domingo, 14 de maio de 2017

Lula recebeu alerta sobre corrupção na Petrobras ainda no seu governo

Embora tenha afirmado perante o juiz Sergio Moro que demitiria toda a direção da Petrobras caso alguém o informasse sobre a existência de um esquema de corrupção na estatal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu importantes alertas, ainda no exercício do mandato, de práticas suspeitas na companhia, mas não agiu. 

No interrogatório da última quarta-feira, na sede da Justiça Federal em Curitiba, questionado pelo procurador Roberson Pozzobon, que perguntou se ele tinha conhecimento de corrupção na Petrobras e de repasse de dinheiro ao PT, Lula falou:

— Se, em algum momento, um dos 204 milhões de brasileiros chegasse ao presidente da República e dissesse "tem um esquema de propina na Petrobras", seria mandada embora a diretoria inteira da Petrobras — disparou Lula.

Mas houve avisos, inclusive oficiais. Em 2009, quatro obras da petroleira foram incluídas pelo Congresso numa lista de 24 projetos que deveriam ficar fora do Orçamento de 2010, sem verba, por terem sido flagradas com indícios de graves irregularidades em auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU). Em todos os casos, a suspeita era a mesma: preço muito acima do inicialmente orçado. Mas, no lugar de aceitar a decisão da Comissão Mista de Orçamento e determinar investigação na estatal, Lula vetou a inclusão das obras da Petrobras na lista e liberou os recursos. O ex-presidente alegou que a paralisação acarretaria em prejuízos e desemprego.

Das quatro obras liberadas pelo veto de Lula, três foram flagradas na Lava-Jato. Uma é a Refinaria Abreu e Lima, uma espécie de ícone da corrupção na estatal: de um custo inicial de US$ 2,4 bilhões, já ultrapassou US$ 23 bilhões; mesmo que opere à plena capacidade durante toda sua vida útil, deve ser deficitária. As outras duas são o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a modernização da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. A quarta obra da lista era a implantação de um terminal em Barra do Riacho, no Espírito Santo, que, até agora, não apareceu nas investigações.

TCU QUESTIONOU TRANSPARÊNCIA NA PETROBRAS

Em 2009, os investimentos da Petrobras alcançavam R$ 44 bilhões, quase 60% do orçamento do Ministério das Minas e Energia. Além do sobrepreço, o TCU apontou ainda valores de referência inflados e pagamentos questionáveis, como o custo determinado para equipamentos parados ou em serviço.

Não bastasse isso, o TCU registrou em seus relatórios de 2009 enorme dificuldade de acesso aos documentos de licitações e valores contratados, que não foram fornecidos pela Petrobras. O órgão relatou obstrução dos trabalhos de fiscalização e chegou a convocar o então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, para tentar obter as informações.

Naquele ano, a Refinaria Abreu e Lima estava só no começo. Os contratos somavam R$ 2,77 bilhões, mas o TCU só conseguiu analisar quatro deles, uma amostra de apenas R$ 347 milhões. Ainda assim, o sobrepreço identificado foi de R$ 121,6 milhões. No relatório da obra, o órgão afirmou que, enquanto a estatal lhe informava que a refinaria custaria US$ 4,05 bilhões, no site do governo federal o investimento estimado chegava a US$ 23 bilhões.

No contrato da Repar, refinaria que estava sendo modernizada, o TCU descobriu que o "preço secreto" da Petrobras, que serve como referência para avaliar as ofertas nas licitações, havia sido inflado, contaminando todos os contratos. Em R$ 8,6 bilhões de contratos analisados, o sobrepreço alcançava R$ 4,04 bilhões. "O cálculo do sobrepreço permite concluir que esse valor (da obra) pode ser reduzido à metade. A economia da metade desse valor seria seis bilhões de reais", afirmou em relatório.

Numa foto que mostra o Centro Integrado da Repar, anexa ao relatório, o TCU afirmava que o metro quadrado do prédio custou R$ 14 mil, enquanto um bom imóvel no centro de Curitiba custasse R$ 2 mil por metro quadrado. A Rodovia do Xisto, de acesso à refinaria, segundo o TCU, chegou a custar 164% a mais do que obras similares do DNIT, o departamento de obras rodoviárias do Ministério dos Transportes.

DUQUE E BARUSCO RESPONSÁVEIS POR LICITAÇÕES

Entre os responsáveis pelas licitações, estavam Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal condenado a 51 anos de prisão na Lava-Jato, e o ex-gerente Pedro Barusco, que se tornou delator e devolveu quase US$ 100 milhões que arrecadou em propina. Ambos atuaram para o PT, de acordo com suas delações. Outro citado nas auditorias foi Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento que afirma ter arrecadado dinheiro para o PP.

No terminal Barra do Riacho, o TCU classificou a gestão da obra como temerária. Os quatro projetos da Petrobras foram parar na lista das obras com graves indícios de irregularidades, encaminhada ao Congresso, a quem cabe analisar o Orçamento da União.

Na reunião da Comissão Mista de Orçamento, que decidiria se as obras deveriam ou não receber recursos, senadores protestavam pois a Petrobras fez com a comissão o mesmo que fizera com o TCU: não levou à reunião as informações que poderiam indicar a existência de ilícitos.

— Nós precisamos que a Petrobras preste esclarecimentos não apenas ao TCU, mas, diante do que diz o TCU, preste esclarecimentos aos parlamentares nesta reunião porque nós precisamos tomar uma decisão — reclamou, à época, o ex-senador Almeida Lima (PMDB-SE), presidente da comissão.

Como não obtiveram informações detalhadas, os parlamentares acabaram incorporando o Comperj à lista inicialmente formada por somente três obras, todas com sobrepreços generalizados.

À época, o TCU apontava sobrepreço de R$ 140 milhões no Comperj. O pagamento por dias parados durante a terraplanagem alcançava R$ 151 milhões. O TCU chegou a afirmar que não era "de estranhar" que apenas 26,86% dos serviços tivessem sido executados porque o consórcio estava auferindo lucro muito maior com a verba indenizatória por paralisações do que pela execução da obra.

Todas as suspeitas, questionadas diretamente à empresa, não influenciavam o julgamento de Lula, que, em 2010, dizia conhecer bem as contas da companhia, a ponto de discursar, no batismo da plataforma P-57 da Petrobras, em Angra dos Reis.

— Houve um tempo em que a diretoria da Petrobras achava que o Brasil pertencia à Petrobras, e não a Petrobras ao Brasil. A ponto de ter presidente que dizia que era uma caixa preta. No nosso governo é uma caixa branca e transparente, nem tão assim, mas é transparente. A gente sabe o que acontece lá dentro e a gente decide muitas das coisas que ela vai fazer — afirmou o presidente.

