segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

POR QUE TEMER "RESSUSCITOU" MORAES PARA O STF

O Antagonista apurou que Michel Temer, durante o fim de semana, foi muito pressionado para nomear Mauro Campbell, do STJ, para o STF.
Mauro Campbell é Renan Calheiros.
Diante dessa pressão, e das reservas quanto a Ives Gandra Martins Filho manifestadas por pessoas do seu entorno e também do Supremo, Michel Temer "ressuscitou" o nome de Alexandre de Moraes.
Cármen Lúcia pode não ter gostado, mas Alexandre de Moraes foi a menos danosa das alternativas que estavam sendo cogitadas no fim de semana.

TEMER INDICA MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES PARA VAGA DE TEORI NO STF

Com indicação, atual ministro da Justiça e Segurança Pública será submetido a uma sabatina no Senado e, se tiver o nome aprovado pelo plenário, ocupará vaga deixada por Teori Zavascki.

O porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, informou que 
o presidente Michel Temer indicou nesta segunda-feira (6) o ministro da Justiça e Segurança Pública, Alexandre de Moraes, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).Moraes foi indicado para ocupar a cadeira deixada por Teori Zavascki, que morreu no mês passado.
Com a indicação, Alexandre de Moraes será submetido a 
uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado - 
os integrantes do colegiado ainda não foram definidos, mas a 
expectativa do presidente da Casa, Eunício Oliveira, é que a 
comissão seja instalada nesta quarta (8).
Em seguida, se a comissão aprovar o nome do ministro, a 
indicação será votada pelo plenário do Senado.
Alexandre de Moraes tem 49 anos, é filiado ao PSDB e foi 
secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo no 
governo Geraldo Alckmin.
Pela lei atual, um ministro do Supremo pode ocupar uma 
cadeira no tribunal até completar 75 anos de idade, quando 
deverá se aposentar compulsoriamente.
O STF é composto por 11 ministros, mas, desde a morte de 
Teori Zavascki, vem funcionando com dez ministros.
Nesta segunda, antes de o governo oficializar a indicação 
para o STF, Moraes se reuniu com o presidente Michel 
Temer no Planalto.

Atuação no Ministério da Justiça

Moraes deixou a Secretaria de Segurança Pública de São 
Paulo em maio do ano passado, quando passou a comandar 
o Ministério da Justiça, a convite do presidente Michel 
Temer - à época, Temer havia assumido o governo no lugar 
de Dilma Rousseff.
Ao assumir o Ministério da Justiça, Moraes passou a atuar, 
ao lado de outros ministros, em ações para garantir a segurança 
na Olimpíada do Rio de Janeiro.
À época, Moraes anunciou, por exemplo, uma operação da 
Polícia Federal que prendeu dez suspeitos de planejar 
terrorismo no evento esportivo.
Em setembro, o ministro se envolveu em uma polêmica em 
relação à Operação Lava Jato. No dia anterior à prisão do 
ex-ministro petista Antônio Palocci, Moraes havia dito em 
Ribeirão Preto (SP) que haveria mais operação da Polícia 
Federal naquela semana.
"Teve a semana passada [operação] e esta semana vai ter mais, 
podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão 
se lembrar de mim", disse o ministro na ocasião.
A fala de Moraes gerou uma repercussão negativa, a ponto de 
a Comissão de Ética Pública da presidência abrir um processo
para apurar a conduta do ministro - o caso foi arquivado.

Crise carcerária

Desde o início deste ano, a pasta comandada por Moraes 
ficou em evidência no noticiário com a crise do sistema 
prisional.
As diversas rebeliões em presídios do país, que resultaram 
em dezenas de mortes de presos, levaram o ministro a visitar 
cidades onde havia ocorrido os motins e a autorizar homens 
da Força Nacional a fazer a segurança nos estados em situação 
mais emergencial.
Também em decorrência das rebeliões, o ministro anunciou o 
Plano Nacional de Segurança, que já vinha sendo elaborado 
entre o Ministério da Justiça e outros órgãos do governo. O 
plano tem medidas em três áreas consideradas cruciais pelo 
governo: o comabte a homicídios, combate ao tráfico e ao 
crime organizado, e a modernização do sistema prisional.
Na semana passada, Moraes viajou para Natal e Aracaju 
para iniciar ações do plano nessas duas capitais, consideradas 
em situação mais emergencial pelo governo.

