato.

 Recordista mundial em número de sindicatos, o Brasil cria 250 novas organizações desse tipo por ano. Segundo a revista Veja, em outubro do ano passado, havia 16.293 deles, prontos para servir de sinecura a dirigentes e de complicador às relações de trabalho. O motivo pelo qual os temos em tal quantidade (125 vezes mais do que os Estados Unidos e 180 vezes mais do que a Argentina) é o mesmo pelo qual são tantos os nossos partidos políticos. Há muito dinheiro fácil para uns e outros.

 "Nenhum direito a menos!", lia-se em faixa de passeata ocorrida há dois dias em Porto Alegre. "Queremos mais direitos e não menos!" proclamava outra, no mesmo evento. Ora, quem disse que muitos direitos são vantajosos ao trabalhador? Fosse assim, Portugal e Espanha estariam recebendo trabalhadores alemães e ingleses. No entanto, o que acontece é o contrário. Recursos humanos de países super-regulamentados migram para países onde as relações são mais livres. 

Aqueles têm as economias mais travadas e pagam salários mais baixos; estes são mais ágeis, prósperos e pagam salários mais altos. Li outro dia que na Venezuela, onde a lei proíbe a demissão de quem ganha salário mínimo, os trabalhadores, por motivos óbvios, têm medo de ser promovidos.

 Então, o Brasil preserva instituições irracionais, verdadeiras usinas de crises que promovem cíclica instabilidade da vida social e econômica. Cultua leis incompatíveis com o tempo presente como se fossem preciosidades jurídicas e esplêndidas realizações da generosidade política. 

Mas ai de quem propuser alteração em estatutos anacrônicos como os da previdência social e das relações de trabalho! Mas e o Brasil, deputado? Ora, o Brasil! Empregado tem nome e CPF. A empregabilidade não rende votos e o desempregado não tem sindicato.

A infeliz combinação de populismo, corrupção e leis erradas produziu a recessão, gerou 12,5 milhões de desempregados e derrubou a renda real dos brasileiros. Essa queda, porém, foi muito assimétrica, proporcionalmente maior para que ganha menos, chegando a 100% para o universo dos desempregados. Isso está muito errado!

Sim, mas não mexe, parecem dizer as próprias vítimas do perverso populismo e os eternos incendiários do circo alheio. Assim, o mero futuro já é uma utopia.

FONTE: Blog de Percival Puggina. Artigo originalmente publicado em 

Maia pede fim da Justiça do Trabalho e recebe troco: ‘Congresso deveria ser extinto’

O presidente da Câmara dos Deputados disse que a Justiça Trabalhista “nem deveria existir”. Associações de magistrados e advogados reagem à declaração. Um dos argumentos é que, se for analisar as instituições pelos erros, o Congresso também deveria acabar.


A crítica do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ-DEM), à Justiça do Trabalho gerou diversas reações em entidades e juristas da área. Durante um evento em Brasília na quarta-feira (8), o deputado afirmou que juízes tomam decisões “irresponsáveis” que levam pequenas empresas a quebrarem e que a Justiça do Trabalho “não deveria nem existir”. Ouvidos pela reportagem, especialistas da área reconhecem que há falhas na legislação trabalhista, mas criticam a posição de Maia.
“A declaração dele é uma declaração exacerbada, exagerada, à medida que, se nós formos tomar as dores das instituições públicas pelos seus erros, pelos seus exageros ou pelas suas falhas, o Congresso Nacional também deveria ser extinto”, disse o juiz do Trabalho Marlos Melek.

“Se a Justiça do Trabalho não fosse importante não teríamos 3 milhões de ações trabalhistas”, afirmou o advogado José Lucio Glomb, ex-presidente da OAB-PR. “Existem 3 milhões de ações porque há descumprimento da legislação trabalhista. Foi extremamente infeliz a declaração do deputado”, completou. O número de 3 milhões de processos na Justiça do Trabalho refere-se apenas àqueles que foram protocolados em 2016.