A defesa de Lula não quis se manifestar. Luís Adams, chefe da Advocacia-Geral da União na época, afirmou que as discussões com a Petrobras eram sempre difíceis, pois a estatal alegava sigilo comercial para não apresentar todas as informações, já que é empresa de economia mista. Além disso, também era questionada a tabela de preços de mercado usada pelo TCU, pois a empresa alegava que os preços variavam de acordo com o local da obra e tinha suas próprias tabelas de referência.


'Eu confio no Palocci. Duvido que ele vá dizer que o Lula mandou fazer alguma coisa', diz Gilberto Carvalho

"Acho bom todo mundo fazer delação logo. Para acabar com esse sofrimento de uma vez". O desabafo é do ex-ministro Gilberto Carvalho, principal escudeiro de Lula em seus oito anos de governo. Na tarde de sexta-feira, ele parecia abatido com a confirmação de que Antonio Palocci será o próximo a entregar ex-companheiros à Lava Jato.

Um ano depois do impeachment, o PT voltou a viver uma semana de péssimas notícias. Na quarta, Lula teve que se sentar no banco dos réus em Curitiba. Na quinta, ele e Dilma Rousseff foram fritados por seus marqueteiros de campanha. Na sexta, seu ex-ministro da Fazenda deu a partida para mais uma delação.

"Eu confio no Palocci. Duvido que ele vá dizer que o Lula mandou fazer alguma coisa", disse Carvalho. "O Lula nunca quis saber de dinheiro. Ele dizia: 'Tem coisa que eu não quero saber. Eu não quero saber'".

Perguntei por que o ex-presidente se recusaria a conhecer a origem do dinheiro que bancava suas campanhas. "O candidato não pode fazer tudo. É claro que ele espera que ninguém faça bobagem", respondeu.

Que tipo de bobagem? O petista esclareceu que se referia a caixa dois. "É um erro gravíssimo que nós cometemos. Nós seguimos um padrão que condenávamos", disse. Lembrei que o PT já havia confessado o crime no mensalão, mas voltou a praticá-lo nas eleições seguintes. "Foi repetido. Infelizmente", afirmou Carvalho.

O ex-ministro disse que as acusações contra Lula são "ridículas" e que a Lava Jato abusa da prisão preventiva para forçar os réus a delatar. "É uma forma de tortura. Se o cara não confirma a tese dos procuradores, passa a ser visto como inimigo."

Carvalho definiu a delação dos marqueteiros como "uma tragédia". "O João Santana não vai destruir o PT. Mas é claro que isso nos prejudica", reconheceu. "O imperdoável é o cara mentir. Eu não perdoo, mas tenho um grau de compreensão pela tortura que ele sofreu. O que sinto é um misto de tristeza e decepção".

POPULISMO BEBERRÃO DE MENTIRAS - REFLEXÕES SÓBRIAS

No último fim de semana de abril, dois textos me chamaram a atenção. Um deles é do jornalista que assina a segunda página do jornal Zero Hora. As opiniões de Tulio Milman tendem para a esquerda. É um dos tantos que, convictamente, ajudaram a pavimentar o acesso petista ao poder. Na referida coluna, porém, Tulio Milman confessa seu erro afirmando que "os grevistas não sabem, mas é contra Lula que estão protestando". Extraio do texto o seguinte segmento:
"A realidade só se revelou mais tarde, com o colapso ético e prático de um modelo corrupto e irresponsável, onde a gastança do dinheiro público e o descontrole geravam a ilusão de abundância. Qualquer modelo de desenvolvimento econômico só é eficiente se for sustentável. Não foi o que aconteceu. Difícil é explicar para milhões de brasileiros acostumados ao paternalismo e ao messianismo político.
Os anos de Lula e de PT não foram de prosperidade. Foram de irresponsabilidade e de desmando. Geraram um gigantesco passivo econômico e social. Os 14 milhões de desempregados no Brasil são a herança viva desse delírio, no qual muita gente, inclusive eu, embarcou. Cheguei a acreditar que Lula era uma solução viável de diálogo entre opostos. Na verdade, era apenas um monólogo sedutor e vazio."
Como se percebe, o jornalista está falando sobre a perigosa sedução do populismo, que, entre outras sinistras emanações, se expressa em paternalismo e messianismo, nos quais ele confessa haver embarcado e dos quais desembarca à vista do desastre social, econômico, político e fiscal a que nos conduziram.
O outro artigo é do filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp, e foi publicado no Estadão do dia 29/04. Aborda a impropriedade do uso do vocábulo "bolivarianismo" para designar o sanatório político que está varrendo a Venezuela para o monturo ideológico onde jazem Cuba e Coreia do Norte. Desse mal, Simón Bolívar é inocente. Nas primeiras linhas, porém, Roberto Romano fez estas interessantes observações sobre populismo:
"O elogio da ignorância, no Brasil, resulta de uma síntese efetuada por intelectuais, políticos, clérigos. Tal operação tem nome comum: populismo. Não se trata apenas de ideologia, existem populistas de esquerda, de direita, católicos, protestantes, muçulmanos. A demagogia, doença antiga, já na Grécia democrática recebeu seu nome de batismo. Após a queda do Império Romano, o apelo ao povo como árbitro supremo de todo poder e saber definiu movimentos de massa, fracassados ou bem-sucedidos. O romântico Michelet evoca a chusma popular como figura Christi, presença do Messias.
O populismo recusa a pesquisa para a descoberta do verdadeiro. A sua demagogia reúne em poucos chavões um arsenal tosco de propaganda. Os totalitarismos do século 20 levaram tal política ao absurdo. Goebbels, de um lado, os “jornalistas” do Pravda, de outro, abusaram do populismo em doses diárias, sorvidas pela multidão em padrões pantagruélicos. Afinal, “engolimos avidamente a mentira que nos lisonjeia, bebemos gota a gota a verdade que nos amargura” (Diderot)."
Agora, afirmo eu: no Brasil destes últimos 30 anos, a desgraça populista escolheu um partido para chocar seus ovos, se reproduzir e alcançar o poder. No caminho, arrastou setores expressivos da Igreja Católica, da mídia, do meio acadêmico, contaminando a alma do povo brasileiro. Agora, combate toda tentativa de estabelecer algum realismo na gestão do Estado e, através de seu mais tonitruante porta-voz, ameaça voltar ao poder. Só o Brasil sensato, formado majoritariamente por liberais e conservadores, por pessoas realistas, enfim, pode deter o avanço populista que - mau caráter e beberrão de mentiras como é - pisa no acelerador em tempos difíceis.
Percival Puggina

Sócios da Odebrecht voltam a depor sobre Lula a procuradores



Emilio Odebrecht, patriarca da empresa que leva seu sobrenome, seu herdeiro Marcelo e o ex-diretor de relações institucionais da empreiteira Alexandrino Alencar voltaram a depor para a força-tarefa da Lava Jato.

