quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Povo brasileiro e ministros do STF criticam fundo público para campanhas

O povo brasileiro está contra a criação desse fundo. Apenas os parlamentares parecem dispostos a defendê-lo.
Também os ministros do STF Alexandre de Moraes e Marco Aurélio Mello criticaram hoje a criação de um fundo público de R$ 3,6 bilhões para financiar campanhas, informa o jornal O Globo.

“Não sou a favor de um fundo de quase R$ 4 bilhões. Todos nós já pagamos a democracia”, afirmou Moraes, que defendeu o voto distrital misto.

“Por que a campanha política precisa ser cinematográfica? Existem campanhas, principalmente majoritárias, em que a gravação é melhor que de minissérie. Com o voto distrital misto vai ser muito mais barato”, acrescentou o ministro.

Marco Aurélio, por sua vez, disse que vê a proposta do novo fundo como “muito dinheiro”. “Mas vamos esperar para ver o que ocorrerá.”




terça-feira, 22 de agosto de 2017

'Temos que impedir essa monstruosidade', diz Modesto Carvalhosa,que pede plebiscito para reforma política


O jurista Modesto Carvalhosa defende que a proposta de "reforma política" que está em análise no Congresso é inconstitucional e que reformar o sistema eleitoral dependeria da aprovação da população, expressa por plebiscito, conforme diz em artigo publicado no jornal O Globo.

Carvalhosa faz um veemente apelo: "e nós, o povo, devemos ir às ruas e impedir que essa monstruosidade venha não só legalizar, mas constitucionalizar a corrupção eleitoral".

Leia a íntegra do artigo de Modesto Carvalhosa: 
A reforma política em curso no Congresso peca de vício de origem que a torna absolutamente inválida no âmbito de um estado de direito. Nossa democracia funda-se no princípio da soberania do povo, inscrito no artigo 1º da Constituição Federal (CF), cujo sistema de representação, à luz do artigo 14 da mesma Carta, só poderá ser alterado por plebiscito, aí incluídos os temas cláusula de barreira e financiamento público de campanha.
Na Constituição de qualquer país democrático, e muito menos aqui, não há autorização para os mandatários aprovarem uma autorreforma política, usurpando a soberania do povo. Só falta, em seguida, admitir que mera PEC substitua presidencialismo por parlamentarismo…
Ora, nem os Estados Unidos ousaram rever seu arcaico sistema eleitoral. E, de todo modo, nenhum país verdadeiramente democrático ousaria fazê-lo sem a necessária consulta prévia ao eleitorado, oferecendo diversas opções de mecanismos de representação e financiamento de campanhas eleitorais.
A finalidade da cláusula de barreira e do financiamento público de campanhas nessa inaceitável reforma é, doravante, em todas as esferas, perpetuar no poder seus atuais detentores e impedir o surgimento de novos partidos e candidaturas independentes, eliminando uma das bases da democracia, isto é, a alternância e a constante renovação dos representantes do povo.
Mas o chamado Fundo Especial de Financiamento da Democracia (?!) de até R$ 6 bilhões não pode ser acolhido por ferir o princípio fundamental da separação entre os recursos públicos e os privados.
Pessoas jurídicas de Direito Privado que são, os partidos políticos, segundo o artigo 17 da CF, apenas podem receber do Estado o atual Fundo Partidário e o acesso gratuito ao rádio e à televisão.
Além do mais, qualquer outro benefício inventado pela autorreforma política esbarra na norma que veda a fixação de despesa sem a previsão da respectiva receita (artigo 165 da CF), princípio fundamental e inderrogável por qualquer PEC.
A propósito, onde está escrito na Constituição que o Congresso tem legitimidade para promover autonomamente e no seu único interesse uma reforma política, ignorando a soberania popular consagrada pelos artigos 1º e 14º da CF?
A sede de poder revelada por esse monstrengo de autorreforma política também atenta contra os princípios da moralidade e da impessoalidade, que devem presidir à conduta dos mandatários de cargos públicos (artigo 37 da CF).
Os pretextos para essa autorreforma das estruturas de representação popular são insubsistentes, tanto mais quanto se sabe que o voto distrital puro, a ser objeto de imperioso plebiscito, diminui os custos de campanha drasticamente (80%) e vincula aos eleitores o representante escolhido pelo distrito, acabando com a dispersão de votos e a desproporção de parlamentares federais por estado.
A vingar essa autorreforma, típica de república das bananas em que vamos gradativamente nos transformando, a corrupção será generalizada nas eleições de 2018 e seguintes, pois uma fortuna de R$ 3 bilhões a R$ 6 bilhões estará à disposição dos caciques dos partidos, dos seus milionários marqueteiros, sobrando ainda muito dinheiro do povo para a compra de votos através de cabos eleitorais pagos a peso de ouro (prefeitos, vereadores, presidentes de associações de bairros, chefes de comunidades etc.), tudo isso sem contar que o crime organizado certamente entrará firme nas “campanhas cívicas” para dividir o botim tirado do Estado.
Portanto, cabe ao STF pôr cobro a esse desmanche dos fundamentos de nossa democracia, determinando a convocação de plebiscito para decidir — sim ou não — sobre as propostas de reforma política.
E nós, o povo, devemos ir às ruas e impedir que essa monstruosidade venha não só legalizar, mas constitucionalizar a corrupção eleitoral.