Lava Jato

Embora tenha sido indicado por Temer para ocupar a vaga de 
Teori Zavascki, Alexandre de Moraes, se tiver o nome 
aprovado pelo Senado, não herdará a relatoria dos 
processos relacionados à Operação Lava Jato na Corte.
Isso porque, na semana passada, o ministro Luiz Edson 
Fachin foi sorteado novo relator. Se vier a ocupar a vaga no 
Supremo, Moraes, entretanto, será o revisor dos processos.

Perfil

Formado em 1990 pela Faculdade de Direito da Universidade 
de São Paulo (USP), onde também é professor associado 
desde 2002, Alexandre de Moraes teve uma carreira política 
de ascensão rápida, tendo atuado como secretário municipal 
de Transportes da cidade de São Paulo (de 2007 a 2010), e 
secretário estadual do governador de São Paulo, Geraldo 
Alckmin, em duas pastas: de Segurança Pública (2014 a 2015),
 e da Justiça e da Defesa da Cidadania (2002 a 2005).
Concluiu doutorado em Direito pela USP em 2000 e atuou 
também como professor da Universidade Presbiteriana 
Mackenzie e das Escolas Superior do Ministério Público de 
São Paulo e Paulista de Magistratura. Atualmente, sua 
inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) São 
Paulo está como "inativa, sob licença".
Pouco antes de assumir a Secretaria da Segurança, em 2014, 
Moraes defendeu Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente
 da Câmara dos Deputados, em uma ação sobre uso de 
documento falso em que conseguiu a absolvição do 
peemedebista. Cunha teve o mandato cassado e está 
preso preventivamente em Curitiba (Paraná), no âmbito 
da Operação Lava Jato.
Ainda como advogado, Alexandre de Moraes atuou em 
processos da área civil da Transcooper, uma cooperativa 
investigada pela Polícia Civil e o Ministério Público de São 
Paulo como suspeita em movimentações de lavagem de 
dinheiro e corrupção engendrado envolvendo a facção que 
atua dentro e fora dos presídios de São Paulo, o PCC 
(Primeiro Comando da Capital). À época, a banca de 
advocacia dele havia renunciado aos processos quando 
assumiu cargos públicos.
Iniciou sua carreira como promotor de Justiça no Ministério 
Público de São Paulo em 1991, cargo que exerceu até 2002, 
quando foi indicado por Alckmin secretário da Justiça e da 
Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, cargo que 
deixou em maio de 2005, quando foi eleito para o Conselho 
Nacional de Justiça (CNJ).

via G1

OS MÉRITOS DE LULA. DA ORIGEM HUMILDE ATÉ A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
Trapaceiro não tem mérito

Muitos defendem a figura do ex-­presidente Lula sob o argumento de que se trata de uma pessoa de origem humilde que alcançou o mais alto posto da nação. O próprio Lula gosta de se vangloriar de sua falta de instrução, de seu passado pobre, como se isso fosse algo desabonador. 

Para queles que defendem que há algum mérito no fato de Lula ter conseguido chegar à Presidência da República, vale lembrar que trapaceiros não têm mérito. Desde um atleta até um empresário. Mesmo considerando o ambiente político, meio em que a habilidade em enganar as pessoas é algo que pode ser reconhecido como um talento entre seus pares, o mérito fica restrito aos bandidos do meio político. E olha que não são poucos. 

Não há mérito onde há trapaça. Onde falta honestidade, ética, moral e caráter. Um atleta que faz uso de doping para vencer seus adversários pode até ganhar a medalha de ouro, mas no fundo de sua consciência, ele sabe que não é o melhor, que foi desonesto, que usou de subterfúgios torpes apenas para experimentar algo que não era merecedor. Quando o doping vem à tona, vem a vergonha. a humilhação e a perda da medalha e dos títulos obtidos por meio de trapaças. 

Um postulante a uma vaga numa escola de medicina que frauda o vestibular é na verdade um bandido corruptor dos meios de acesso disputados por outras pessoas que se esforçaram para conseguir a vaga. Ele pode até se tornar um médico, mas não haverá nenhum mérito nesta conquista fruto de uma trapaça. Ao ser desmascarado, vem a vergonha, a humilhação e a punição, com a cassação de seu registro de médico. 