Equilíbrio

Os dois especialistas concordam que há problemas na legislação trabalhista que devem ser discutidos. “O que nós precisamos é equilibrar as relações no ambiente democrático e coibir os exageros de todos os poderes e instituições”, disse Melek. “Temos dezenas, centenas de exemplos de leis trabalhistas que geram insegurança jurídica porque são antigas ou mal feitas e precisam de uma revisão urgente”, completou. Para o juiz, é indispensável uma reforma trabalhista que garanta mais liberdade, segurança jurídica e simplificação da lei para todos.
Fonte: Gazeta do Povo

Doria não descarta candidatura à Presidência em 2018

Prefeito de São Paulo reafirmou apoio ao padrinho político, Geraldo Alckmin, mas disse que em política tudo pode mudar

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que a determinação de não se candidatar em 2018 não é “irreversível”. Questionado sobre a possibilidade de disputar o Planalto, ele reafirmou o apoio ao seu padrinho político, o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), mas não descartou concorrer caso haja desgaste dos nomes tucanos mais cotados para a eleição. O mesmo ele disse em relação a uma candidatura ao governo paulista.
As declarações foram dadas em entrevista ao jornal “SBT Brasil”, do SBT, veiculado na noite desta segunda-feira (13). Na semana passada, o prefeito negou a intenção de disputar a Presidência e declarou adesão ao nome de Alckmin, que, por sua vez, admitiu publicamente a intenção de concorrer ao Planalto no próximo ano.
Questionado se concordava com a frase do político mineiro Magalhães Pinto de que “política é como nuvem: você olha, ela está de um jeito, você olha e ela está de outro”, Doria disse que “nada é irreversível, exceto a morte”.
Estadão Conteúdo Web

Sem sigilo: denunciados precisam ser vistos de frente pela sociedade

Um dos mais importantes membros da Cosa Nostra, a violenta máfia siciliana, foi Tommaso Buscetta. Em 1983, ele foi preso no Brasil, pela Polícia Federal em São Paulo. E em troca do perdão judicial, Tommaso fez um acordo de delação com autoridades italianas.

Como resultado, ele entregou mais de 300 envolvidos.

E foi com base em sua colaboração que o Estado Italiano pode fazer o primeiro grande ataque à perigosa Cosa Nostra, responsável por chacina, atentados e assassinatos de autoridades.

Porém, essa não é toda história.

Por muitos anos, o centenário grupo  criminoso lucrou com a heroína, mas com o tempo esses ganhos diminuíram fazendo com que as máfias migrassem para outros setores. Por fim, uma das principais frentes da Cosa Nostra tornou-se a construção civil, especialmente as licitações. Assim, a corrupção de autoridades foi a sua atuação mais forte.

Em 2010, Antonio Patrono, representante do Conselho Superior da Magistratura da Itália e ex-diretor-geral do Servizio Nazionale Antimafia, fez a seguinte constatação: “É muito comum ver um canteiro de obras interrompidas no sul da Itália. Na Sicília, por exemplo, muitas estradas são feitas pelas empresas que os mafiosos indicam. Quando não indicam as empresas, fornecem o material. Eles enriquecem a cada fase do processo da obra, seja na empresa vencedora, no material de construção de baixa qualidade e superfaturado. Depois de 10 anos é necessário refazer tudo e a nova estrada custará quatro vezes mais do que a antiga e mal feita”, lamentou.

(Note a impressionante similaridade com o Brasil)

Patrono, contudo, chamou atenção para um dos instrumentos que tem se mostrado mais eficazes nessa guerra: a delação premiada, desde a época de Tommaso. “O acusado fica seis meses preso contando todos os crimes que cometeu, como funciona a organização e apontando as pessoas envolvidas. Se o Judiciário entender que essa pessoa colaborou de forma efetiva ele receberá muitos benefícios e proteção policial.”

No Brasil, o procurador Deltan Dallagnol classificou a colaboração premiada como um guia para que o investigador consiga caminhar dentro de um labirinto. “A colaboração é uma oportunidade para que o investigador espie por cima do labirinto e descubra quais são os melhores caminhos, isto é, aqueles com maior probabilidade de sucesso na angariação de provas.”