Código Penal pode ser alterado e “tem que ser muito bem pensado”, alerta Moro

Sergio Moro, juiz federal responsável pelos processos da operação Lava Jato na primeira instância, disse nesta segunda-feira (21) que uma mudança como a debatida pela Câmara dos Deputados sobre alterações no Código do Processo Penal não é “necessariamente positiva”.
“Um novo código é um projeto de envergadura, e tem que ser muito bem pensado. Rogo que isso seja muito bem refletido. Por vezes, a mudança não necessariamente é positiva”, disse Moro em evento realizado na Assembleia Legislativa do Paraná, porém convocado pela comissão especial da Câmara dos Deputados para discutir o projeto de lei que pretende reformar o Código de Processo Penal, um conjunto de normas que regulamentam como os crimes são julgados.
“Numa sociedade democrática, se devem ter presentes os direitos do acusado. Ele é um potencial inocente. Mas muitas vezes, se esquece que do outro lado existe a vítima, que também é uma pessoa que tem direitos. O processo penal também serve à vítima”, afirmou Moro, dirigindo-se aos deputados federais Danilo Forte (PSB/CE), João Campos (PRB/GO) e Fernando Francischini (SD/PR), integrantes da comissão.
Moro leu alguns  trechos e fez comentários para o documento que entregou aos parlamentares. Com mais de 40 páginas, o texto reúne 23 sugestões reunidas pelo magistrado ao projeto de reforma do Código.

“Não há regras para fiscalizar o bilionário fundo partidário”, alerta especialista

Essa falta de regras poderá evitar a renovação política e fortalecer “caciques”.
Serão despejados bilhões de reais em campanhas políticas no próximo pleito, pelo fundo eleitoral aprovado na comissão da reforma política da Câmara dos Deputados, sem a garantia de fiscalização do uso dos recursos públicos destinados aos partidos. 
Pela proposta que deve ser analisada nesta semana no plenário da Casa, até R$ 3,6 bilhões serão reservados para custear gastos com propaganda política, entretanto a atual estrutura da Justiça Eleitoral enfrenta desafios para averiguar a aplicação do montante, considerado alto por especialistas.
Esse valor, acrescido das verbas já separadas para o Fundo Partidário, pode passar de R$ 4 bilhões – na campanha eleitoral de 2014, os partidos declararam oficialmente gastos de R$ 5,1 bilhões, quando ainda eram permitidas as doações empresariais. Apesar da falta de consenso, os deputados propõem a destinação de 0,5% da receita corrente líquida da União para o financiamento de campanhas, mas já discutem a redução da quantia para 0,25%.
Pela primeira vez, a Justiça Eleitoral terá de analisar um montante tão elevado de recursos públicos em campanhas eleitorais. A coordenadora-geral da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), Geórgia Nunes, alertou para a ausência de regras sobre a prestação de contas e a fiscalização do fundo bilionário. “Como se trata de um recurso novo, não se sabe como o Congresso vai estabelecer a forma de prestação de contas. Além da previsão do fundo, o texto precisa ter regras claras sobre essa destinação”, disse a advogada.
Para Geórgia, os parlamentares, ao discutir um fundo tão elevado sem a previsão de fiscalização, não atendem aos anseios da população com respostas eficientes de combate à corrupção, após revelações da Operação Lava Jato. “A sociedade reclama um barateamento de campanha. E isso (o valor do fundo) é um contrassenso.”
Também a professora de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Andréa Freitas criticou o valor do fundo e ressaltou que o financiamento público, somado à possibilidade de doações de pessoas físicas, recursos dos próprios candidatos e do Fundo Partidário, chegaria a valores semelhantes aos declarados em 2014. “É um valor estratosférico. Você tem praticamente todo o valor oficial unicamente vindo do Estado”, disse. “A solução não é uma solução, as campanhas vão continuar extremamente caras”.

Com a proibição de doações empresariais pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2015 e com as dificuldades enfrentadas para bancar as eleições de 2016 por meio do Fundo Partidário e das colaborações de pessoas físicas, os parlamentares se articulam justamente para aprovar um aporte bilionário. Sobre a destinação dos recursos, o relatório do deputado Vicente Cândido (PT-SP) cita apenas que “caberá ao TSE-Tribunal Superior Eleitoral a fiscalização da distribuição e da utilização dos valores destinados a cada partido”.

“Esclarecer como isso será dividido no interior do partido é fundamental para evitar que os líderes centralizem recursos em um conjunto de candidatos”, disse Andréa. 
Ela afirmou ainda que essa falta de regras poderá evitar a renovação política e fortalecer “caciques”.

