segunda-feira, 15 de maio de 2017

Dilma 2606

O número contido no e-mail clandestino 2606iolanda@gmail.com, usado por Dilma Rousseff para avisar João Santana e Mônica Moura sobre os avanços da Lava Jato, é tão emblemático quanto o nome da mulher do general Costa e Silva, Iolanda Barbosa.
Foi em 26 de junho de 1968 – 26/06, portanto – que o seu grupo, a Vanguarda Popular Revolucionária, acelerou um carro-bomba, com vinte quilos de dinamite, para dentro de um Quartel General em São Paulo, despedaçando o corpo do soldado Mário Kozel Filho, de 18 anos, e ferindo mais seis militares.
Kozel foi somente o primeiro dos oito assassinados pela VPR nos tempos de Dilma e ainda haveria mais cinco pela VAR-Palmares e três pelo Colina, os outros dois grupos que ela integrou na luta armada.
Em mais uma amostra de como a história se repete como farsa, a data da morte de Kozel poderá selar, também, a "morte" de Dilma, no sentido de cadeia que o código terrorista lhe confere.

SAIBA QUEM É FRANKLIN MARTINS, O JORNALISTA QUE QUASE TRANSFORMOU O BRASIL NUMA VENEZUELA

Paulo Figueiredo Filho escreve, em seu Facebook:
FRANKLIN MARTINS: O HOMEM QUE EXPLICA O BRASIL
Vocês sabem esse Franklin Martins que está estampando os jornais por causa da delação da esposa do marqueteiro de Lula?
Então, este homem sozinho explica o Brasil: sua biografia tem comunismo, terrorismo, controle de verba de mídia, cargo político, dinheiro de propina de empreiteira, ligação com ditaduras socialistas, PT, PSDB e, claro, papel de formador de opinião na grande mídia.
Segundo a delação divulgada, a esposa e Franklin eram as pessoas de confiança de Nicolas Maduro,para receber dinheiro vivo – frio, sem contrato – da Odebrecht e Andrade Gutierrez para financiar a campanha de Chavez na Venezuela.
Pois o homem de confiança do ditador venezuelano é o mesmo Franklin que idealizou o sequestro do embaixador americano Charles B. Elbrick em 1969, em conjunto com os grupos terroristas socialistas Ação Libertadora Nacional (ALN) e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).
A esposa dele à época foi assessora de um deputado do… do… do…. PSDB. Sim, José Anibal, do PSDB em 1997, auge do governo FHC. Mas sua esposa também assessorou o senador Aloízio Mercadante do…. PT.
Nosso querido Franklin também foi o Ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo Lula, basicamente o homem que decidia com quem o governo Lula iria gastar seus rios de dinheiro de publicidade. Seu papel foi garantir uma mídia dócil ao governo petista.
Só que até então, Franklin Martins, vocês devem lembrar, era o comentarista político… do Jornal Nacional e Jornal da Globo!!! Não só da Globo, mas passou pela redação de quase todos os grandes grupos de mídia do Brasil. Esse homem era um “jornalista respeitado” que falava sobre política aos brasileiros no jornal mais importante da TV nacional.
(Bônus: sua sucessora como ministra da SECOM no governo Dilma foi Helena Chagas, também jornalista política da Rede Globo).
É essa gente que escreve e comenta as notícias políticas para vocês. São esses aí que se colocam como mídia isenta. É essa mídia que é chamada pelos mortadelas – e por Lula, diante de moro – de ” mídia de direita golpista” em um teatrinho infantil.
Você tem que ser muito palhaço para acreditar no que lê nos jornais.
O que dizer de um jornalista que tinha por objetivo nos transformar em uma ditadura?
Isto define essa figura monstruosa que atende por Franklin Martins. 
Mas é preciso tomar cuidado: vários outros iguais a ele estão encastelados em vários grandes órgãos de mídia. 
Assim como já ocorre nos Estados Unidos, a grande mídia é uma inimiga da liberdade e tudo fará para nos ver escravizados. 
Fique de olho.

conteúdo: noticiasbrasilonline

A LEI DO CONTRAPASSO

Guido Mantega disse à Folha de S. Paulo que, depois da Lava Jato, sua vida “virou um inferno”.
Ele explicou:
“Eu me sinto terrível porque minha reputação foi colocada por água abaixo. A repercussão foi péssima, péssima. Passei a ter problemas em restaurantes, no hospital. Não posso ter uma vida normal. É uma humilhação ser chamado de ladrão. Eu poderia ter começado a dar palestras, consultorias. Criei um nome lá fora, fiz o Brasil ser respeitado. E acabei jogado nessa vala. A essa altura dos acontecimentos, depois de trabalhar tantos anos para o governo, depois de ter tantos resultados, eu não esperava. Realmente eu não esperava”.
O Antagonista pode revelar um segredo a Guido Mantega: sua vida vai piorar.