Os três assinaram acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, homologado pela presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia em janeiro deste ano.

Emílio, Marcelo e Alexandrino foram convocados a depor novamente para dar mais detalhes sobre assuntos referentes a investigações envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Emílio e Alexandrino viajaram até Curitiba, há 15 dias, para falar com os procuradores. Marcelo está preso na Superintendência da Polícia Federal, na capital paranaense.


Fontes ouvidas pela reportagem disseram que os três tiveram de dar mais detalhes sobre as reformas no sítio Santa Barbara, em Atibaia (SP), frequentado pela família Lula. A propriedade rural pertence formalmente a Jonas Suassuna e Fernando Bittar, amigos de Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente.

A Odebrecht participou de uma reforma nas dependências do sítio, em 2010, no final do último ano do mandato de Lula. A empresa gastou, segundo os delatores, mais de R$ 1 milhão em obras no local. A empresa fez os trabalhos em um mês. A reforma do sítio foi tema da delação dos três empreiteiros.

Os delatores também tiveram que complementar os depoimentos que fizeram sobre a contratação pela Odebrecht da empresa Exergia Brasil, que pertence a Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho da primeira mulher de Lula.

Executivos da Odebrecht afirmaram que o ex-presidente intermediou negócio da construtora com empresa do sobrinho Taiguara, no âmbito de contratos em Angola, com financiamento do BNDES.

Os delatores afirmam porém que, apesar de a Odebrecht ter contratado a firma de Taiguara a pedido de Lula, os serviços foram efetivamente prestados pela empresa. De acordo com a delação de Marcelo Odebrecht, o parente de Lula criou a Exergia sem experiência na área de construção e somente para fazer uso da influência de Lula.

Esta é a primeira vez que se tem notícia de que delatores da Odebrecht estejam complementando depoimentos prestados na delação. Os últimos depoimentos haviam acontecido em 25 de janeiro, cinco dias antes da

OUTRO LADO

Lula tem negado todas as acusações. Em nota, seu advogado Cristiano Zanin afirma que "Lula é inocente como demonstraram as inúmeras testemunhas já ouvidas com o compromisso de dizer a verdade".

"A Lava Jato investe numa fábrica de delatores para falarem o nome de Lula em troca de vantajosos benefícios. Mas a palavra de delator não tem valor de prova, segundo a lei, ao contrário da palavra de testemunhas", diz.

A Odebrecht disse que "entende que é de responsabilidade da Justiça a avaliação de relatos específicos feitos pelos seus executivos e ex-executivos". Acrescentou que "a empresa está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um acordo de leniência e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas".


Trechos de delação da Odebrecht que citam o Judiciário estão, sob sigilo, nas mãos de Fachin

O ministro Edson Fachin tem, sob sua guarda, termos da delação da Odebrecht ainda sigilosos que envolvem integrantes de diversas esferas do Judiciário. As informações prestadas por delatores da empreiteira sobre nomes da Justiça e de alguns de seus parentes estão entre os 25 pedidos de inquérito formulados pela Procuradoria-Geral da República que ainda não foram divulgados pelo relator da Lava Jato no STF. Os documentos já despertam insegurança no STJ e no TCU, por exemplo.

A relatoria da Operação Lava Jato fez com que Fachin mudasse não só seus hábitos pessoais, como também o esquema de compartilhamento de informações dentro de seu gabinete.

O ministro, famoso pelos costumes simples, não almoça mais com a mesma frequência no bandejão do Supremo. A segurança da corte também ampliou o esquema de proteção a Fachin em áreas públicas, como aeroportos.

O magistrado agora só embarca em aeronaves direto na pista de decolagem, sem circular pelos saguões. Seu apartamento em Brasília e sua residência em Curitiba também tiveram os serviços de proteção revisados e ampliados.


E LULA ACORDOU NUM SÍTIO QUE NÃO ERA DELE

Para contar desde o começo essa história do sítio de onde Lula se autodespejou, eu preciso começar por seu personagem mais estranho - Fernando Bittar. Ele é dono de um local aprazível onde não chegava telefonia celular. A propriedade precisava de cuidados e reformas para cuja execução não dispunha de renda suficiente. Mas não se deixou abater por isso.
 Disposto a transformar o Santa Bárbara num pequeno paraíso serrano, para onde nunca ia nem iria, o remediado Bittar, em vez de pedir orçamento para três empreiteiros e escolher o de menor preço, como faríamos nós, perguntou a seus universitários botões: qual é a maior empreiteira do país, universitários? E os botões, em coro lhe responderam: a Odebrecht. Não havendo discordância entre os informantes, Fernando decide. Que seja a Odebrecht.
 A poderosa construtora de hidroelétricas, portos e rodovias, despacha engenheiros para Atibaia. E a obra foi feita, ficando pronta bem antes da Linha 6 do metrô de São Paulo. Mas faltavam detalhes. Se alguma vez na vida você tentou falar com empresa de telefonia celular por telefone, deve saber o quanto isso é difícil. Imagine, então, conseguir dela a instalação de uma torre, só para você, em meio aos matagais e matacões de despovoada serra. Impossível? Não ao Fernando. Ele ligou para a OI e conseguiu sua torre. Também a velha cozinha não estava legal. Era preciso melhorar aquela parte da casa. Para a impressionante e complexa tarefa, nosso herói chamou outra grande empreiteira, a OAS, terceira no ranking das maiores do país.
Agora, pasmem. Quando tudo ficou pronto, num lance de fazer inveja a João Pedro Stédile, o ex-presidente Lula irrompe no Santa Bárbara, sem foices nem bandeiras vermelhas, com aquela entourage que a nação lhe disponibiliza vitaliciamente para que nunca mais na vida necessite ir até a adega buscar uma garrafa. E de tudo, a partir daí, usou e abusou em 111 visitas até seu autodespejo.
Gostaria de haver assistido aquela alvorada de uma nova consciência na alma de Lula. Só pode ter sido algo assim. Veja se não. Ele acordou, esfregou os olhos, contemplou assustado seu entorno, sacudiu a galega até despertá-la e disparou: "O que estamos fazendo aqui, mulher? Não me chamo Fernando e não moro em Atibaia! Vamos embora deste lugar!". E se foram para nunca mais voltar.
Nem Luiz Inácio, nem Fernando. Só alguns milhares de garrafas de vinhos finos, se não resgatadas, dormem serenas na fria encosta da Serra do Itapetinga.