Bolsonaro é o político mais presente na internet

A campanha presidencial de 2018 só ainda não começou aos olhos da burocrática Justiça eleitoral brasileira. Os principais candidatos estão na estrada já faz tempo, percorrendo o país em caravanas, usando verba de gabinete para cabalar voto, aproveitando horário de trabalho para receber homenagens nos estados onde aparecem pior nas pesquisas. E publicando milhares de vídeos e mensagens em mídias sociais. Mas, quem está ganhando?

Depende de onde se observa a corrida. Na internet, Bolsonaro (PSC, por enquanto) está na frente por quase qualquer critério que se meça. É quem tem mais seguidores no Facebook (4,5 milhões, fora meio milhão no Twitter), mas não é só isso. Provoca mais comentários, reações e compartilhamentos do que todos os rivais diretos: quase 100 milhões em três anos e meio. Como diria aquele conhecido político paulista, “falem mal mas falem de mim”.



A objeção de que o digital não espelha a realidade porque muitos desses seguidores são robôs (ou a mesma pessoa com mais de um perfil) e que as interações são sempre com o mesmo grupo de pessoas é um argumento verdadeiro. Entretanto, é tão verdadeiro para Bolsonaro, quanto é para Lula (PT), para Doria (PSDB) ou para qualquer outro.

Todos os presidenciáveis têm militância virtual – paga ou não – que infla sua pegada digital com mil e um artifícios. Se todos inflam, então a comparação entre eles é válida. O impacto que isso terá no chamado mundo real é outro problema. Todavia há correspondência entre a presença virtual de um presidenciável e o seu desempenho nas pesquisas eleitorais.

No eleitorado, Bolsonaro só perde hoje para Lula. Na mais recente pesquisa divulgada, do DataPoder360, o militar aposentado aparece em segundo lugar em todas as simulações. Quando não fica atrás do petista, só perde para o branco e nulo. Ele vai melhor que qualquer outro nos 25% de eleitores que não votariam de jeito nenhum nem em um candidato do PT nem em um do PSDB.

A pesquisa DataPoder360 é telefônica e automatizada, o que exclui eleitores sem telefone ou que se recusam a conversar com gravações, porém a tendência que ela mostra está em linha com outros levantamentos, como a pesquisa Datafolha de junho. 

Bolsonaro pode ter um teto baixo, por inspirar rejeição em muita gente, contudo ele é quem mais bem trafega hoje pela avenida do conservadorismo que caracteriza a maioria dos brasileiros.

Não é só do desgaste de tucanos e petistas que Bolsonaro se aproveita. O Índice de Conservadorismo lançado pelo Ibope em dezembro mostrou que os conservadores avançaram desde 2010. Bolsonaro preenche um grande vazio eleitoral para quem é a favor da redução da maioridade penal e da pena de morte, e é contra a legalização do aborto e do casamento de pessoas do mesmo sexo.

O que mais puxa o conservadorismo é o medo da violência. Foram as questões sobre segurança pública que alavancaram o índice do Ibope entre 2010 e 2016. Desde que a pesquisa foi feita, a insegurança só aumentou, especialmente na base eleitoral de Bolsonaro, o Rio de Janeiro. Se esse cenário se mantiver nos próximos 12 meses, Bolsonaro terá condições ideais para surfar.

Isso não significa que ele já esteja garantido em um eventual segundo turno, muito menos eleito. Outros tentam aproveitar a onda que está carregando o militar aposentado. Doria e Alckmin, por exemplo, estão na água. Ambos poderão convencer esse eleitorado conservador que têm a experiência administrativa que falta ao deputado. Mas até a disputa interna dos tucanos ajuda Bolsonaro.

A fratura exposta pelo PSDB em seu recente programa de TV pode acabar em defecção. Se tanto Alckmin quanto Doria forem candidatos a presidente, um pode afogar o outro. Aí Bolsonaro surfaria sozinho.

Petições pelo impeachment de Gilmar Mendes aproximam-se de um milhão de assinaturas

A decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, de soltar presos de seu círculo íntimo revoltou internautas e deu amplo impulso a petições virtuais que pedem o impeachment do ministro. 
Enquanto uma petição que já existia ganhou impulso e passou de 760 mil assinaturas, uma outra petição, dirigida ao presidente do Senado, já amealhou mais de 295 mil apoios.  

Embora seja possível a uma mesma pessoa votar em ambas, as duas petições continuam recebendo apoios muito rapidamente e muitos apoiadores desconhecem o fato de haver mais de um abaixo-assinado. 

PARTICIPE
O abaixo-assinado mais antigo pode ser acessado neste link, e o mais recente, neste link

LÍDER PETISTA EM SERGIPE ANUNCIA LULA COMO 'FUTURO PRESIDIÁRIO'



O vice-presidente do PT de Estância, em Sergipe, Zé Carlos do PT cometeu uma baita gafe ( ou seria um ato falho?) ao anunciar a chegada à cidade do principal líder do seu partido, o ex-presidente Lula da Silva.