O PÓS-JORNALISMO

Guido Mantega quebrou o Brasil e arrecadou propina para Lula e Dilma Rousseff.
Ele ainda pode contar, porém, com espaço na Folha de S. Paulo.
Nesta segunda-feira, entrevistado por Monica Bergamo, ele acusou a Lava Jato de extorquir confissões dos delatores e usou o câncer de sua mulher para se vitimizar.
Leia um trecho:
Marcelo Odebrecht diz que, na negociação do Refis, em 2009, o senhor entregou "um papelzinho" com pedido de R$ 50 milhões.
Isso não ocorreu. É mentira do Marcelo. Ele é um ficcionista. Ele criou uma história. E ela é totalmente inverossímil, pelo que já te mostrei.
Mas por que ele, que se mentir perde os benefícios de uma delação premiada, inventaria isso contra o senhor?
Porque, para você conseguir uma delação, tem que entregar pessoas do alto escalão do governo. Um ou dois presidentes e um ou dois ministros. De certa forma é uma exigência. E aí fala do ministro sem provas. Porque não faz sentido essa questão do Refis.
Mônica Moura, mulher e sócia de João Santana, diz que também tratava com o senhor sobre pagamentos para a campanha eleitoral.
Eu dialogava com a Mônica e com o João Santana. Eles eram marqueteiros das campanhas do PT desde 2006, e eu era ministro da Fazenda desde 2006. Algumas vezes a Mônica me abordou. Ela se queixava: "Tá faltando dinheiro". Eu respondia: "Fala com o tesoureiro do partido. Eu sou o ministro da Fazenda, eu cuido da economia do país e não dessa questão".
A razão dela é a mesma, a meu ver, do Marcelo. Ou seja, para fazer uma delação ela precisava entregar alguém de importância.

Wagner passa recado, mas sem acusar

Jaques Wagner disse que não tem medo de uma delação de Antônio Palocci:
"Eu não tenho temor nenhum. Quem pode ter temor é quem se relacionou com ele e que eventualmente tenha algo a esconder. Eu pessoalmente não tenho. Ele como ministro da Fazenda se relacionava muito com o setor financeiro, mas eu não estou acusando ninguém, não estou dizendo que a delação vai por aí. Eu sinceramente não sei."
Jaques Wagner passou recado, mas sem acusar ninguém.

Lula será denunciado mais uma vez

A Lava Jato prepara mais um inquérito sobre Lula.
De acordo com o Estadão, seu encontro com Renato Duque no aeroporto de Congonhas e o relato de Léo Pinheiro de que ele mandou o empreiteiro destruir provas “devem resultar em novo inquérito contra Lula, em Curitiba, e, consequentemente, em mais uma denúncia criminal”.

Iolanda demolida

Guido Mantega ainda pode contar com entrevistas como a dada a Monica Bergamo.
Mas o editorial da Folha de S. Paulo mostra que ninguém mais acredita na honestidade de Dilma Rousseff:
Deposta da Presidência sob acusações de fraudes na gestão do Orçamento, a petista Dilma Rousseff tinha à sua disposição o expediente retórico de apontar que, ao contrário de boa parte de seus algozes no Congresso, não era suspeita de envolvimento com o esquema investigado pela Lava Jato.
Tal recurso de defesa política foi demolido, no entanto, com os depoimentos do marqueteiro João Santana e de sua mulher, a empresária Mônica Moura —em especial, com o espantoso relato desta sobre mensagens eletrônicas que recebia da ex-presidente (…).
É a imagem da ex-presidente, portanto, que sofre o maior abalo com as novas informações. Este não é o momento de condenar, mas de esclarecer suspeitas, que estão entre as mais graves do vasto histórico de escândalos do petismo.