E é essa visão clara que agora o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pede ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), que seja compartilhada com a sociedade. Ele quer que Fachin retire o sigilo de grande parte dos 950 depoimentos de colaboradores da Odebrecht, nos quais eles citam o envolvimento de dezenas de políticos.

Há dois meses, os deputados abriram esse discurso e também passaram a pedir que a justiça retire o sigilo. Entretanto, a aposta dos parlamentares, como sempre, é perniciosa. Eles esperam que a divulgação de uma só vez das colaborações divida as atenções da sociedade e da imprensa, diluindo os efeitos negativos entre os diversos investigados.

Bem, independente das motivações citadas acima, negar ao povo o direito de conhecer e identificar os envolvidos nos crimes contra os cofres públicos será uma tentativa de enfraquecer a reação da população em 2018. E não acreditamos que “diluirá os efeitos negativos”. Muito pelo contrário. Estamos preparados para discutir com a opinião pública todos os casos. Em um grande mutirão contra corrupção.

Combater o crime de colarinho branco e criminalizar seus atores é fundamental para o futuro do país.

Os denunciados precisam ser vistos de frente pela sociedade.

Desvendar os complexos mecanismos de corrupção que assaltaram os cofres públicos foi uma das etapas cumpridas na Itália. E do mesmo modo será no Brasil.

Com a lista dos políticos delatados, poderemos dar o próximo passo com segurança: a limpeza política por meio do voto.

por Elisa Robson, jornalista.

DESARMAMENTO E MASSACRE DA POPULAÇÃO CIVIL

O mundo do crime declarou guerra ao mundo do trabalho. Nós produzimos e eles tomam nosso ganho - o dinheiro do bolso, o automóvel, a carga do caminhão, o gado no pasto. Guerra na cidade e no campo. Guerra sem dia ou hora de armistício. Não se trava contra o Estado de Direito, que bandido não é doido. Em muitos casos, formam um estado dito paralelo, mas não andam por aí atirando contra quartéis, porque sabem que lá dentro há bala e, de lá, vem bala. Não, eles querem o trabalhador da parada de ônibus, descendo do carro, entrando em casa, saindo do banco. E, não raro, tomam-lhe a vida.

 É uma guerra desigual, assimétrica. Enquanto o mundo do crime tem armas, o pessoal do trabalho árduo não dispõe de meios de defesa. Na tese oficial, esse seria encargo prioritário do Estado, mas ele, há muito tempo, jogou no tablado a toalha e a própria vergonha diante de sua impotência. O mesmo Estado, que tornou impeditiva a posse e o porte de armas pelos cidadãos, apresenta-se à sociedade como um impotente, "mãos amarradas" pelas próprias leis, decisões judiciais, carência de recursos humanos e materiais. Vendo e ouvindo o Estado, dá vontade de parafrasear João Bosco e cantarolar: "Tá lá o Estado estendido no chão... Em vez de reza uma praga de alguém". Estatisticamente está comprovado: esse Estado não consegue defender o mundo do trabalho.

Em tais condições, quando um lado está armado e o outro indefeso, toda guerra vira massacre. É como ataque de força armada hostil contra população civil desarmada. Deu para perceber a semelhança com as ações do Estado Islâmico? Temos a mesma coisa aqui, de modo fragmentado, mas tão ou mais letal, com 60 mil homicídios anuais e um número várias vezes milionário de "expropriações" ou butins levados a cabo, todo ano, pelas forças vitoriosas do mundo do crime.

Se você reclamar, se cobrar o direito ao uso e porte de armas, imediatamente se insurgirão as falanges opiniáticas da esquerda, acusando-o de ser um sanguinário irresponsável, militante pró bancada da bala, uma espécie de Comando Vermelho com sinal trocado. O massacre das vítimas, a impossibilidade prática de promoverem a própria defesa, deveria ser objeto de escândalo como escandalizam as ações do ISIS. Mas aqui é o Brasil e estamos habituados aos necrológios da sociedade nas páginas policiais.