Em mensagem compartilhada por meio do WhatsApp, o dirigente petista chama Lula de “futuro presidiário”. Recentemente, Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão pelo juiz Moro e pode, realmente, ser preso, caso a segunda instância mantenha a decisão.

“Por oito votos favorável (sic), cinco contra e uma abstenção, foi confirmam (sic) o Título honorífico de cidadania estanciana para o futuro presidiário Lula (sic)”, diz a mensagem, com ênfase nas últimas palavras. Veja:

Após a trapalhada, o vice-presidente tentou se explicar. Disse ter caído em uma postagem irônica e “tendenciosa do jornalista antipetista Diogo Oliveira”.

“Quero repudiar uma nota publicada no Site Diário Sergipano do último dia 17 de agosto, do ano em curso, onde o seu diretor, o senhor Pisca Júnior, usando de má fé, mesmo sabendo que foi um equívoco meu, em compartilhar a nota escrita por Diogo Oliveira, que é assessor de comunicação do Município de Estância, a qual eu não tive o devido cuidado de ler todo o conteúdo, fui vítima dessa imprensa marrom, que tenta a qualquer custo me desqualificar perante meus companheiros de luta”, diz a nota.

Entidade comandada por Jacob Barata já patrocinou Gilmar Mendes

Procuradores do Ministério Público encontraram mais um motivo para acreditar que Gilmar Mendes têm relações estreitas com Jacob Barata Filho.


Em 2015, a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), da qual Barata era vice-presidente, patrocinou um congresso do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). O instituto pertence a Gilmar Mendes. 

A lista de patrocinadores pode ser vista no pôster de divulgação. Veja:


Atualização:

O ministro Gilmar Mendes informou que a realização de eventos é normal e que segue todos os procedimentos legais.

Gilmar também informou que juízes não podem ceder a “trêfegos e barulhentos procuradores, nem se curvar ao clamor popular”.

Professora recebe socos após chamar atenção de aluno

Estamos, há anos, sendo colocados em condição de desamparo pelos governos. A sociedade nos desamparou. A vida…
Em uma escola do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, uma professora foi agredida por um aluno após repreendê-lo. Marcia Friggi postou, em sua conta no Facebook, um desabafo contando que recebeu socos de um estudante de 15 anos.
A confusão teria começado depois que a educadora pediu para o aluno colocar um livro em cima da mesa. “Eu coloco o livro onde eu bem quiser”, teria dito o adolescente. O caso aconteceu no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) da cidade.
A professora contou que o estudante a xingou e depois foi colocado para fora da sala de aula. Ao acompanhá-lo, ela teria recebido um série de socos. Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede”, disse a professora.
Leia a seguir a íntegra do desabafo da professora em sua página:
DILACERADA
Estou dilacerada. Aconteceu assim:
Ele estava com o livro sobre as pernas e eu pedi:
– Coloque seu livro sobre a mesa, por favor.
– Eu coloco o livro onde eu bem quiser.

– As coisas não são assim.

– Ahhh, vai se foder.
– Retire-se por favor.

Ele levantou para sair, mas no caminho jogou o livro na minha cabeça. Não me feriu, mas poderia. Na direção eu contei o que tinha acontecido. Ele retrucou que menti e eu tentei dizer:

– Como, menti? A sala toda viu…

Não deu tempo para mais nada. Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede.
Estou dilacerada por ter sido agredida fisicamente. Estou dilacera por saber que não sou a única, talvez não seja a última. Estou dilacera por já ter sofrido agressão verbal, por ver meus colegas sofrerem. Estou dilacera porque dilacera porque me sinto em desamparo, como estão desamparados todos os professores brasileiros.
Estamos, há anos, sendo colocados em condição de desamparo pelos governos. A sociedade nos desamparou. A vida…

Lembrei dos professores do Paraná que foram massacrados pela polícia, não teve como não lembrar.

Estou dilacerada pelos meus bons alunos, que são muitos e não merecem nossa ausência.
Estou dilacerada, mas eu me recupero e vou dedicar a minha vida para que NENHUM PROFESSOR BRASILEIRA passe por isso

NUNCA MAIS. (Não sei se cometi erro ao escrever, perdoem. )


República de Curitiba Online

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A mania de tirar o sofá da sala: o Brasil e suas “soluções” estapafúrdias