A terceira denúncia (ou quarta)

Lula tentou obstruir a Lava Jato.
Será sua terceira denúncia em Curitiba, de acordo com o Estadão. Ou quarta, dependendo do inquérito sobre o sítio em Atibaia.
Diz a reportagem:
“O depoimento de Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz federal Sérgio Moro, nesta quarta-feira, 10, reforçou os indícios reunidos por investigadores da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, de atuação do ex-presidente em atos de obstrução à justiça no maior escândalo de corrupção do Brasil.
A força-tarefa da Lava Jato avalia existirem elementos de prova de que Lula, ao longo dos três anos de investigações ostensivas, buscou obstruir o trabalho de investigadores e da Justiça, com episódios que envolvem suposta destruição de provas e intimidação de autoridades e testemunhas do processo”.

Lula tenso mente melhor

Uma grande mentira que levou à renúncia de um presidente. Esse pode ser o resumo do escândalo político chamado de Watergate, que envolveu o norte-americano Richard Nixon em uma trama astuciosa nos anos 70.
Em junho de 1972, cinco pessoas foram detidas ao tentarem fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta em telefones do escritório do Partido Democrata, no Hotel Watergate, nos Estados Unidos. Depois de alguns meses de investigação jornalística, ficou claro que os homens haviam sido enviados por autoridades próximas ao presidente Richard Nixon.
Mas restava saber se Nixon sabia ou não do ocorrido ou mesmo se havia ordenado a espionagem. A princípio, Nixon obviamente negou qualquer envolvimento.
Porém, a verdade veio à tona mais tarde. Gravações de conversas privadas na Casa Branca surgiram, demonstrando que o presidente sabia mais do que dizia saber sobre o caso. Em agosto de 1974, quando já havia muitas provas que ligavam a espionagem a Nixon, ele renunciou à presidência, sendo substituído por Gerald Ford, seu vice.
Um dos grandes protagonistas do caso foi um informante, que ficou conhecido como Garganta Profunda. Foi ele que contou que Nixon sabia da tentativa de espionagem. A identidade do informante só foi conhecida em 2005, quando William Mark Felt, na época da denúncia vice-presidente do FBI, revelou a ajuda aos jornalistas.
Essa é mais uma história que mostra como, para muitas pessoas, o ato de mentir pode parecer normal, mas as consequências também podem ser gravíssimas.  Nos tribunais do júri, as mentiras que são aceitas como verdades libertam ou aprisionam.
Lula esteve frente a frente com o juiz Sergio Moro pela primeira vez nesta semana. E não hesitou em mentir. Frases e construções evidentemente absurdas viraram motivo de piada nas redes sociais.
“Tudo o que eu sei da Petrobras é pela imprensa”
“O senhor se sente responsável por 600 milhões de pessoas que já perderam o emprego no setor de óleo, gás e construção civil?” (O valor corresponde a três vezes a população brasileira.)
“Eu não sabia que ela tinha ido [novamente ao Guarujá, depois de anunciada a desistência]. Não sei se o senhor tem mulher. Nem sempre elas perguntam para a gente o que elas vão fazer”.
Para o delegado licenciado da Polícia Federal Jorge Pontes, “quando Lula confirma que buscou Renato Duque para apenas perguntá-lo se este mantinha conta no exterior, ele se incrimina totalmente e se descortina apenas como um chefão preocupado com a possível existência de evidências contra o esquema que comandou.”
Mas, para além disso, há um aspecto ainda pior.
A jurisprudência brasileira não prevê punição a réus que mintam em depoimentos à Justiça. Ou seja, no Brasil, a mentira é considerada uma forma de direito à defesa.
Talvez seja por isso que Lula, embora tenso, tenha mentido melhor.
Elisa Robson 

Os números da ORCRIM

Os grandes jornais fizeram neste domingo resumos com estatísticas variadas sobre os efeitos da Lava Jato.