Um empresário bem sucedido costuma ser admirado por todos na sociedade. Mas não há mérito algum para aqueles que trapaceiam, que roubam no peso, que manipulam dados, que forjam resultados, que caluniam seus concorrentes, que adotam práticas ilícitas, que vendem produtos de má qualidade, nocivos e maléficos apenas visando o lucro fácil. Vejam o exemplo do ex­-bilionário Eike Batista, que criou um conglomerado de ilusões identificado com a letra "X". O farsante usou de artifícios ilegais para obter vantagens, vendeu ações de uma empresa sem extrair uma gota sequer de petróleo e ostentou riqueza como se dela fosse merecedor. O trapaceiro agora está em cana e terá que entregar outros trapaceiros, inclusive o Lula, para conseguir se livrar de passar o resto da vida na cadeia. 

Lula chegou à Presidência da República financiado por dinheiro sujo de grupos de interesses obscuros. Lula caluniou e difamou adversários, fechou acordos com políticos corruptos de todo o país e se aliou a empreiteiros criminosos que roubaram verbas até de hospitais. Ao chegar à Presidência, Lula aparelho a máquina pública e distribuiu cargos nas estatais e bancos públicos a comparsas comprometidos com um ambicioso e duradouro plano de poder. Para permanecer no cargo, Lula lançou mão de todos os artifícios e alianças espúrias e usou dinheiro roubado da Petrobrás em suas campanhas. Se há algum mérito nisso tudo, há entre bandidos do mesmo calibre. Entre pessoas de bem, o nome disso é trapaça. E como todo trapaceiro tem o fim que merece, o Brasil aguarda o momento em que Lula pague pelos erros que cometeu.

via Imprensa Viva

ARTISTAS PETISTAS NÃO DERAM AS CARAS NO VELÓRIO DE MARISA. QUEREM SE DESCOLAR DO PT E DE LULA COM O FIM DAS MAMATAS DA LEI ROUANET
O velório de Marisa Letícia foi marcado pela ausência de praticamente todos os artistas petistas que deram suporte midiático aos governos do PT ao longo dos últimos 13 anos. Enquanto discursava, os olhos do ex-­presidente Lula vasculhavam a multidão em busca de algum artista ou celebridade petista, mas só enxergava militantes do PT de São bernardo do Campo e membros do sindicato dos metalúrgicos da cidade. 

Durante os cerca de 40 minutos que falou, logo depois de uma cerimônia ecumênica presidida pelo bispo emérito da diocese de Bauru, dom Dom Angélico Sândalo Bernardino, Lula também não notou a presença de nenhum chefe de Estado ou político de projeção nacional. 

“Eu vou continuar agradecendo à Marisa, até o dia que eu não puder mais agradecer, o dia em que eu morrer. Espero encontrar com ela, com esse mesmo vestido que eu escolhi para colocar nela, vermelho, para mostrar que a gente não tinha medo de vermelho quando era vivo, e não tinha medo de vermelho quando morre”, disse Lula, numa referência aos candidatos do PT que optaram por "cores diferentes" na última eleição de outubro. 
Quanto a ausência de artistas petistas famosos, como Chico Buarque, Camila Pitanga, Fernanda Montenegro, Caetano Veloso, entre outros, Lula não fez nenhum comentário. Os artistas petistas também estão evitando tecer críticas contra o juiz Sérgio Moro e a Lava Jato. Muitos foram impactados pelo ativismo político em favor dos governos corruptos do PT e estão sentindo o repúdio da opinião pública onde dói mais: na bilheteria de seus espetáculos.

via Imprensa Viva
MARINA SILVA TAMBÉM RECEBEU MEIO MILHÃO DE REAIS DE EIKE BATISTA. O MESMO VALOR DADO A DELCIDIO DO AMARAL
A ex-­petista Marina Silva recebeu R$ 500 mil reais do ex-­bilionário Eike Batista durante sua campanha presidencial de 2010. A ex-­senadora recebeu o mesmo valor que o ex-­senador petista Delcídio do Amaral, que também embolsou R$ 500 mil reais em doações feitas por Eike a políticos considerados "estratégicos" para seus negócios. 

Em 26 de maio de 2016, quando se prontificou a ir voluntariamente até a sede da força­-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, para prestar depoimento, o empresário Eike Batista assim explicou aos procuradores Robson Pozzobon e Júlio Carlos Motta Noronha, do Ministério Público Federal, a razão de fazer generosas doações a campanhas políticas: “Fazia isso constantemente como brasileiro, essa é minha contribuição politica, quero que a democracia flua”. 