Percival Puggina

UMA RUÍNA MORAL

Quanto mais Lula se desdobra em artifícios retóricos, como quem trata de escapar, em ziguezague, da artilharia dos fatos, mais parecido fica com o que se empenha em afirmar que não é. Assistindo trechos de sua inquirição perante o juiz Sérgio Moro, lembrei-me de uma entrevista dele, em Portugal, à jornalista Cristina Esteves, da RTP, em abril de 2014. Nos últimos momentos da conversa, veio uma pergunta sobre o mensalão. A resposta de Lula tem tudo a ver com seu comportamento dia 10 em Curitiba. Transcrevo: "O tempo vai se encarregar de provar que o mensalão teve praticamente 80% de decisão política e 20% de decisão jurídica. O que eu acho é que não houve mensalão. Também não vou ficar discutindo decisão da Suprema Corte. Mas esse processo foi um massacre que visava destruir o PT e não conseguiu". Em sequência, questionado sobre o fato de estarem detidas pessoas próximas a ele - como o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado José Genoino - saltou fora. "Não se trata de gente da minha confiança. Tem companheiros do PT presos".
Esse "tchau queridos", proclamado em Lisboa, antecedeu o "tchau querida" do telefonema sobre a mensagem do Bessil; antecedeu o abandono dos parceiros encarcerados posteriormente, a quem e sobre quem nada tem a dizer; e antecedeu a tentativa de transformar a pacata Marisa Letícia em condutora de providências escandalosas que ele não tem como explicar e que com ela sepultou.
Eis o homem que governou o país sem ninguém de sua confiança por perto, cuja proximidade funcionava como um toque de Midas, gerando inesperadas fortunas, mesadas, pensões, negócios, a quem os amigos davam tudo e que nega lhes haver alcançado a menor vantagem. Eis o homem que se agita no partidor, disposto a concorrer à presidência. Sua anunciada campanha para desfazer as intrigas do mensalão e sua convicção sobre a natureza política do referido processo nunca passaram de peças de discurso.
Tudo isso porque a Lula não interessam os fatos. Os desarranjos políticos, econômicos e sociais a que dá causa se agravam e prolongam precisamente porque sua conduta contamina o juízo e o discernimento moral de dezenas de milhões de pessoas. A exemplo dos grandes ícones do populismo, ele trata o povo que o segue como massa da qual usa e abusa para objetivos pessoais, subtraindo do repertório mental dessas multidões valores sem os quais é impossível operar adequadamente uma democracia constitucional. Os recentes atos de violência contra o direito de ir e vir, a queima de pneus e de ônibus, o abandono de preceitos essenciais à vida civilizada e os anátemas lançados contra a Lava Jato são consequências do que acabei de descrever.
A patética inquirição levada a cabo em Curitiba pode ser parodiada com apenas uma frase: "Doutor, vou lhe confessar. Eu não sou eu. Eu sou um amigo meu, que, se conheço, não lembro".
Percival Puggina

Dilma e Lula só estarão seguros na prisão após delação do grupo JBS-Friboi, diz ex-dirigente do PT

A notícia de que a holding brasileira J&F Participações, proprietária da empresa JBS-Friboi, iniciou as tratativas com o MPF (Ministério Público Federal) para negociar o fechamento de acordos de leniência e de delação premiada caiu como uma bomba no PT neste final de semana. As informações sobre a tentativa de um acordo do Grupo foram publicadas pelo jornal “ Folha de S.Paulo ” e deixou a cúpula do PT em polvorosa. Após o depoimento devastador do casal de marqueteiros do partido, João Santana e Monica Moura, após a informação de que o ex­-ministro da Fazenda Antonio Palocci retomou seu acordo de delação com a Lava Jato, a notícia sobre a delação da JBSFriboi foi definida como fatal para Lula e Dilma. A publicação adiante que pelo menos duas reuniões já foram realizadas entre representantes da JBS e procuradores do MPF. A empresa já teria, inclusive, feito contato com o advogado Luciano Feldens – especialista em delações premiadas e responsável pelo acordo feito por Marcelo Odebrecht. A operação Bullish, deflagrada na semana passada pela Polícia Federal para investigar irregularidades e fraudes em empréstimos concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) precipitou ainda mais o grupo para um acordo rápido. A colaboração com as investigações da PF tornou-­se imprescindível, ante a possibilidade de ver a empresa afundar com a prisão de seus donos e executivos. Lula, Dilma e o PT serão profundamente atingidos pela delação que vem por aí.

"São tantas denúncias graves, que em pouco tempo, o único lugar seguro para Lula, Dilma e muita gente do PT será a prisão. A revolta e a indignação da sociedade com a revelação de tantos crimes perpetrados pelos petistas pode gerar um clima de intolerância acima do razoável ", analisa um ex­dirigente do PT de São Bernardo do Campo, São Paulo. Segundo o jornal, Joesley Batista estaria disposto a assumir os crimes envolvendo Lula e Dilma no BNDES para deixar seu irmão Wesley Batista livre para comandar a empresa. São tantas denúncias graves, que em pouco tempo, o único lugar seguro para Lula, Dilma e muita gente do PT será a prisão. A revolta e a indignação da sociedade com a revelação de tantos crimes perpetrados pelos petistas pode gerar um clima de intolerância acima do razoável.

 Segundo o jornal, Joesley Batista estaria disposto a assumir os crimes envolvendo Lula e Dilma no BNDES para deixar seu irmão Wesley Batista livre para comandar a empresa.


Dilma afirma que não há como provar que ela sabia de propina em sua campanha:" Só eu sabendo o que quem sabe sabe"

Como sempre de forma desastrosa, a ex­-presidente Dilma Rousseff tentou refutar as últimas declarações do casal de marqueteiros João Santana e Monica Moura sobre seu conhecimento dos esquemas criminosos que irrigaram suas campanhas. A petista participou de um evento do PT em Porto Alegre na noite de sexta­-feira (12) ao lado dos senadores do PT Gleisi Hoffmann (PR) e Lindbergh Farias (RJ) e apresentou o esboço de uma narrativa, bastante confusa, sobre a impossibilidade da Justiça provar se ela sabia ou não que se elegeu com dinheiro roubado da Petrobras: "Pra mim provar que eu não sabia [de pagamento de propina e caixa dois] é a prova negativa, é a coisa mais impossível que tem. Só no processo 470 [mensalão] houve essa definição do que era a prova negativa. Como que eu provo que eu não sei? Só eu sabendo o que quem sabe sabe", explicou a petista, que disse que a "segunda etapa do golpe" é a criminalização do PT e dela.