O Antagonista resume os resumos.
A Folha procurou os 84 congressistas investigados na operação.
"Ao todo, 54 deputados e senadores disseram não acreditar que serão alvos de processo de cassação. Outros 30 não quiseram se manifestar."
Os demais dados são:
– 50 (de 60 que responderam) vão tentar reeleição ou outro cargo.
– 21 (de 38) veem abuso na atuação de Sérgio Moro.
– 24 (de 48) enxergam problemas na atuação do Ministério Público.
O Estadão verificou "que a Odebrecht corrompeu todo o Brasil".
"Os 26 Estados do País e o Distrito Federal têm políticos locais na lista do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), ou receberam pedidos de investigação relacionados ao acordo de colaboração."
Mais:
"Dos 215 pedidos de investigação enviados para outros Estados, o maior número (48) foi remetido à Justiça Federal no Paraná, base da Lava Jato. A maioria trata de desvio de recursos da Petrobrás e ficará sob a tutela do juiz Sérgio Moro, em Curitiba." Incluindo ao menos cinco sobre Lula.
O Globo observou que, em 24 dias, quatro delatores fragilizaram as teses de Lula e Dilma Rousseff.
O Antagonista relembra quem é cada um deles e as frases mais marcantes que atribuíram à dupla petista.
– Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS:
"Se tiver, destrua." (Lula, pedindo destruição de provas)
– Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras:
"Se tiver alguma coisa, não pode ter. Não pode ter nada no teu nome, entendeu?" (Lula, idem)
– João Santana e Mônica Moura, casal de marqueteiros:
"O seu grande amigo está muito doente, os médicos consideram que o risco é máximo e o pior, a esposa dele, que sempre tratou dele, agora também está doente. Com o mesmo risco, os médicos acompanham dia e noite." (Dilma Rousseff, avisando em código terrorista sobre a prisão iminente de Santana e Mônica)
conteúdo; O Antagonista

União da Juventude Socialista requisitou avião da FAB para ir à Rússia

O presidente da União da Juventude Socialista, Thiago Alencar, ligado ao PCdoB, pediu oficialmente ao Itamaraty que cedesse um avião da FAB para transportar sua turma para o Festival Mundial da Juventude que se realizará em outubro na Rússia, durante as comemorações dos 100 anos da Revolução Russa. 

A resposta? NÃO.

domingo, 14 de maio de 2017

‘Dilma não confia em ninguém e acha todo mundo burro’, diz delatora

A delação premiada de Mônica Moura revela detalhes da convivência da petista com a empresária e seu marido, o marqueteiro João Santana

Dilma Rousseff era uma presidente da República que não confiava em ninguém e achava todo mundo “burro”, disse em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) a empresária Mônica Moura. A delação premiada de Mônica revela detalhes da convivência da petista com a empresária e seu marido, o marqueteiro João Santana – o casal foi responsável pelas campanhas do PT à Presidência da República em 2006, 2010 e 2014.

“A Dilma não confia em ninguém e tem um problema grave: ela não confia na capacidade de ninguém. Ela acha que todo mundo é burro, é incapaz”, disse Mônica aos procuradores.
“Ela se cercava de um monte de gente – não quero ser grosseira – , mas de gente sem capacidade, porque é aquele tipo de pessoa que não confia nas pessoas: não se cerca de gente brilhante, porque tem medo de ser ofuscada, entendeu?”, completou.
A relação de Dilma com João Santana era diferente, frisou Mônica, já que a petista tinha confiança na capacidade do marqueteiro de “pensar”. Além de dar conselhos à então presidente, João elaborava discursos em rede nacional de rádio e televisão – um palanque eletrônico usado com frequência para anunciar medidas de impacto – e batizava programas do governo petista. “Ela recorria a ele sempre”, afirmou Mônica.
Segundo a empresária, o casal não cobrava pelo trabalho nos pronunciamentos, apenas repassando para a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República os custos de produção com a equipe, luz e câmera. A logomarca criada por João Santana ao governo Dilma foi um “presente”.
Sobre a primeira campanha de Dilma à Presidência, em 2010, a empresária reconheceu que foi uma eleição “dificílima”, já que todo mundo apostava na derrota da petista. “Era impossível, um poste realmente pra eleger”, admitiu.
De acordo com a delatora, João Santana era tão influente no governo que Mangabeira Unger, na época ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, recorria ao marqueteiro para conseguir uma agenda com Dilma Rousseff durante o segundo mandato.
‘Pátria educadora’. Na época, Mangabeira estava cuidando do programa “Pátria Educadora”, mote da segunda gestão de Dilma, e se envolveu nos bastidores numa disputa de protagonismo político com o Planalto e o então ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro.
“O Mangabeira chegava ao ponto de pedir ao João que conseguisse que a Dilma recebesse ele. E a Dilma, ‘Eca’, ‘Ai que saco’, ‘Ele é chato, eu não quero’, ‘Eu não guento'”, relatou a delatora.
Os problemas de Mangabeira se agravaram quando ele decidiu incluir no programa uma proposta de diretrizes curriculares para a Base Nacional Comum da Educação, que define o que se espera que alunos aprendam em cada etapa da educação básica. “Autoritário” e “megalomaníaco” foram alguns dos adjetivos usados pela cúpula palaciana para descrever a atuação de Mangabeira à frente da pasta.
Isolado do governo, Mangabeira acabou entregando a sua carta de demissão em setembro de 2015. Procurada pela reportagem, a assessoria de Dilma disse que não se pronunciaria.
conteúdo: Estadão