No caso do ex­-governador do Rio, Sérgio Cabral, a Polícia Federal já sabe que o que flui mesmo foi um grande esquema de propinas em troca de vantagens ilícitas. Na ocasião em que prestou depoimento à PF, o empresário posou de bom moço, de patriota: “Minha cultura é de fazer a coisa certa”, garantiu, contando que os investigadores jamais descobririam que ele pagou 16,5 milhões de dólares em propina a Sérgio Cabral.

via Imprensa Viva
EDSON FACHIN PODE HOMOLOGAR DELAÇÃO DE PEDRO CORRÊA E SEPULTAR DEFINITIVAMENTE TODOS DO PT
Uma das delações mais bombásticas feitas durante a Operação Lava Jato, a do deputado Pedro Corrêa, pode ser retomada e homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que se tornou o novo relato da Lava Jato no Supremo, após a morte do ministro Teori Zavascki. 

Ainda não se sabe os motivos que tenham levado Teori a protelar tanto a delação do ex­-deputado federal Pedro Corrêa (ex­PP­PE), mas o fato é que ele foi o primeiro a apontar o ex-­presidente Lula como o pai do petrolão e o chefe da organização criminosa que vitimou a Petrobras desde os primeiros meses do governo PT em 2003. 

Pedro Corrêa confirmou em trecho de sua delação que, "no curso Governo LULA, afirma que os cargos de gerência, diretorias e superintendências regionais foram ocupados pelos "companheiros do LULA"

O ex-­deputado também confirmou que " Os cargos públicos nos Estados, como delegacias de Ministérios, estatais, etc., que usualmente eram objeto de divisão com outros partidos, mas que no governo LULA foram todos ocupados por pessoas vinculadas ao PT e à CUT" Segundo Corrêa, isso teria trazido dificuldades para o Presidente LULA, que não pôde utilizar estes cargos para negociar o apoio ao governo. Teria sido nesta época que o ex-­ministro José Dirceu entrou em cena para fazer os arranjos de cargos na Petrobras entre PP e PMDB, mas Corrêa confirmou que a palavra final sempre coube ao ex­-presidente LULA. 

No pacote de primeiras decisões que o novo relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, terá de tomar está a homologação da delação premiada do ex­ deputado federal Pedro Corrêa (ex­-PP­PE). Este é mais um motivo de pânico para Lula, Dilma e o PT. São 70 volumes com material capaz de incriminar dezenas de membros do partido. 

via Imprensa Viva

domingo, 5 de fevereiro de 2017

ANDRADE GUTIERREZ TAMBÉM TINHA DEPARTAMENTO DE PROPINA, DIZ DELAÇÃO

Ex-executivos da empreiteira Andrade Gutierrez relataram, em delação premiada à Operação Lava Jato, que a empresa mantinha uma espécie de "tesouraria interna" dedicada ao pagamentos de propina e caixa dois para agentes públicos.

A Folha apurou que funcionários da empresa apontaram a existência do esquema à força-tarefa do Rio e Curitiba em depoimentos recentes.

Segundo um ex-executivo do grupo mineiro que passou a colaborar com a Justiça, a "tesouraria" contava com dinheiro em espécie que era operado pelo doleiro Adir Assad, preso desde agosto do ano passado.

A maior parte do dinheiro foi gerada, segundo os relatos às autoridades, por meio de contratos fictícios estabelecidos entre a Andrade Gutierrez e empresas de fachada de Assad.

Não é a primeira vez que uma empreiteira investigada na Lava Jato revela ter um esquema profissional de pagamento de propina e caixa dois dentro da empresa.

O setor de operações estruturadas da Odebrecht, área dedicada ao pagamento de recursos ilícitos do grupo baiano, foi descoberto por investigadores e, posteriormente, seu funcionamento foi detalhado na delação premiada assinada pela empresa em dezembro do ano passado.

A Odebrecht pagou R$ 2,6 bilhões em suborno no Brasil e em 12 países.

Um funcionário da Andrade era o responsável por cuidar dessa área. No relato aos procuradores, o ex-executivo do grupo disse que os diretores da Andrade negociavam a propina só depois de entrar em contato com a tesouraria para solicitar o dinheiro ilícito que seria repassado para agentes públicos.

Investigações do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro mostraram que empresas usaram recibos falsos para abastecer o caixa dois da Andrade Gutierrez com mais de R$ 176 milhões.

Segundo envolvidos nas investigações, ao menos esse montante circulou em dinheiro vivo na tesouraria.