A "criminalização do PT" também é uma alegação recorrente dos petistas, que no entanto, não conseguem explicar como seria possível criminalizar o PT e seus membros, caso estes não tivessem cometido nenhum crime. No caso do PT e de seus membros, eles não estão sendo criminalizados. Seria mais apropriado afirmar que eles próprios se "incriminaram". Os inquéritos decorrentes das delações dos executivos da Odebrecht e do casal de marqueteiros João Santana e Monica Moura já foram remetidos para Curitiba, aos cuidados do juiz federal Sérgio Moro. Quem sabe a petista consegue convencer o responsável pelos processos da Operação Lava Jato que "Só (ela) sabendo o que quem sabe sabe que seria possível provar que ela não sabia de nada". Alguém não entendeu nada um pouco muito?

sábado, 13 de maio de 2017

JEC provoca, mas Moro brinca: "Eu não dei nenhuma cotovelada nele"

Sérgio Moro e José Eduardo Cardozo, como antecipou O Antagonista, dividiram uma mesa redonda neste sábado, no evento Brazil Forum UK 2017, em Londres.
Ecoando a narrativa do PT, Cardozo afirmou, segundo o Valor, que juízes "não são nunca neutros", pois todos têm suas preferências e ideologias, e que é um risco se transformarem em agentes políticos, pois não foram eleitos para ter a devida legitimidade.
Já Moro, em sua palestra, disse que faz apenas uma interpretação ortodoxa do direito penal e que juízes não devem se preocupar com as repercussões políticas de seus julgamentos.
Para ele, o apoio inicial da população aos processos contra a corrupção foi "fundamental para prevenir a obstrução da Justiça" (entendeu, JEC?), mas juízes obviamente não podem julgar casos baseados na opinião pública e sim "nas provas concretas dos processos".
JEC e Moro, acrescenta o jornal, sentaram-se lado a lado na mesa e Moro brincou ao iniciar sua apresentação: "Não sei se as pessoas esperavam algum confronto aqui. Eu não dei nenhuma cotovelada nele".
O Antagonista acha que Moro faz bem em não se preocupar com repercussões petistas.

"Um país de ricos delinquentes"

Luís Roberto Barroso esteve no mesmo evento em Londres do qual participaram Sérgio Moro e JEC.
Ele defendeu o fim do foro privilegiado e uma reforma política que diminua o poder presidencial brasileiro. Sugeriu um modelo próximo do francês -- que é outra porcaria.
Mas o que importa foi o que disse sobre o direito penal brasileiro:
"A verdade é que um direito penal absolutamente incapaz de atingir qualquer pessoa que ganhe mais de cinco salários mínimos criou um país de ricos delinquentes, em que a corrupção passou a ser um meio de vida para muitos e um modo de fazer negócios para outros. Houve um pacto espúrio entre iniciativa privada e setor público para desviar esses recursos. E não é fácil desfazer esse pacto. Qualquer pessoa que esteja assistindo o que se passa no Brasil pode testemunhar."
Completamos: é por isso também que, no Brasil, muito pobre quer ser rico delinquente.

Talvez no desespero, Dilma esclareça JEC

Em Londres, JEC negou que tivesse passado a informação de que Feira e Xepa seriam presos a Dilma Rousseff:
"Talvez no desespero de conseguir redução de pena, ela (Mônica Moura) tenha inventado situações. Eu nunca dei para a presidenta Dilma Rousseff qualquer informação privilegiada, jamais. Nem recebia. Essa informação não o menor amparo na realidade e quem pode responder isso é a Polícia Federal e o Ministério Público."
Talvez no desespero, Dilma esclareça esse ponto sobre JEC.

Dilma deve pensar bem antes de dizer que não usava e-mail falso, recomenda especialista. MPF pode acionar o Google

A ex­-presidente Dilma Rousseff se meteu em uma verdadeira enrascada ao se utilizar de um endereço eletrônico com nome falso para se comunicar com os membros da organização criminosa sobre os avanços das investigações da Operação Lava Jato. 


Os e-­mails atribuídos a ex-­presidente Dilma Roussef pela delatora Mônica Moura são válidos e podem ser rastreado, garante o coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio, Pablo Cerdeira. Segundo o especialista, "tudo que está na internet deixa rastros". 



Neste caso não é diferente, informou o Globo. "Quando a mensagem não vai a lugar nenhum, permanece no rascunho do correio eletrônico, ainda é possível descobrir com mandados de busca e apreensão, segundo Cerdeira. 



Além disso, o Google também tem as informações salvas no rascunho do e-mail". Caso a petista continue negando que recorreu a este tipo de artifício para ocultar suas atividades criminosas, o Ministério Público Federal pode, a qualquer momento da investigação, requisitar ao Google quebra do sigilo eletrônico referente aos e­ mails supostamente usados por Dilma. 



Neste caso, será possível identificar de qual endereço físico a conta foi utilizada. — O Ministério Público pede uma ação cautelar para o Google dizer quais IPs estavam vinculadas a essa conta (de e­-mail). IP é o número único de conexão para internet, que é mais ou menos igual ao CEP. 



O Google vai informar isso. Depois, para saber qual computador estava conectado, vão precisar de outra ordem contra provedores de conexão — afirmou o especialista. 



A defesa de Mônica fez um registro em cartório da existência do e­-mail fictício (iolanda2606@gmail.com) pelo qual ela disse que se comunicava com a ex-­presidente. O registro foi feito em 13 de julho de 2016 em um cartório de Curitiba.






Monica Moura revela segredo de beleza de Dilma: propina da Odebrecht. Celso Kamura papou R$ 90 mil entre 2010 e 2014

A publicitária Monica Moura, mulher de João Santana, revelou ao mundo o segredo de beleza da ex-­presidente Dilma Rousseff. Monica confirmou que Dilma lhe pediu usar parte da propina que recebia da Odebrecht por contratos superfaturados com a Petrobras para pagar suas despesas pessoais com maquiagem e cabeleireiro. 


A publicitária confirmou que Dilma gostou muito do trabalho realizado por Celso Kamura durante a campanha eleitoral de 2010 e resolveu efetivá­-lo como seu cabeleireiro oficial. Monica Moura confirmou que as despesas com cuidados de beleza da ex­-presidente chegaram a R$ 90 mil e que Dilma lhe pediu para custear as despesas através do esquema de propinas com a Odebrecht, pois não havia como encaixar as despesas desta natureza no governo. O termo de delação 16 de Mônica Moura é intitulado “favorecimentos pessoais presidente Dilma Rousseff”. 



Mônica descreve pagamentos de despesas pessoais da ex-presidente totalizando R$ 90 mil, de 2010 a 2014. A Pólis (empresa de publicidade de João Santana e Mônica Moura e João Santana) pagou durante todo o ano de 2010 o salário de uma “camareira/cabeleireira particular que acompanhava todo o tempo e cuidava do seu cabelo e maquiagem no dia a dia”, totalizando R$ 40 mil. 



Além disso, A Pólis custeou os serviços do cabeleireiro Celso Kamura a Dilma após a campanha de 2010. A relação se estendeu até 2014, atingindo o custo de R$ 50 mil, segundo Mônica. “Na campanha de 2010, CELSO KAMURA foi contratado para ser o cabeleireiro da campanha. Recebia de forma legal, com nota fiscal, pelo trabalho prestado em campanha. 