Lula recebeu alerta sobre corrupção na Petrobras ainda no seu governo

Embora tenha afirmado perante o juiz Sergio Moro que demitiria toda a direção da Petrobras caso alguém o informasse sobre a existência de um esquema de corrupção na estatal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu importantes alertas, ainda no exercício do mandato, de práticas suspeitas na companhia, mas não agiu. 

No interrogatório da última quarta-feira, na sede da Justiça Federal em Curitiba, questionado pelo procurador Roberson Pozzobon, que perguntou se ele tinha conhecimento de corrupção na Petrobras e de repasse de dinheiro ao PT, Lula falou:

— Se, em algum momento, um dos 204 milhões de brasileiros chegasse ao presidente da República e dissesse "tem um esquema de propina na Petrobras", seria mandada embora a diretoria inteira da Petrobras — disparou Lula.

Mas houve avisos, inclusive oficiais. Em 2009, quatro obras da petroleira foram incluídas pelo Congresso numa lista de 24 projetos que deveriam ficar fora do Orçamento de 2010, sem verba, por terem sido flagradas com indícios de graves irregularidades em auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU). Em todos os casos, a suspeita era a mesma: preço muito acima do inicialmente orçado. Mas, no lugar de aceitar a decisão da Comissão Mista de Orçamento e determinar investigação na estatal, Lula vetou a inclusão das obras da Petrobras na lista e liberou os recursos. O ex-presidente alegou que a paralisação acarretaria em prejuízos e desemprego.

Das quatro obras liberadas pelo veto de Lula, três foram flagradas na Lava-Jato. Uma é a Refinaria Abreu e Lima, uma espécie de ícone da corrupção na estatal: de um custo inicial de US$ 2,4 bilhões, já ultrapassou US$ 23 bilhões; mesmo que opere à plena capacidade durante toda sua vida útil, deve ser deficitária. As outras duas são o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a modernização da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. A quarta obra da lista era a implantação de um terminal em Barra do Riacho, no Espírito Santo, que, até agora, não apareceu nas investigações.

TCU QUESTIONOU TRANSPARÊNCIA NA PETROBRAS

Em 2009, os investimentos da Petrobras alcançavam R$ 44 bilhões, quase 60% do orçamento do Ministério das Minas e Energia. Além do sobrepreço, o TCU apontou ainda valores de referência inflados e pagamentos questionáveis, como o custo determinado para equipamentos parados ou em serviço.

Não bastasse isso, o TCU registrou em seus relatórios de 2009 enorme dificuldade de acesso aos documentos de licitações e valores contratados, que não foram fornecidos pela Petrobras. O órgão relatou obstrução dos trabalhos de fiscalização e chegou a convocar o então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, para tentar obter as informações.

Naquele ano, a Refinaria Abreu e Lima estava só no começo. Os contratos somavam R$ 2,77 bilhões, mas o TCU só conseguiu analisar quatro deles, uma amostra de apenas R$ 347 milhões. Ainda assim, o sobrepreço identificado foi de R$ 121,6 milhões. No relatório da obra, o órgão afirmou que, enquanto a estatal lhe informava que a refinaria custaria US$ 4,05 bilhões, no site do governo federal o investimento estimado chegava a US$ 23 bilhões.

No contrato da Repar, refinaria que estava sendo modernizada, o TCU descobriu que o "preço secreto" da Petrobras, que serve como referência para avaliar as ofertas nas licitações, havia sido inflado, contaminando todos os contratos. Em R$ 8,6 bilhões de contratos analisados, o sobrepreço alcançava R$ 4,04 bilhões. "O cálculo do sobrepreço permite concluir que esse valor (da obra) pode ser reduzido à metade. A economia da metade desse valor seria seis bilhões de reais", afirmou em relatório.