Como escrevi outro dia, ao direito natural da pessoa humana à própria vida corresponde o direito de defendê-la. A proibição do Estado retira-lhe a efetividade, mas por ser ele natural, ele está ali, inerente à condição humana. É direito recusado, mas persiste sendo da pessoa. Se a legislação me permitisse ter e portar armas, eu até poderia, livremente, renunciar a isso. Mas não digo o mesmo do dever de proteger a vida dos meus familiares! Eu, ao menos, não sinto que possa dele abrir mão. É um dever moral, que considero inerente à condição de homem de família, com mulher e filhos sob seu zelo.

Por isso, em nome disso, mais e mais persistente deve ser o clamor nacional por um novo estatuto sobre a matéria. Danem-se as carpideiras de bandidos, os adversários de toda repressão sobre as práticas criminosas e as atitudes suspeitas, os sócios do clube da maconha e otras cositas mas; danem-se os eternos fiscais da polícia, os censores das opiniões alheias, os esquerdinhas militantes de todas as causas erradas. Quem assina este artigo é pacífico mas não é pacifista, não está a soldo de nenhuma indústria de arma, não é homicida em potencial e está indignado, sim, com o que fizeram do Brasil.

artigo de Percival Puggina

Senador Caiado apresenta projeto para garantir que a vítima seja indenizada pelo bandido em processo penal

O senador Ronaldo Caiado (Democratas-GO) apresentou um projeto de lei para melhor regulamentar a reparação dos danos materiais e morais por parte do infrator em favor da vítima ou de seus sucessores.


A ideia do Projeto de Lei 48/2017 é facilitar a reparação já prevista na Lei 11.719/08, que alterou o Código de Processo Penal para prever que o juiz estabelecesse um valor mínimo de indenização a título de reparação de danos sofridos pela vítima. Pela forma atual, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que a demanda pela indenização deveria partir de um pedido formal do Ministério Público. O projeta visa desburocratizar esse processo ao especificar em texto a inexigibilidade de um pedido específico.

“Ao lançarem sobre o Ministério Público o ônus de formular pedido específico, tais decisões ignoram que a reparação do dano não se destina ao MP, mas sim à vítima. Estes, no mais das vezes, são delitos de natureza grave, que geram inquestionáveis danos à vítima ou aos seus herdeiros. Logo, exigir que, justamente em tais casos, o ofendido solicite ao MP para que este, por sua vez, faça pedido expresso ao Juiz é impor um ônus injusto à vítima e sacar a eficácia da norma processual penal”, justificou Caiado na apresentação de seu projeto.

Algumas decisões do STJ também interpretam a atual lei como se o dano moral não pudesse ser objeto de tal reparação no juízo criminal. O senador também rebate essa interpretação: “Basta mencionar que a Constituição equiparou o dano moral ao material. […] Tendo sido tal equiparação feita, nada mais resta senão concluir que sempre que um texto normativo tratar de “dano” está a referir-se tanto ao dano material quanto o moral. Nesse sentido, a presente proposição tem por objetivo esclarecer tal situação”, explicou.

Exemplo do Estado

Ronaldo Caiado também reforçou que a interpretação que fundamenta o projeto é baseada em recente decisão do Supremo Tribunal Federal, que entendeu que presos em situação degradante devem ser indenizados pelos danos materiais e morais causados pelo Estado.

“Ora, se os criminosos podem ser indenizados pelo dano moral que o Estado lhes causa, quanto mais as vítimas têm direito a indenização pelo dano decorrente da ação criminosa de um indivíduo. O acesso a este direito deve ser o mais ágil possível”, concluiu. O projeto será apreciado na Comissão de Constituição e Justiça onde vai ser votado em caráter terminativo.

Com apenas 3 anos a Lava Jato apresenta números impressionantes

Lava Jato completa 3 anos e procurador Deltan Dallagnol mostra números impressionantes da operação


O procurador Deltan Dallagnol lembrou que a operação Lava Jato completa três anos nesta semana, e enfatizou os números impressionantes que mostram a dimensão da corrupção no Brasil: R$ 10 bilhões já foram recuperados e 89 pessoas foram condenadas a penas somadas de 1.383 anos. E a operação continua.