Entre as obras que receberam pagamento de propina do departamento estão o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), a Ferrovia Norte-Sul e estádios da Copa do Mundo, temas já delatados por executivos e ex-executivos da Andrade, em acordo fechado em 2015.

A Folha apurou também que funcionários da Andrade vão relatar em uma espécie de segunda chamada da delação premiada, chamada pelos procuradores de "recall", que esse mesmo caixa foi usado para pagar propina em obras do Estado de São Paulo, como o Rodoanel e linhas do Metrô.

MINAS E SÃO PAULO

Como a Folha publicou, após a delação da Odebrecht, a Andrade Gutierrez, que firmou acordo de leniência em 2016 e de delação premiada em 2015, foi convocada a fazer a complementação de seus depoimentos sobre fatos que ainda não havia narrados anteriormente.

Entre eles estão obras do Estado de São Paulo, a Cidade Administrativa, sede do governo de Minas, projetos do setor elétrico, entre outros empreendimentos.

De acordo com integrantes da Procuradoria-Geral da República e da força-tarefa, ainda não foi definido se a multa de R$ 1 bilhão cobrada da empresa será aumentada após esse "recall".

Na última segunda (30), a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), homologou as delações de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht.

Depoimentos prestados por delatores da empreiteira baiana arrastaram para o centro da Lava Jato sócios de empresas concorrentes, ampliando o interesse dos investigadores sobre a cúpula dessas companhias.

OUTRO LADO

Procurada, a Andrade Gutierrez disse, por meio de sua assessoria, que não iria se manifestar sobre a delação de ex-executivos que relataram a existência de uma "tesouraria interna" na empresa.

O advogado do doleiro Adir Assad, Miguel Pereira Neto, disse que a informação de que seu cliente abastecia o caixa dois da Andrade Gutierrez "já foi exposta na ação penal em trâmite na Justiça Federal do Rio de Janeiro, inexistindo fato novo".

Afirmou ainda que "o processo está em andamento e as questões serão dirimidas durante a instrução".

O nome de Assad também aparece nas investigações da Operação Calicute, que resultou na prisão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ).

De acordo com os investigadores, suposta propina paga por empreiteiras no Estado era repassada de diferentes formas. Parte vinha de contratos fictícios de consultoria de Assad.

via Folha Política

VELÓRIO DE MARISA VIROU COMÍCIO, E SEU CORPO, PALANQUE

Na disputa eleitoral de 2002, Lula falou da morte da primeira mulher e chorou copiosamente diante das câmeras de Duda Mendonça.