Numa foto que mostra o Centro Integrado da Repar, anexa ao relatório, o TCU afirmava que o metro quadrado do prédio custou R$ 14 mil, enquanto um bom imóvel no centro de Curitiba custasse R$ 2 mil por metro quadrado. A Rodovia do Xisto, de acesso à refinaria, segundo o TCU, chegou a custar 164% a mais do que obras similares do DNIT, o departamento de obras rodoviárias do Ministério dos Transportes.

DUQUE E BARUSCO RESPONSÁVEIS POR LICITAÇÕES

Entre os responsáveis pelas licitações, estavam Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal condenado a 51 anos de prisão na Lava-Jato, e o ex-gerente Pedro Barusco, que se tornou delator e devolveu quase US$ 100 milhões que arrecadou em propina. Ambos atuaram para o PT, de acordo com suas delações. Outro citado nas auditorias foi Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento que afirma ter arrecadado dinheiro para o PP.

No terminal Barra do Riacho, o TCU classificou a gestão da obra como temerária. Os quatro projetos da Petrobras foram parar na lista das obras com graves indícios de irregularidades, encaminhada ao Congresso, a quem cabe analisar o Orçamento da União.

Na reunião da Comissão Mista de Orçamento, que decidiria se as obras deveriam ou não receber recursos, senadores protestavam pois a Petrobras fez com a comissão o mesmo que fizera com o TCU: não levou à reunião as informações que poderiam indicar a existência de ilícitos.

— Nós precisamos que a Petrobras preste esclarecimentos não apenas ao TCU, mas, diante do que diz o TCU, preste esclarecimentos aos parlamentares nesta reunião porque nós precisamos tomar uma decisão — reclamou, à época, o ex-senador Almeida Lima (PMDB-SE), presidente da comissão.

Como não obtiveram informações detalhadas, os parlamentares acabaram incorporando o Comperj à lista inicialmente formada por somente três obras, todas com sobrepreços generalizados.

À época, o TCU apontava sobrepreço de R$ 140 milhões no Comperj. O pagamento por dias parados durante a terraplanagem alcançava R$ 151 milhões. O TCU chegou a afirmar que não era "de estranhar" que apenas 26,86% dos serviços tivessem sido executados porque o consórcio estava auferindo lucro muito maior com a verba indenizatória por paralisações do que pela execução da obra.

Todas as suspeitas, questionadas diretamente à empresa, não influenciavam o julgamento de Lula, que, em 2010, dizia conhecer bem as contas da companhia, a ponto de discursar, no batismo da plataforma P-57 da Petrobras, em Angra dos Reis.

— Houve um tempo em que a diretoria da Petrobras achava que o Brasil pertencia à Petrobras, e não a Petrobras ao Brasil. A ponto de ter presidente que dizia que era uma caixa preta. No nosso governo é uma caixa branca e transparente, nem tão assim, mas é transparente. A gente sabe o que acontece lá dentro e a gente decide muitas das coisas que ela vai fazer — afirmou o presidente.

A defesa de Lula não quis se manifestar. Luís Adams, chefe da Advocacia-Geral da União na época, afirmou que as discussões com a Petrobras eram sempre difíceis, pois a estatal alegava sigilo comercial para não apresentar todas as informações, já que é empresa de economia mista. Além disso, também era questionada a tabela de preços de mercado usada pelo TCU, pois a empresa alegava que os preços variavam de acordo com o local da obra e tinha suas próprias tabelas de referência.


'Eu confio no Palocci. Duvido que ele vá dizer que o Lula mandou fazer alguma coisa', diz Gilberto Carvalho

"Acho bom todo mundo fazer delação logo. Para acabar com esse sofrimento de uma vez". O desabafo é do ex-ministro Gilberto Carvalho, principal escudeiro de Lula em seus oito anos de governo. Na tarde de sexta-feira, ele parecia abatido com a confirmação de que Antonio Palocci será o próximo a entregar ex-companheiros à Lava Jato.

Um ano depois do impeachment, o PT voltou a viver uma semana de péssimas notícias. Na quarta, Lula teve que se sentar no banco dos réus em Curitiba. Na quinta, ele e Dilma Rousseff foram fritados por seus marqueteiros de campanha. Na sexta, seu ex-ministro da Fazenda deu a partida para mais uma delação.