A resposta para os três casos concretos apresentados é: retirar o sofá da sala!
A mania de tirar o sofá da sala: o Brasil e suas “soluções” estapafúrdias.*
O marido chega em casa mais cedo do trabalho e flagra a esposa em pleno ato libidinoso com um terceiro em cima do sofá. O que faz o rapaz de cabeça enfeitada para resolver o conflito? Tira o sofá da sala. Pronto.
Seria cômico se não fosse parte de nossa tragédia diária como cidadãos brasileiros. Diante de problemas quaisquer, nossas autoridades governamentais costumam tentar resolver os imbróglios retirando alguma peça de suas engrenagens, com vistas a interromper o processo danoso. Só que, via de regra, elas mexem na ponta errada do circuito, e, em vez de interromper o prejuízo gerado, só fazem aumentá-lo.
O Capitalismo de laços sempre distorceu a vontade popular nos pleitos eleitorais. Empresas privadas financiam as campanhas de políticos e partidos que, uma vez empossados, devolverão a gentileza por meio de favorecimentos diversos, e todos os envolvidos enriquecerão ilicitamente durante a empreitada.
E o que faz o Estado (personificado, nesta situação, nos Ministros do STF) para quebrar esta corrente de corrupção, trapaça  e desvio de dinheiro extraído do setor produtivo da sociedade? Ora, proíbe as doações de pessoas jurídicas, bem como limita a um mínimo as doações de pessoas físicas – simplesmente impedindo que os simpatizantes das associações as financiem.
A Suprema Corte, para começo de conversa, poderia ter se limitado a sua função jurisdicional e não ter legislado sobre o tema, mas como o ativismo judicial está bastante em voga, decidiu por bem reescrever a lei.
Havia, portanto, um cenário em que os políticos ocupantes de cargos públicos, a partir de seu vasto poder de interferir na economia (podendo inclusive, por meio do BNDES, escolher quem fica rico no país) e dos inúmeros contratos administrativos celebrados por incontáveis empresas públicas e órgãos estatais, nas três esferas e nos três poderes, podiam oferecer benesses a quem lhes bancasse a reeleição – ou a eleição de um apadrinhado.
Ou seja, de duas uma: ou se procurava retirar este farto poder de barganha dos agentes políticos, esta possibilidade de vender facilidades após criar dificuldades, por meio do enxugamento da máquina estatal, da eliminação de regulações puramente burocráticas e da contenção dos gastos públicos, ou se proibiam as doações de empresas. As chances erro e acerto eram de 50% para cada lado, portanto.
E não é que tiraram o sofá da sala?
O resultado: de onde raios sairiam os recursos para realizar as próximas campanhas? Somente aqueles partidos que já houvessem amealhado dinheiro de forma improba em outros mandatos estariam aptos a concorrer, beneficiando, assim, os desonestos – e praticamente impossibilitando a renovação das bancadas legislativas e da chefia do Executivo.
A consequência desta emenda pior do que o soneto? O estapafúrdio fundo partidário de R$3,6 bilhões aprovado recentemente na calada da noite no Congresso Nacional. Quer dizer, agora é o pagador de impostos quem vai fazer papel de corno manso e ainda receber a dolorosa para pagar.
Este é um exemplo bastante atual deste bizarro modus operandi, mas nem em sonho é exceção.
O Brasil é um país de índices de violência altíssimos. Homicídios, latrocínios, fraudes e estupros em profusão – tudo fruto da sensação de impunidade gerada pela legislação penal patética, e pelo fato de nossa população ter sido desarmada ao longo das últimas décadas. Tais estupros, como relações sexuais que são, acabam dando origem, por vezes, a gestações (obviamente indesejadas) nas pobres vítimas.
De novo: que peça deve ser removida deste circuito maligno? A impunidade que motiva a prática destes crimes hediondos (estupros entre eles), ou as gestações resultantes destes estupros? 
O entorno de bares e restaurantes, em vários locais do Brasil, costuma virar uma completa zona em determinados dias e horários da semana. Carros apostando racha, brigas na rua com direito a garrafas voando, som automotivo de trocentos decibéis, drogas ilícitas consumidas e comercializadas livremente, e por aí vai.
E o que faz o poder público diante de tal cenário: compele os frequentadores da região a portarem-se feito gente, fazendo uso do monopólio da força que detém (ou seja, mais ninguém pode cumprir esta tarefa senão o próprio Estado), ou restringe o funcionamento dos estabelecimentos, cujos proprietários não tem nada a ver com a omissão e a ineficiência das forças de segurança, nem tampouco com a falta de educação do brasileiro médio?
As vagas oferecidas por universidades federais costumavam ser ocupadas quase que exclusivamente (especialmente em cursos de maior prestígio e melhor perspectiva de remuneração no futuro) por alunos oriundos de famílias de alta renda, tendo em visto a péssima qualidade do ensino oferecido pelas escolas estaduais e municipais.
Diante desta conjuntura, como agem os gestores estatais: procuram fazer com que os estudantes da rede pública saiam do colégio com algo mais em suas cabeças do que slogans marxistas repetidos à exaustão (apoiando medidas como o Escola Sem Partido e adotando o sistema de vouchers), ou criam cotas para acomodar este pessoal nas instituições públicos de ensino superior, dividindo ainda mais a sociedade e passando longe de equacionar o problema?
A resposta para os três casos concretos apresentados supra é: retirar o sofá da sala!
Melhor ligar e avisar que está saindo mais cedo do trabalho na próxima, brasileiro…
* por Bordin Burke, em Por um Brasil sem Populismo 