Entretanto, depois da campanha, já presidente, DILMA ROUSSEFF usava seus serviços, para eventos importantes, e o Palácio [a Presidência da República] não poderia arcar com um valor tão alto para o cabeleireiro, não tinha rubrica e nem tempo para superar a burocracia. 



Então ANDERSON DORNELLES, a pedido de DILMA ROUSSEFF, novamente solicitou que MÔNICA MOURA pagasse para KAMURA como forma de favor. MÔNICA MOURA então pagou o cabeleireiro diversas vezes, durante os anos de 2010 a 2014, de várias formas, na maioria das vezes em dinheiro entregue em espécie no escritório do cabeleireiro em SP, por um funcionário de MÔNICA (…) utilizando os valores recebidos por forma. (…) Cada diária de KAMURA (deslocamento e os serviços de cabelo e maquiagem) no Palácio da Alvorada custava em torno de R$ 1.500,00”.





Objetos roubados por Lula devem ser devolvidos para Acervo da Presidência esta semana

Os objetos de ouro que o ex ­presidente Lula levou dos Palácios do Planalto e Alvorada quando deixou a Presidência em 2011 devem ser reincorporados ao acervo da Presidência nos próximos dias. Por determinação do juiz Sérgio Moro, o petista já recebeu a notificação da devolução do tesouro escondido em uma sala cofre no Banco do Brasil, no centro de São Paulo. Todos os itens escondidos no cofre foram apreendidos em março de 2016 na Operação Lava Jato. Um relatório produzido pela Secretaria de Administração da Presidência comprovou que os itens foram recebidos por Lula "em trocas de presentes" comprados com dinheiro do contribuinte e deveriam ter sido incorporados imediatamente ao acervo público. Entre os itens roubados por Lula estão esculturas, coroa de ouro, três espadas e uma adaga de ouro cravejadas com pedras preciosas, medalhas e outros itens valiosos.


Após inspecionadas, serão enviadas para museus para exposição pública. “Constatou este Juízo que havia alguns bens entre os apreendidos que teriam sido recebidos, como presentes, pelo ex­presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o exercício do mandato, mas que, aparentemente, deveriam ter sido incorporados ao acervo da Presidência e não ao seu acervo pessoal. É que agentes públicos não podem receber presentes de valor e quando recebidos, por ser circunstancialmente inviável a recusa, devem ser incorporados ao patrimônio público”, anotou Moro. Em outras palavras, Lula ficou definitivamente sem os objetos valiosíssimos que roubou do povo ao fim de seu último mandato.


Delações de marqueteiros podem fazer Dilma e Cardozo responderem por cinco crimes

Além das acusações a que terá de responder diante dos fatos revelados em delação premiada pelos marqueteiros João Santana e Mônica Moura, a ex-presidente Dilma Rousseff está sujeita a ser processada criminalmente por outros cinco crimes se for confirmada a informação de que ela avisava o casal dos passos da Operação Lava-Jato. De acordo com a colaboração premiada de Mônica, a então chefe do Executivo teria, inclusive, avisado a eles que seriam presos. “Na noite de 21 de fevereiro, o João falou com ela, que contou que tinha sido visto o mandado de prisão contra nós, na mesa de (José Eduardo) Cardozo”, contou.

A informação que veio à tona com a retirada do sigilo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) das delações causa preocupação em entidades representativas da Polícia Federal. “Esse vazamento precisa ser investigado”, afirma o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luis Boudens. Além disso, Boudens pede abertura de processo específico sobre o comportamento do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. “Já havíamos alertado sobre ações de Cardozo à época, que convergem para esse tipo de comportamento alegado pela delatora”, diz. Ele lembrou que, por determinação do Ministério da Justiça, a PF criou, no sistema de registro das operações, um anexo para serem citados nomes de pessoas públicas ou políticos envolvidos em operações dos federais.

O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ANDP), Carlos Sobral, explica que existe o entendimento de que a PF tem de passar informações sobre operações que envolvam pessoas politicamente expostas ao ministro da Justiça e que a prática é um ato em obediência à relação hierárquica. Entretanto, Sobral ressalta que o ministro não deveria ter conhecimento dos alvos e mandados, somente de informações básicas para prestar esclarecimentos públicos se for demandado. “Não há motivos para que terceiros fiquem sabendo das ações feitas pela Polícia Federal. É preciso que isso não volte a acontecer no futuro e que as investigações estejam protegidas da intervenção política”, declara.

Sobral afirmou que é preciso saber se o ministro da Justiça recebeu informações de terceiros e se foi extrapolado o que deveria ser dito. Segundo ele, a divulgação de dados sigilosos por servidores internos configura violação funcional. “Se foram informados detalhes, é evidente que houve irregularidades. Isso precisa ser apurado”, disse. O presidente da ANDP destacou, também, que as delações têm acusações graves que ofendem o trabalho da Polícia Federal e a Constituição.

No depoimento, divulgado pelo STF na última quinta-feira, Mônica contou que criou um e-mail falso para que a ex-presidente passasse informações da Lava-Jato com mais “segurança”. “Eu criei o e-mail no computador pessoal dela, bem antigo, no Alvorada. Ela sugeriu o nome Iolanda, Iolanda2606@gmail.com. Acho que era o nome da mulher do general Costa e Silva”, relatou Monica. A senha era restrita às duas e ao assessor de Dilma, Giles Azevedo, com quem Mônica afirma ter se reunido diversas vezes para tratar dos pagamentos da campanha presidencial de 2014. Segundo ela, quando queria mandar um recado, Dilma pedia que Giles enviasse uma mensagem do tipo: “Ah, descobri um vinho maravilhoso que vocês precisam provar”. Quando recebia um recado assim, a mulher do marqueteiro entrava no e-mail e lia a mensagem que estaria como “rascunho” e seria apagada depois para não deixar registros.

Ex-ministro da Advocacia-geral da União (AGU), Fábio Medina Osório afirma que, como presidente da República, Dilma jamais poderia obstruir a Justiça em conluio com uma pessoa investigada. Para ele, se as delações dos marqueteiros fossem verdadeiras, ela estaria praticando diversos delitos. “As tipificações se procedem à medida que se avalie a conduta dela. As investigações precisam chegar a essa conclusão com a delação, interceptação das conversas e outras provas que mostrem qual seria a possível vantagem que beneficiaria Dilma Rousseff”, avalia Osório.

Delitos

Veja os possíveis crimes que a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo podem ter cometido ao vazar informações sigilosas:

» Violação de sigilo
» Obstrução de Justiça
» Crime de responsabilidade
» Crime de corrupção
» Crime contra a administração pública

Denúncias

Confira alguns trechos do depoimento de Mônica Moura:

» “Na noite de 21 de fevereiro, o João falou com ela, que contou que tinha sido visto o mandado de prisão contra nós, na mesa de Cardozo”, disse Mônica sobre informações repassadas por Dilma. A ex-presidente a teria convocado para uma reunião no Palácio da Alvorada afirmando que as coisas estavam “muito ruins”.