"Eu confio no Palocci. Duvido que ele vá dizer que o Lula mandou fazer alguma coisa", disse Carvalho. "O Lula nunca quis saber de dinheiro. Ele dizia: 'Tem coisa que eu não quero saber. Eu não quero saber'".

Perguntei por que o ex-presidente se recusaria a conhecer a origem do dinheiro que bancava suas campanhas. "O candidato não pode fazer tudo. É claro que ele espera que ninguém faça bobagem", respondeu.

Que tipo de bobagem? O petista esclareceu que se referia a caixa dois. "É um erro gravíssimo que nós cometemos. Nós seguimos um padrão que condenávamos", disse. Lembrei que o PT já havia confessado o crime no mensalão, mas voltou a praticá-lo nas eleições seguintes. "Foi repetido. Infelizmente", afirmou Carvalho.

O ex-ministro disse que as acusações contra Lula são "ridículas" e que a Lava Jato abusa da prisão preventiva para forçar os réus a delatar. "É uma forma de tortura. Se o cara não confirma a tese dos procuradores, passa a ser visto como inimigo."

Carvalho definiu a delação dos marqueteiros como "uma tragédia". "O João Santana não vai destruir o PT. Mas é claro que isso nos prejudica", reconheceu. "O imperdoável é o cara mentir. Eu não perdoo, mas tenho um grau de compreensão pela tortura que ele sofreu. O que sinto é um misto de tristeza e decepção".

POPULISMO BEBERRÃO DE MENTIRAS - REFLEXÕES SÓBRIAS

No último fim de semana de abril, dois textos me chamaram a atenção. Um deles é do jornalista que assina a segunda página do jornal Zero Hora. As opiniões de Tulio Milman tendem para a esquerda. É um dos tantos que, convictamente, ajudaram a pavimentar o acesso petista ao poder. Na referida coluna, porém, Tulio Milman confessa seu erro afirmando que "os grevistas não sabem, mas é contra Lula que estão protestando". Extraio do texto o seguinte segmento:
"A realidade só se revelou mais tarde, com o colapso ético e prático de um modelo corrupto e irresponsável, onde a gastança do dinheiro público e o descontrole geravam a ilusão de abundância. Qualquer modelo de desenvolvimento econômico só é eficiente se for sustentável. Não foi o que aconteceu. Difícil é explicar para milhões de brasileiros acostumados ao paternalismo e ao messianismo político.
Os anos de Lula e de PT não foram de prosperidade. Foram de irresponsabilidade e de desmando. Geraram um gigantesco passivo econômico e social. Os 14 milhões de desempregados no Brasil são a herança viva desse delírio, no qual muita gente, inclusive eu, embarcou. Cheguei a acreditar que Lula era uma solução viável de diálogo entre opostos. Na verdade, era apenas um monólogo sedutor e vazio."
Como se percebe, o jornalista está falando sobre a perigosa sedução do populismo, que, entre outras sinistras emanações, se expressa em paternalismo e messianismo, nos quais ele confessa haver embarcado e dos quais desembarca à vista do desastre social, econômico, político e fiscal a que nos conduziram.
O outro artigo é do filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp, e foi publicado no Estadão do dia 29/04. Aborda a impropriedade do uso do vocábulo "bolivarianismo" para designar o sanatório político que está varrendo a Venezuela para o monturo ideológico onde jazem Cuba e Coreia do Norte. Desse mal, Simón Bolívar é inocente. Nas primeiras linhas, porém, Roberto Romano fez estas interessantes observações sobre populismo:
"O elogio da ignorância, no Brasil, resulta de uma síntese efetuada por intelectuais, políticos, clérigos. Tal operação tem nome comum: populismo. Não se trata apenas de ideologia, existem populistas de esquerda, de direita, católicos, protestantes, muçulmanos. A demagogia, doença antiga, já na Grécia democrática recebeu seu nome de batismo. Após a queda do Império Romano, o apelo ao povo como árbitro supremo de todo poder e saber definiu movimentos de massa, fracassados ou bem-sucedidos. O romântico Michelet evoca a chusma popular como figura Christi, presença do Messias.
O populismo recusa a pesquisa para a descoberta do verdadeiro. A sua demagogia reúne em poucos chavões um arsenal tosco de propaganda. Os totalitarismos do século 20 levaram tal política ao absurdo. Goebbels, de um lado, os “jornalistas” do Pravda, de outro, abusaram do populismo em doses diárias, sorvidas pela multidão em padrões pantagruélicos. Afinal, “engolimos avidamente a mentira que nos lisonjeia, bebemos gota a gota a verdade que nos amargura” (Diderot)."
Agora, afirmo eu: no Brasil destes últimos 30 anos, a desgraça populista escolheu um partido para chocar seus ovos, se reproduzir e alcançar o poder. No caminho, arrastou setores expressivos da Igreja Católica, da mídia, do meio acadêmico, contaminando a alma do povo brasileiro. Agora, combate toda tentativa de estabelecer algum realismo na gestão do Estado e, através de seu mais tonitruante porta-voz, ameaça voltar ao poder. Só o Brasil sensato, formado majoritariamente por liberais e conservadores, por pessoas realistas, enfim, pode deter o avanço populista que - mau caráter e beberrão de mentiras como é - pisa no acelerador em tempos difíceis.
Percival Puggina