Novos condenados por Sérgio Moro

O juiz Sergio Moro condenou nesta segunda-feira (21) quatro executivos da Andrade Gutierrez, além do ex-diretor da Petrobras Renato Duque, na Operação Lava Jato. O ex-presidente da empreiteira, Otávio Marques de Azevedo, e outros cinco réus, tiveram o processo suspenso devido aos acordos de colaboração premiada firmados com a Justiça.
Os executivos Antônio Pedro Campello de Souza Dias, Elton Negrão de Azevedo Júnior, Flávio Gomes Machado Filho e Paulo Roberto Dalmazzo foram condenados por corrupção ativa. Dias também foi condenado por lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os quatro vão cumprir as penas previstas nos acordos de colaboração premiada firmados por eles com a Justiça.
Além de Azevedo, Sérgio Moro também suspendeu o processo em relação ao doleiro Alberto Youssef, os operadores Fernando Soares, Mario Goes e os ex-funcionários da Petrobras Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, por causa dos acordos de colaboração. Lucélio Goes e Armando Furlan Júnior foram absolvidos de todas as imputações por falta de provas.
Já o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, que não firmou acordo de colaboração premiada, foi condenado a Moro a 10 anos de prisão. Como colaborou espontaneamente com a Justiça, confessando seus crimes, Moro admitiu a progressão de regime de cumprimento de pena depois do cumprimento de cinco anos no regime fechado.
O juiz Moro ainda estipulou em R$ 115,9 milhões o valor mínimo para indenização dos danos decorrentes dos crimes, a serem pagos à Petrobras.
Esses executivos da Andrade Gutierrez são os últimos a serem condenados por Moro na Lava Jato. O magistrado já condenou executivos da Odebrecht, OAS, Camargo Correa, UTC, Galvão Engenharia, Queiroz Galvão, Engevix e Mendes Junior.
Gazeta do Povo

Bolsonaro manda partido trocar de advogado

O PEN, futuro Patriotas, deve mudar seu advogado na ação que pretendia impedir a prisão de condenados em segunda instância.

Considerando que não é possível retirar a ação que tramita no STF, o presidente do partido, Adilson Barroso, explicou a O Globo a alternativa encontrada:

“Eu vou tirar o Kakay (advogado que protocolou a ação) e colocar outro para tentar pedir para tirar a ação e para falar contra. Devo fazer isso pessoalmente ao novo relator, que vai ser o Edson Fachin. Estava dando esse processo como perdido porque perdemos a liminar.”

Adilson esclareceu que a mudança de advogado será feita a pedido de Jair Bolsonaro, que migrou para o partido e condicionou sua filiação à retirada desse processo.

“Bolsonaro hoje é meu chefe maior.”

Lula, o descobridor

“Estou aqui pra ver se a gente descobre o que aconteceu com este país”, disse o Estimado Líder na passagem de sua caravana por Sergipe.

É fácil descobrir: você e seu poste ficaram 13 anos no poder, Lula. O resultado é isso aí.

'Estudantes' ofereceram a Lula 'título' de doutor com erro grosseiro de Português

O ex-presidente e candidato Lula da Silva, em sua viagem de campanha antecipada, recebeu uma homenagem de alunos da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. 

Os alunos improvisaram um "título" de doutor honoris causa assinado por eles mesmos. 

No entanto, o que realmente chamou a atenção, na fotografia postada pelo petista Emir Sader, foi o erro de grafia no termo "discentes", grafado como "dicentes". 

Ministro do Planejamento abre mão de R$ 18 mil mensais

O ministro do planejamento Dyogo Oliveira vai abrir mão de um jeton de R$ 18 mil mensais que recebe como conselheiro fiscal do Senac, uma empresa não governamental.

Essa decisão do ministro veio após a imprensa destacar que sua remuneração e a de outros ministros excedem o teto do funcionalismo, de 33.700 reais.

Sem o jeton (remuneração dada aos membros de órgãos colegiados por sessão a que comparecem), Dyogo Oliveira passará a ter um salário líquido de R$ 22.527,52, mais vale alimentação de R$ 458.

“Diante da importância do debate sobre o teto remuneratório dos salários do serviço público, o ministro está renunciando ao jeton do Senac, mesmo que respaldado legalmente e estudará medidas para propor que os jetons também se enquadrem dentro do teto de todos os servidores públicos”, diz a nota do Ministério do Planejamento.

Cardozo e ‘Bessias’ juntos

Jorge Rodrigo Messias, o “Bessias”, ficou famoso como o portador do termo de posse de Lula como ministro, quando Sérgio Moro liberou a gravação em que a então presidente Dilma Rousseff dizia que iria enviar “o papel” ao petista para que usasse “em caso de necessidade”.

Ex-subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil de Dilma, “Bessias” agora se uniu ao advogado dela no processo de impeachment, o ex-ministro José Eduardo Cardozo, em nova empreitada.

Ambos serão sócios em um escritório de advocacia em Brasília, segundo Juliana Braga, do Globo.

No PT, mercado para advogados não falta.

sábado, 19 de agosto de 2017

Cármen Lúcia pode adiar o julgamento da prisão em 2ª instância?