» “Eu criei o e-mail no computador pessoal dela, bem antigo, no Alvorada. Ela sugeriu o nome Iolanda, Iolanda2606@gmail.com. Acho que era o nome da mulher do general Costa e Silva”, afirmou a marqueteira. A senha teria o número 47, ano de nascimento de Dilma, com o nome de alguém ligado a ela.

» “O Zé Eduardo está me informando que já estão pegando a conta do Cunha na Suíça”, teria dito Dilma à Mônica em novembro de 2014. Nos jardins do Palácio da Alvorada, as duas teriam conversado sobre se a conta de Santana estaria protegida na Suíça, já que o então deputado Eduardo Cunha havia sido pego.

» “Um dia recebi o seguinte e-mail dela: ‘O seu grande amigo está muito doente. Os médicos consideram que o risco é máximo. E o pior é que a esposa dele, que sempre tratou dele, agora também está doente, com o mesmo risco. Os médicos acompanham dia e noite’. O médico era o Zé Eduardo Cardozo”, disse Mônica


Donos da Friboi começam negociações para fazer delação premiada

A J&F, dona da empresa JBS, uma das maiores processadoras de proteína animal do mundo, se movimenta para abrir negociação de acordo de delação e leniência com o Ministério Público.

Segundo envolvidos nas tratativas, já ocorreram pelo menos dois encontros entre os investigadores e representantes da empresa. As conversas, no entanto, estão em estágio preliminar.

No último ano, a companhia foi alvo de pelo menos seis operações da Polícia Federal, o que tem causado preocupação em relação à sua sobrevivência.

Além do desgaste da imagem, com conduções coercitivas e afastamento de executivos, os bloqueios de bens e outras medidas cautelares podem afetar a liberação de recursos de bancos públicos e privados, entre outros pontos.

Segundo pessoas informadas sobre o assunto, um dos passos mais recentes da empresa nesse sentido foi o contato com o advogado e ex-procurador da República Luciano Feldens para encabeçar as conversas -ele foi o responsável pela colaboração premiada de Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo baiano.

A JBS e seus executivos são alvos, por exemplo, da Greenfield, da Sépsis e da Cui Bono, na Procuradoria do Distrito Federal, que apura prejuízos nos maiores fundos de pensão do país.

Na sexta-feira (12), dois sócios do grupo, os irmãos Joesley e Wesley Batista, estiveram novamente na mira da PF, desta vez na Operação Bullish (também no DF), que aponta prejuízo aos cofres públicos de R$ 1,2 bilhão, por supostas fraudes em aportes do BNDES.

A companhia acena para tentar um acordo que seja temático, envolvendo apenas as investigações a que está submetida. A Procuradoria do Distrito Federal, da primeira instância federal, porém, tem resistido à ideia.

O posicionamento de procuradores tem sido o de negar essa possibilidade, apontando a Procuradoria-Geral da República como o caminho correto a ser seguido no momento, já que futuros delatores poderiam envolver pessoas com foro privilegiado em seus relatos.


FUNDOS DE PENSÃO

Entre os temas que o grupo pretende abordar, de acordo com envolvidos nas conversas, estão incentivos do BNDES e fundos de pensão.

Com o acordo, a empresa busca poupar um dos sócios do grupo. A tendência, relatam pessoas ligadas às tratativas, é que Joesley seja o escolhido para assumir a culpa das ilicitudes e isente Wesley, que continuaria à frente às atividades da companhia.

Essa estratégia também é empecilho para que as negociações avancem, já que as autoridades querem um modelo parecido com aquele usado com a Odebrecht, que envolveu 77 ex-funcionários, entre eles os donos da empreiteira.

Procurada, a J&F afirmou que não comenta o que classificou de "rumores". O advogado Luciano Feldens, por sua vez, não respondeu às perguntas da reportagem.



Juiz do DF confirma suspensão de instituto e diz que Lula poderia ser preso



O juiz substituto da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, Ricardo Augusto Soares Leite, que ordenou a suspensão das atividades do Instituto Lula, ratificou a medida cautelar em nova decisão, divulgada na noite desta sexta-feira (12), mas corrigiu a informação de seu despacho anterior de que a decisão ocorreu a pedido do Ministério Público Federal no Distrito Federal.

Na nova decisão, datada desta quinta-feira (11) e divulgada na noite desta sexta-feira, o magistrado usou nove páginas para justificar a medida e escreveu que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “poderia até” ser alvo de mandado de prisão preventiva.

“Há depoimentos que indicam sua participação [na prática de crimes] – tanto que denúncia foi recebida, sendo réu em cinco ações penais e investigado em outros inquéritos –  e há probabilidade, diante destes vários incidentes, que haja continuidade de outros”, escreveu Ricardo Leite, que é o juiz da ação penal em que Lula é acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava-Jato.


Generais expõem frieza e crueldade de Dilma ao usar data da morte de soldado em seu email fraudulento

O general Paulo Chagas compartilhou, em sua página no Facebook, um texto atribuído ao general Augusto Heleno, que ressalta a crueldade de Dilma na escolha do login de seu email, citando a data do atentado a bomba , de que Dilma participou, que matou o soldado Mário Kozel Filho, em 1968. 

Leia abaixo o texto compartilhado pelo general Paulo Chagas:

GENERAL HELENO Fortuna paga por Luiz Inácio e Rousseff a João Santana e Monica comprova o seguinte: - os candidatos do PT, fracos e desqualificados, exigiam gastos astronômicos para serem eleitos;- os dois marqueteiros são, na verdade, ilusionistas geniais , capazes de tirar da cartola milhões de eleitores imbecis;- a Sra Rousseff é mais incompetente do que imaginávamos, até para ser desonesta;- o Sr Ex- presidente sofre de amnésia, em grau elevadíssimo. Haja presídio.Para quem ainda não sabe: o login do e-mail criado com base em dados fictícios pela terrorista criminosa Dilma Vandala Rousseff Linhares com a finalidade de se comunicar secretamente com Mônica Moura era : "iolanda2606@gmail.com". Iolanda o nome da mulher do presidente Artur da Costa e Silva e 2606 a data, 26 de Junho, do atentado terrorista ao então II EXÉRCITO em SP, que resultou no cruel assassinato do Soldado Mário Kozel Filho com 18 anos de idade. A cruel e fria assassina, que participou ativamente do atentado, usou a data nefasta para criar o login do e-mail. Essa a maldita comunista sedenta de sangue e ódio que foi - INFELIZMENTE - presidente do Brasil por longos e tenebrosos CINCO ANOS E CINCO meses da República Federativa do BRASIL.