Todos sabem a dureza com que tratei, aqui e em toda parte, aqueles que resolveram fazer troça do estado de saúde de Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Lula. Ou a contundência com que desqualifiquei os teóricos da conspiração, segundo os quais uma grande armação estaria em curso, com a participação até de médicos, para transformar a ex-primeira-dama em vítima, o que seria positivo para Lula. A Internet traz, como se sabe, o lixo nosso  — ou melhor: “deles” — de cada dia. E também antevi o óbvio: o PT iria, sim, fazer uso político da morte de Marisa. Infelizmente, já começou. E a personagem principal da indignidade é ninguém menos do que… Lula! É um espetáculo bastante constrangedor, mas está longe de ser inédito.
O discurso do marido de Marisa no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde se realizou o velório, está em toda parte. Ou melhor: a fala do líder máximo do PT em desagravo e homenagem à “companheira” circula por aí.  Mesmo quando evocou cenas domésticas, do cotidiano familiar, quem falava era o homem que, se a lei permitir, quer disputar de novo a Presidência da República em 2018. O velório de Marisa virou um comício, e seu corpo, um palanque.
Sim, é verdade! Tanto eu como os petistas não inovamos em 2017. Repetimos a postura que adotamos em 2009 e 2011, quando Dilma e Lula, respectivamente, tiveram câncer. Como assim?
Repudiei, então, as manifestações de grosseria nas redes sociais e cobrei que se conservasse o respeito humano de que ambos eram e são merecedores. Mas cumpre lembrar: foi a dupla a fazer um uso asqueroso da própria doença. A então “candidata Dilma” se tornou aquela que vencia até o inimigo invencível. Lula, em tempos de Lava Jato, trombeteou sobre si mesmo: nem o câncer o derruba…
Em 2002Bem, meus caros: ao dar uma tradução política à morte da Marisa, Lula não inova: na campanha eleitoral de 2002, contou a história da primeira mulher, que morreu logo depois do parto. E ele o fez para as câmeras de Duda Mendonça, o marqueteiro. E chorou muito. Queria votos.
Não estou aqui a sugerir que a tristeza de Lula é falsa, arranjada, mera politicagem. Nada disso! Considero que a dor é verdadeira. Mas é perfeitamente possível fazer as duas coisas: sofrer e aproveitar a tragédia pessoal para… fazer política.
É claro que todos esperávamos que o marido exaltasse as virtudes cívicas da mulher e asseverasse a sua inocência. Afinal, ela era ré em duas ações penais. Segundo Lula, era “morreu triste”. Bem, meus caros, até aí, vá lá, nada de surpreendente ou censurável. Ocorre que ele foi muito além disso. Disse, por exemplo:
“Ela está com uma estrelinha do PT no seu vestido, e eu tenho orgulho dessa mulher. Muitas vezes essa molecada [os sindicalistas] dormia no chão da praça da matriz [de São Bernardo do Campo] e a Marisa e outras companheiras vendendo bandeira, vendendo camiseta para a gente construir um partido que a direita quer destruir”.
Pronto! A Marisa morta se transformava ali num símbolo. E o ex-presidente não hesitou em usar o cadáver como arma: “Na verdade, Marisa morreu triste. Porque a canalhice que fizeram com ela… E a imbecilidade e a maldade que fizeram com ela… Eu vou dedicar… Eu tenho 71 anos, não sei quando Deus me levará, acho que vou viver muito porque eu quero provar que os facínoras que levantaram leviandade com a Marisa tenham, um dia, a humildade de pedir desculpas a ela”.
A fala do bispoO discurso de Lula foi o “grande momento” de um ato religioso oficiado por dom Angélico Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC) e conhecido padre de passeata. Aliás, antes mesmo que Lula enveredasse para a política, foi o homem de batina quem disparou: “A Marisa Letícia foi uma guerreira na luta a favor da classe trabalhadora. Atentem para as reformas trabalhistas que sejam contra os trabalhadores; a reforma da Previdência, contra pobres e assalariados. É preciso que estejamos atentos”.
Não se contentou. Para ele, a crise econômica “é falsamente atribuída à administração dos dois últimos governos”. Por “dois últimos”, entenda-se, está se referindo às gestões Lula e Dilma. Para o bispo, o responsável deve ser, sei lá, FHC!
Vamos ver o que vem por aí. Pudor, já deu para perceber, não haverá. Nem medida.
E noto algo curioso: reuniam-se, em perfeita comunhão, os esquerdistas ideológicos, os sindicalistas e a Igreja Católica dos vermelhos. A exemplo do que se via nos primeiros anos de existência do PT.
Lula fazia uma aparente exumação do passado para usar Marisa como instrumento de lutas futuras.
Conteúdo: Reinaldo Azevedo/ Veja

'SE DESENVOLVEU NO PAÍS O HIPERGARANTISMO, QUE SÓ OLHA OS DIREITOS DO RÉU, E NÃO OS DA SOCIEDADE'. AFIRMA COORDENADOR DA FORÇA-TAREFA DA LAVA JATO

Certa vez, numa viagem ao interior do Paraná, Deltan Dallagnol, o procurador da República que coordena a força-tarefa da Operação Lava Jato, ouviu, de um filho aflito, que o pai lhe contara ter sido diagnosticado com um tumor na próstata. Passado um ano, o pai voltou ao médico, que confirmou o tumor, já maior. Mais um ano, e crescera mais. “O cara não tomava providência”, contou ao Estado em entrevista na PGR de Curitiba. “Até que o médico, preocupado, quebrou o protocolo e foi falar com o filho: ‘Olha, diagnóstico não vai resolver o problema do seu pai. Tem de tirar o tumor’.”

A história ilustrou uma preocupação crescente de Dallagnol: a visão da Lava Jato como a solução do problema da corrupção. “Acham que vai ter um antes e depois da Lava Jato sem reformas estruturais – e não vai”, disse. O procurador ainda defendeu a linha teórica que chama de “garantismo integral”, “que garanta os direitos dos réus, mas também os da sociedade”. 

Quem ganha e quem perde, e o quê, se ficar derrubada a proposta das dez medidas contra a corrupção, defendida pelo Ministério Público Federal– atualmente sob impasse na votação da Câmara?
Se elas não passarem, nós precisamos continuar lutando por reformas para que o sistema de justiça funcione, para todos. Eu vejo isso como um processo de fortalecimento da sociedade civil. O que acontece, no Brasil, é que a sociedade civil ainda não é suficientemente organizada. Mas ela vem melhorando, vem desenvolvendo músculos.