Assunto será liberado para a pauta em breve, como adiantou Marco Aurélio.
A ministra Cármen Lúcia foi categórica ao dizer que não está na pauta do Supremo qualquer processo que leve o tribunal a retroceder no entendimento sobre execução de penas depois do julgamento em segunda instância. A afirmativa é enfática, verdadeira, mas não diz tudo.

Cabe à presidente do Supremo definir a pauta de julgamentos do plenário. Cármen Lúcia, portanto, tem este monopólio. É, por sinal, o maior poder à disposição do ministro que dirige o STF. Mas este é um poder ilimitado? É infenso a controle dos pares, dos advogados e da opinião pública? Mais: pode a presidente recusar-se expressamente a pautar um processo por discordar da provável virada de jurisprudência?

As próximas sessões de julgamento, como disse a ministra Cármen Lúcia, não preveem a discussão sobre execução provisória da pena.

Mas o assunto será liberado para a pauta em breve, como adiantou o ministro Marco Aurélio, relator de duas ações declaratórias de constitucionalidade. A presidente do Supremo vai se recusar a pautar os processos? Usará o excesso de casos na fila de julgamento para empurrar este para o ano que vem, quando deixa a presidência (em setembro)?

Aqui o que está em jogo é o “ser” e o “deve ser”. No Supremo, ministros já fizeram obstrução judicial: pedir vista do processo com maioria formada por discordarem do resultado que estava se desenhando. Presidentes deixaram de pautar processo também por discordarem da conclusão a que o tribunal certamente chegaria. Isto é o ser.

Não se espera, porém, que o tribunal aja desta forma. Como disse certa vez o ministro Luís Roberto Barroso, o juiz não pode pegar a bola e ir embora simplesmente para paralisar o jogo ou impedir que seja jogado. Este é o deve ser.

Assim, mesmo que discorde de mais uma mudança de entendimento do Supremo, a presidente do STF não pode obstruir a pauta de julgamentos. Pode, aí sim, prosseguir normalmente sua agenda clara de tirar o Supremo do século 20 – julgando processos que esperam uma resposta do tribunal há décadas. Pode também justificar a decisão de não julgar o tema execução provisória pelo excesso de casos à espera de julgamento.

Contudo, o assunto execução provisória da pena terá de ser julgado mais cedo ou mais tarde. Já há no tribunal maioria para reverter o entendimento firmado em outubro de 2016. Com os votos de Cármen, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Teori Zavascki, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, o tribunal passou a entender que é possível executar a pena mesmo sem o trânsito em julgado do processo criminal. A decisão é considerada por procuradores da Lava Jato e pelo juiz Sérgio Moro como um dos esteios da operação, servindo de desestímulo para apostas na tradicional impunidade de ontem.

Nos bastidores do STF, ministros já não fazem mais segredos sobre a disposição de mudar o entendimento. “Pelas sinalizações, o score vai inverter quanto ao segundo pedido, que é aguardar julgamento do STJ”, afirmou nesta quarta-feira o ministro Marco Aurélio.

A alternativa apontada pelos ministros do STF seria considerar que a execução antecipada da pena fica condicionada ao julgamento do recurso especial no Superior Tribunal de Justiça. Assim, um processo decidido na primeira instância passaria em seguida pelos tribunais de justiça estaduais ou tribunais regionais federais, mas as penas só começariam a ser executadas depois do julgamento do recurso no STJ.

O novo entendimento do STF teria impacto nos desdobramentos da Lava Jato, segundo avaliam os próprios procuradores e o juiz federal Sérgio Moro. O magistrado, responsável pela maior parte dos processos da Operação, afirmou que a reversão na jurisprudência seria como um retrocesso, algo que comparou com o que aconteceu à Operação Mãos Limpas, na Itália. Advogados de defesa e defensores públicos pensam de outra forma.

Mas, independentemente do que pensam advogados, procuradores e juízes, o Supremo enfrentará novamente o assunto. E mais do que saber quando e se a presidente Cármen Lúcia levará a questão ao pleno, o tribunal precisaria explicar como mudou de entendimento tantas vezes sobre o mesmo tema em tão pouco tempo sem que a legislação tenha mudado uma linha.

Idas e vindas da jurisprudência do Supremo

Até 2009 – O Supremo entendia ser constitucionalmente possível executar a pena mesmo antes do trânsito em julgado de ação penal condenatória.

Em 2009 – Ao julgar o HC 84.078, o Supremo passou a entender que a execução provisória da pena viola o princípio da presunção de inocência. Assim, a pena só poderia ser executada depois de julgados todos os recursos.

Em 2016 – No julgamento do HC 126.292, o STF voltou atrás e decidiu que é possível executar a pena aplicada ao réu após julgamento em segunda instância.

Em 2017 – Ministros indicam que poderão novamente mudar a jurisprudência da Corte sobre a execução da pena. Mas a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, indica que não dará prioridade ao julgamento de causas que podem levar o tribunal a novamente mudar de entendimento.

por: Assunto será liberado para a pauta em breve, como adiantou Marco Aurélio.