Lula fez um verdadeiro comício na Paulista, dando início à sua campanha eleitoral.

Greve termina na Avenida Paulista com 'Olê olê olê olá, Lula, Lula...' e 'oficializa' início da campanha de Lula


O ex-presidente Lula participou de ato na avenida Paulista, contra a reforma da Previdência. Em um curto discurso, Lula não mencionou os cinco processos em que é réu nem 'nova lista de Janot', que inclui o seu nome. Lula fez um verdadeiro comício, iniciando sua campanha eleitoral. 

Ao final de sua participação, os sindicalistas cantaram "Olê olê olê olá, Lula, Lula...".

POLÍTICOS ARMAM 'GOLPE DA LISTA FECHADA'

Jornalista Merval Pereira denuncia como políticos estão armando o 'golpe da lista fechada'


O jornalista Merval Pereira, do jornal O Globo, explica como está sendo armado um golpe contra a democracia pelos parlamentares brasileiros. Para Pereira, os parlamentares apoiam a proposta na esperança de serem eleitos para novos mandatos, com foro privilegiado, sem enfrentar a rejeição dos eleitores. 

Leia o texto de Merval Pereira: 
Proibida a doação eleitoral por empresas pelo Supremo Tribunal Federal, e inviabilizada pelos escândalos que estão sendo revelados desde o mensalão e que agora, no petrolão, ganharam detalhes perversos de utilização dos mecanismos institucionais da democracia para lavar o dinheiro das propinas oriundas de verba pública, a política ficou sem meios de se financiar. E fazer campanha eleitoral custa caro em qualquer lugar do mundo.
Somente os candidatos a deputado federal nas últimas eleições declararam doações no valor total do Fundo Partidário para todos os partidos, o que significa que faltaria dinheiro para financiar os demais candidatos a todos os cargos eletivos, inclusive presidente da República.

É essa constatação que está levando à conclusão de que somente uma escolha com lista fechada de candidatos, financiada por verba pública, pode viabilizar a eleição de 2018 que, sem isso, ficaria à mercê do dinheiro ilegal, venha de onde vier.

O sistema de lista fechada, no qual os candidatos são elencados pelos partidos, mas os eleitores votam apenas na legenda partidária, era o sonho do PT na época do pós-mensalão, e, com maior razão ainda, nos dias de hoje. Um detalhe sintomático aparece nas propostas em estudo: a garantia das “candidaturas natas” aos atuais detentores de mandato legislativo em todos os níveis, privilégio que foi suspenso pelo Supremo Tribunal Federal em 2002 para garantir a isonomia aos candidatos.

Hoje, quando a maioria dos atuais parlamentares está envolvida por delações de corrupção de empreiteiras, ter a garantia de concorrer a uma vaga acobertado pela sigla partidária vale ouro para os parlamentares, com trocadilho.

Essa proposta de lista fechada, no entanto, já foi derrotada dentro do próprio Congresso, quando ela parecia mais favorável ao PT do que aos demais partidos. O ambiente político mudou, e a solidariedade entre os acusados, sem diferenciação partidária, faz com que a proposta tenha boa chance de ser aprovada.

Ela traz em si uma contradição fundamental, a de fortalecer as direções partidárias no mesmo momento em que os partidos políticos brasileiros estão desmoralizados às vistas da Nação. Na primeira tentativa, foi relevante para que não fosse aprovada ressaltar que os eleitores não escolheriam seus candidatos diretamente, mas votando em uma lista previamente preparada pelos partidos.

Hoje, essa especificidade é justamente o que faz a proposta ser palatável a uma maioria parlamentar que quer se esconder do eleitor. A reação à proposta pode vir apenas das manifestações populares, mas na situação atual os senhores parlamentares já não se assustam com a voz rouca das ruas, mas com a possibilidade de cair na lista do Janot.

Não que, em isso acontecendo, temam ser condenados pela Justiça e impedidos de disputar as eleições, sabem que não haverá tempo para tal. Mas temem ser rejeitados pelos eleitores caso tenham que fazer campanhas individuais. No bolo partidário, têm mais chance de passar no teste eleitoral.