Enquanto isso, o sr. e seus colegas procuradores ficam dando uma força... Não é uma visão de salvador da pátria – como ultimamente o sr. tem sido carimbado?
Não. Ninguém é salvador da pátria. Se quisesse passar a idéia de salvador de pátria, diria que a Lava Jato vai transformar o país, vai salvar o país. Mas não é isso que a gente fala.

O que é que os srs. falam?
O que a gente fala é que a sociedade vai perceber que a Lava Jato não é a solução para os nossos males. Ela faz diagnóstico – e diagnóstico não vai resolver o problema.

Explique melhor...
Existe a ilusão de que pessoas indo pra cadeia resolve o problema. O que a gente busca fazer é desconstruir essa ilusão.

De que forma?
Mostrando que o que pode contribuir para a redução dos índices de corrupção são a reforma na justiça criminal, a reforma política e a atuação sobre outras condições que favorecem a corrupção.

E a Lava Jato?
O que eu vejo, nas palestras que dou, é que a maior parte das pessoas acha que vai ter um antes e um depois da Lava Jato. Ela pode até contribuir, de algum modo, mas só a Lava Jato não resolve. É um passo, mas a gente precisa de muitos passos. Se não for seguida por modificações estruturais, tudo vai ficar como era antes. Com o passar do tempo, é muito provável que nós voltemos à condição original.

Daí a necessidade de reformas...
Se nada for feito de reformas positivas, é possível, ou até provável, que sejam feitas reformas negativas, seguindo os passos do que aconteceu na Itália, em que os políticos se autoprotegeram, concedendo autoanistias. Essa autoanistia não precisa assumir a forma de uma anistia proclamada, como a que foi tentada [na Câmara] no final do ano passado. Ela pode ser feita por pequenas mudanças na legislação criminal, ao longo de dez anos.

O sr., e outros operadores centrais da Lava Jato – como os procuradores da república Douglas Fischer, Eduardo Pellela e Bruno Calabrich, além do juiz Sérgio Moro – defendem, em livros, artigos, e palestras, uma corrente teórica que se contrapõe ao que chamam de hipergarantismo, ou garantismo hiperbólico monocular, definindo-o como uma exacerbação do direito de defesa dos acusados. E propõem, em contraponto, o que chamam de garantismo integral, que definem como uma solução mais equilibrada. Pode explicar melhor?
Acaba preponderando, no cenário brasileiro, uma corrente que é chamada de garantista, onde se defende que os direitos dos réus devem ser integralmente respeitados. Até aí todos nós concordamos: o processo criminal deve ser garantista. Não serve só para punir, mas para limitar a punição, proteger a pessoa contra abusos, contra irracionalidades, contra atropelos.

Onde é que está a divergência?
O que se desenvolveu no Brasil foi aquilo que alguns chamam de hipergarantismo. É um garantismo hiperbólico, porque exacerbado, e monocular, porque só olha os direitos do réu, e não olha o direito da sociedade.

O que o srs. defendem, então?
O que nós buscamos é um garantismo equilibrado, integral, que garanta os direitos dos réus, mas também o das vítimas e os da sociedade. Do modo como funciona em tribunais garantistas internacionais.

Por exemplo...
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, a Corte Interamericana de Direitos Humanos, tribunais de países que são considerados desenvolvidos, e que são berço da proteção de direitos humanos, como a Espanha, como o próprio Estados Unidos, um grande pai das garantias fundamentais.

Leia também:

Há fortes argumentos contrários a esse conceito do “hipergarantismo”. Um deles é que o garantismo está lastreado na constituição de 1988, que consolidou os princípios “in dúbio pro reu” e da presunção da inocência.
O hipergarantismo é uma interpretação do que está na Constituição.

Permitida e amparada pelo que lá está.
A outra interpretação também é permitida. A grande questão é: como é que funciona hoje o direito e o processo penal em relação a réus do colarinho branco, a corruptos e corruptores?

Como é que funciona?
Uma pesquisa de dois autores publicada pela Fundação Getúlio Vargas [Carlos Higino Ribeiro de Alencar e Ivo Gico Junior, em “Corrupção e Judiciário: a (in)eficácia do sistema judicial no combate à corrupção”, disponível na internet], mostra que o percentual de punição dos corruptos identificados é de pouquinho mais de 3%. Uma probabilidade de punição de 3% não vai ser um fator que desestimule a corrupção, porque a probabilidade de ser punido é muito pequena. O sistema hoje está concatenado com uma grande engrenagem, de tal forma que o resultado produzido é impunidade a réus do colarinho branco, corruptos e corruptores.