A ministra Cármen Lúcia foi categórica ao dizer que não está na pauta do Supremo qualquer processo que leve o tribunal a retroceder no entendimento sobre execução de penas depois do julgamento em segunda instância. A afirmativa é enfática, verdadeira, mas não diz tudo.

Cabe à presidente do Supremo definir a pauta de julgamentos do plenário. Cármen Lúcia, portanto, tem este monopólio. É, por sinal, o maior poder à disposição do ministro que dirige o STF. Mas este é um poder ilimitado? É infenso a controle dos pares, dos advogados e da opinião pública? Mais: pode a presidente recusar-se expressamente a pautar um processo por discordar da provável virada de jurisprudência?

As próximas sessões de julgamento, como disse a ministra Cármen Lúcia, não preveem a discussão sobre execução provisória da pena.

Mas o assunto será liberado para a pauta em breve, como adiantou o ministro Marco Aurélio, relator de duas ações declaratórias de constitucionalidade. A presidente do Supremo vai se recusar a pautar os processos? Usará o excesso de casos na fila de julgamento para empurrar este para o ano que vem, quando deixa a presidência (em setembro)?

Aqui o que está em jogo é o “ser” e o “deve ser”. No Supremo, ministros já fizeram obstrução judicial: pedir vista do processo com maioria formada por discordarem do resultado que estava se desenhando. Presidentes deixaram de pautar processo também por discordarem da conclusão a que o tribunal certamente chegaria. Isto é o ser.

Não se espera, porém, que o tribunal aja desta forma. Como disse certa vez o ministro Luís Roberto Barroso, o juiz não pode pegar a bola e ir embora simplesmente para paralisar o jogo ou impedir que seja jogado. Este é o deve ser.

Assim, mesmo que discorde de mais uma mudança de entendimento do Supremo, a presidente do STF não pode obstruir a pauta de julgamentos. Pode, aí sim, prosseguir normalmente sua agenda clara de tirar o Supremo do século 20 – julgando processos que esperam uma resposta do tribunal há décadas. Pode também justificar a decisão de não julgar o tema execução provisória pelo excesso de casos à espera de julgamento.

Contudo, o assunto execução provisória da pena terá de ser julgado mais cedo ou mais tarde. Já há no tribunal maioria para reverter o entendimento firmado em outubro de 2016. Com os votos de Cármen, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Teori Zavascki, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, o tribunal passou a entender que é possível executar a pena mesmo sem o trânsito em julgado do processo criminal. A decisão é considerada por procuradores da Lava Jato e pelo juiz Sérgio Moro como um dos esteios da operação, servindo de desestímulo para apostas na tradicional impunidade de ontem.

Nos bastidores do STF, ministros já não fazem mais segredos sobre a disposição de mudar o entendimento. “Pelas sinalizações, o score vai inverter quanto ao segundo pedido, que é aguardar julgamento do STJ”, afirmou nesta quarta-feira o ministro Marco Aurélio.

A alternativa apontada pelos ministros do STF seria considerar que a execução antecipada da pena fica condicionada ao julgamento do recurso especial no Superior Tribunal de Justiça. Assim, um processo decidido na primeira instância passaria em seguida pelos tribunais de justiça estaduais ou tribunais regionais federais, mas as penas só começariam a ser executadas depois do julgamento do recurso no STJ.

O novo entendimento do STF teria impacto nos desdobramentos da Lava Jato, segundo avaliam os próprios procuradores e o juiz federal Sérgio Moro. O magistrado, responsável pela maior parte dos processos da Operação, afirmou que a reversão na jurisprudência seria como um retrocesso, algo que comparou com o que aconteceu à Operação Mãos Limpas, na Itália. Advogados de defesa e defensores públicos pensam de outra forma.

Mas, independentemente do que pensam advogados, procuradores e juízes, o Supremo enfrentará novamente o assunto. E mais do que saber quando e se a presidente Cármen Lúcia levará a questão ao pleno, o tribunal precisaria explicar como mudou de entendimento tantas vezes sobre o mesmo tema em tão pouco tempo sem que a legislação tenha mudado uma linha.

Idas e vindas da jurisprudência do Supremo

Até 2009 – O Supremo entendia ser constitucionalmente possível executar a pena mesmo antes do trânsito em julgado de ação penal condenatória.

Em 2009 – Ao julgar o HC 84.078, o Supremo passou a entender que a execução provisória da pena viola o princípio da presunção de inocência. Assim, a pena só poderia ser executada depois de julgados todos os recursos.

Em 2016 – No julgamento do HC 126.292, o STF voltou atrás e decidiu que é possível executar a pena aplicada ao réu após julgamento em segunda instância.

Em 2017 – Ministros indicam que poderão novamente mudar a jurisprudência da Corte sobre a execução da pena. Mas a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, indica que não dará prioridade ao julgamento de causas que podem levar o tribunal a novamente mudar de entendimento.


por: Felipe Recondo - Brasília e Márcio Falcão - Brasília

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