Juristas dizem que Cardozo cometeu crime ao informar Dilma sobre operações da PF

A marqueteira Mônica Moura, em sua delação, relata que foi avisada por Dilma de que seria presa e que Dilma, por sua vez, era informada pelo ex-ministro da Justiça e ex-advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo. Cardozo confirma que informou Dilma, mas afirma que o fez por "dever de ofício". 

A jurista Janaína Paschoal ironizou a resposta de Cardozo: "Gostaria de saber qual norma determina (ou autoriza) o Ministro da Justiça a informar à Presidente alvos de uma operação policial". A procuradora Thaméa Danelon esclarece: "Sabemos que não há nenhuma. Ao contrário,  essa conduta é tipificada, no mínimo,  como Crime de Violação de Sigilo Funcional". A frase de Thaméa Danelon foi confirmada pelo procurador Júlio Marcelo de Oliveira. 


Dilma pode pegar de três a oito anos de prisão pelo crime de obstrução

A presidente deposta Dilma Rousseff assistiu aos vídeos dos depoimentos de Mônica Moura e, por diversos momentos, ficou enfurecida com a narrativa da mulher de João Santana. A aliados, xingou a delatora.

Dilma fica furiosa com conteúdo de delação e chama Mônica Moura de 'cínica'

A presidente deposta Dilma Rousseff assistiu aos vídeos dos depoimentos de Mônica Moura e, por diversos momentos, ficou enfurecida com a narrativa da mulher de João Santana. A aliados, xingou a delatora.

A pessoas próximas, a petista se disse indignada com o que chamou de “cinismo” de Mônica. Dilma sustentou que nunca teve intimidade com ela, e que sua relação de confiança sempre foi com João Santana.

Mônica Iozzi joga a lógica no lixo para defender Lula

O ex-presidente Lula, em seu interrogatório, jogou a culpa dos crimes relativos ao tríplex do Guarujá em sua falecida esposa Marisa Letícia. Com a indignação da população, a internet foi invadida por memes que ironizavam a estratégia de Lula. Muitos dos memes usaram a imagem da rede de lojas Marisa, e a empresa reagiu de forma bem humorada, lançando uma campanha que dizia "Se sua mãe ficar sem presente, a culpa não é da Marisa"

A atriz Mônica Iozzi se ofendeu com a campanha e manifestou-se nas redes sociais, com uma estranha argumentação que desafia toda a lógica: para a atriz, é irrelevante que o acusado de diversos crimes coloque a culpa na falecida esposa, mas é inaceitável que outras pessoas mencionem a falecida.  

Veja o que disse Mônica Iozzi: 

Não interessa o que Lula disse! Não interessa a interpretação de ninguém sobre o que ele disse. Esqueçam o Lula! Estamos falando sobre uma senhora que sofreu muito antes de morrer. Uma empresa utilizar a imagem de uma pessoa falecida para fazer marketing???? Onde vamos parar? Meu Deus!!! Não há mais respeito a nada no mundo??? Nem à memória de uma mãe, de uma avó? Que nojo. Que tristeza

Moro e JEC dividem mesa em Londres

Sérgio Moro e José Eduardo Cardozo participam neste sábado (14) da mesma mesa de palestras do Brazil Forum UK 2017, evento realizado hoje na London School of Economics and Political Science (LSE) e amanhã (domingo, 14) na Universidade de Oxford, na Inglaterra.
Com os também palestrantes José Alexandre Buaiz, sócio do escritório Pinheiro Neto Advogados, e Ricardo Villas Bôas Cueva, ministro do STJ, Moro e JEC falam sobre o tema "Reequilibrando poderes: o papel do Judiciário na democracia contemporânea brasileira".
A rodada estava prevista para começar às 17 horas de Londres (13h de Brasília).
Moro deve falar sobre o seu papel de prender os criminosos da ORCRIM.
JEC pode falar sobre o seu papel de fornecedor de informação privilegiada da Polícia Federal, quando era ministro da Justiça,usada por Dilma Rousseff para avisar João Santana e Mônica Moura de que eles seriam presos.
O Antagonista só espera que JEC não obstrua a palestra de Moro.

Petistas admitem que Lula se danou

O PT sabe que Lula se danou.
Leia o que disse Gerson Camarotti, do G1:
“De forma reservada, até mesmo parlamentares petistas admitem que a situação do ex-presidente Lula ficou mais complicada ao reconhecer um encontro com o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, intermediado pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari.
A pergunta que ficou sem reposta é simples: por que um ex-presidente da República vai se encontrar num hangar do aeroporto de Congonhas com um ex-diretor da Petrobras investigado no esquema da Lava Jato?”

Onde está o dinheiro de Franklin Martins?

Mônica Moura cuidava da parte financeira do trabalho do marido João Santana.
Sua xará Mônica Monteiro, segundo ela, fazia o mesmo em relação ao ex-ministro Franklin Martins.
Moura disse ter repassado a Monteiro parte do pagamento que recebeu pela campanha de Hugo Chávez, na qual atuaram ambos os casais.
Agora a Lava Jato quer descobrir, segundo a Época, se o dinheiro da mulher de Franklin ficou no exterior ou veio para o Brasil.
"A CineGroup, empresa de Mônica Monteiro, enviou vários prepostos à Venezuela naquele período. Entre eles, Alex Mesquita. Aliás, em nome de Alex foi alugada uma casa em bairro nobre de Brasília onde funcionou um site lançado em 2014 para atacar adversários da candidata do PT à reeleição, Dilma Rousseff."

Os rastros de Iolanda

Enquanto os "especialistas" da Folha pedem cautela com delação premiada, um especialista ouvido pelo Globo confirmou a autenticidade, antecipada por O Antagonista, do e-mail clandestino de Dilma Rousseff, 2606iolanda@gmail.com, e lembrou que mensagens não enviadas permanecem salvas pelo Google no rascunho, podendo ser descobertas com mandados de busca e apreensão.
Coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio, Pablo Cerdeira explicou também o procedimento necessário para rastrear redes e computadores a partir dos quais os acessos foram feitos.
"O Ministério Público pede uma ação cautelar para o Google dizer quais IPs estavam vinculados a essa conta (de e-mail). IP é o número único de conexão para internet, que é mais ou menos igual ao CEP. O Google vai informar isso. Depois, para saber qual computador estava conectado, vão precisar de outra ordem contra provedores de conexão."
Como comentou Paulo Celso Pereira em outra matéria do jornal:
"O Google certamente teve por algum período os registros dos IPs que acessaram a fatídica conta de e-mail, com dia e hora em que ela foi utilizada. Se for verdade o que está na delação, provavelmente entre esses endereços estão os usados pelas redes que atendiam aos palácios da Alvorada e do Planalto. E o serviço de processamento do governo, por sua vez, pode saber inclusive qual máquina foi usada."
Dilma deve estar mesmo bolada.