Não é a Constituição que tem que mudar essa equação – e não o dr. Deltan, que de resto poderia ter se candidato a deputado ou senador, e ir defender as dez medidas lá no Congresso, em vez de ficar correndo atrás de assinaturas?
Ótimo! Eu gosto de ouvir a divergência, porque ela é saudável e ajuda a construir um debate que enriquece o resultado. O que está colocado, com esse argumento, é medo de quem já passou por uma ditadura, o medo de que o Estado se exceda. A minha geração é uma geração que cresceu sem ditadura, vendo abusos de governantes praticando mandos e desmandos sem qualquer punição. O que a gente prega é altamente compatível, existe e funciona nas democracias do mundo.

O sr. defende, no seu livro sobre as provas, que o princípio da boa fé deve ser valorizado – para permitir, por exemplo, o recebimento de provas ilícitas. Acontece que esse princípio não está constitucionalizado, enquanto o da presunção de inocência está, e deve, portanto, prevalecer. Ou não?
A boa fé é algo inerente ao sistema de provas ilícitas, que o Brasil importou dos Estados Unidos. Só que quando a gente importou esse sistema, só importamos a metade que protege o réu. A outra metade, que protege a sociedade, a gente abandona. Isso não faz sentido, na minha perspectiva.

Mas foi assim que o Legislativo resolveu – como do jogo democrático.
É do jogo, posso entender, mas deve mudar.

A questão, na prática, voltando à operação Lava Jato, é que a sua posição, assim como a juiz Sérgio Moro, relativiza o constitucional in dúbio pro reu – o que é muito perigoso em um sistema democrático. Não?
Eu aprendi nos Estados Unidos um argumento que se chama slippery slope. É o argumento da ladeira escorregadia: “se você encosta em mim, daqui a pouco me dá um tapa e daqui a pouco um tiro na cabeça”. É um argumento tem por base o medo, que é uma emoção altamente poderosa. Mas a grande questão é: esse slippery slope procede? Será que não há barreiras entre esse tocar na pele e o tiro na cabeça? Nesse caso não existe. Estamos propondo medidas que já existem nas democracias civilizadas...

Esses princípios – in dubio pro reu, etc – estão na constituição...
Mas nenhuma posição que eu fedendo é incompatível com a Constituição. Me diga uma.

O sr. defende, claramente, a relativização do princípio da presunção da inocência.
Não. Digamos que você me dê essa caneta de presente. Eu vou dizer que você relativizou o direito à propriedade no Brasil?

Desculpe, mas não é uma boa comparação...
Direito à propriedade é um direito fundamental, que são irrenunciáveis e inalienáveis. O que você foi fez foi compatibilizar um direito inalienável e irrenunciável, com outro direito inalienável e irrenunciável, que é o direito à liberdade. Aí é que está a chave para entender o que a gente defende. Ninguém é contra a Constituição.

Na tabela que o sr. publica ao final de seu livro – com decisões de tribunais superiores que já seguem essa corrente do garantismo integral - não há nenhum exemplo de tribunal no Brasil. É uma corrente que ainda não chegou por aqui, pelo menos nas instâncias superiores.
Porque diz respeito à interpretação. Veja, por exemplo, a doutrina constitucionalista do Direito Civil. O direito à propriedade estava no cerne do Direito Civil. Eles fizeram um giro hermenêutico para dizer que a propriedade é assegurada, mas está em função da dignidade da pessoa humana. O que eles quiseram fazer foi humanizar o Direito Civil. Essa linha é uma linha que eu endosso. O mesmo tipo de argumentação que eles fizeram, no Direito Civil, é algo que a gente faz buscando uma efetividade da justiça criminal. É usar a argumentação, e a interpretação, dentro da constituição, para que a justiça penal seja efetiva, sem desproteger o direito dos réus.

E daí voltamos às dez medidas...
Quando oferecemos alternativas como as dez medidas contra a corrupção, estamos trazendo o debate para a mesa. O que a gente quer é um sistema de justiça que funcione. Oferecemos um tipo de solução, mas aceitamos qualquer outra solução que venha e resolva o problema.

Via Folha Política