Sócios da Odebrecht voltam a depor sobre Lula a procuradores



Emilio Odebrecht, patriarca da empresa que leva seu sobrenome, seu herdeiro Marcelo e o ex-diretor de relações institucionais da empreiteira Alexandrino Alencar voltaram a depor para a força-tarefa da Lava Jato.

Os três assinaram acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, homologado pela presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia em janeiro deste ano.

Emílio, Marcelo e Alexandrino foram convocados a depor novamente para dar mais detalhes sobre assuntos referentes a investigações envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Emílio e Alexandrino viajaram até Curitiba, há 15 dias, para falar com os procuradores. Marcelo está preso na Superintendência da Polícia Federal, na capital paranaense.


Fontes ouvidas pela reportagem disseram que os três tiveram de dar mais detalhes sobre as reformas no sítio Santa Barbara, em Atibaia (SP), frequentado pela família Lula. A propriedade rural pertence formalmente a Jonas Suassuna e Fernando Bittar, amigos de Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente.

A Odebrecht participou de uma reforma nas dependências do sítio, em 2010, no final do último ano do mandato de Lula. A empresa gastou, segundo os delatores, mais de R$ 1 milhão em obras no local. A empresa fez os trabalhos em um mês. A reforma do sítio foi tema da delação dos três empreiteiros.

Os delatores também tiveram que complementar os depoimentos que fizeram sobre a contratação pela Odebrecht da empresa Exergia Brasil, que pertence a Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho da primeira mulher de Lula.

Executivos da Odebrecht afirmaram que o ex-presidente intermediou negócio da construtora com empresa do sobrinho Taiguara, no âmbito de contratos em Angola, com financiamento do BNDES.

Os delatores afirmam porém que, apesar de a Odebrecht ter contratado a firma de Taiguara a pedido de Lula, os serviços foram efetivamente prestados pela empresa. De acordo com a delação de Marcelo Odebrecht, o parente de Lula criou a Exergia sem experiência na área de construção e somente para fazer uso da influência de Lula.

Esta é a primeira vez que se tem notícia de que delatores da Odebrecht estejam complementando depoimentos prestados na delação. Os últimos depoimentos haviam acontecido em 25 de janeiro, cinco dias antes da

OUTRO LADO

Lula tem negado todas as acusações. Em nota, seu advogado Cristiano Zanin afirma que "Lula é inocente como demonstraram as inúmeras testemunhas já ouvidas com o compromisso de dizer a verdade".

"A Lava Jato investe numa fábrica de delatores para falarem o nome de Lula em troca de vantajosos benefícios. Mas a palavra de delator não tem valor de prova, segundo a lei, ao contrário da palavra de testemunhas", diz.

A Odebrecht disse que "entende que é de responsabilidade da Justiça a avaliação de relatos específicos feitos pelos seus executivos e ex-executivos". Acrescentou que "a empresa está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um acordo de leniência e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas".


Trechos de delação da Odebrecht que citam o Judiciário estão, sob sigilo, nas mãos de Fachin

O ministro Edson Fachin tem, sob sua guarda, termos da delação da Odebrecht ainda sigilosos que envolvem integrantes de diversas esferas do Judiciário. As informações prestadas por delatores da empreiteira sobre nomes da Justiça e de alguns de seus parentes estão entre os 25 pedidos de inquérito formulados pela Procuradoria-Geral da República que ainda não foram divulgados pelo relator da Lava Jato no STF. Os documentos já despertam insegurança no STJ e no TCU, por exemplo.

A relatoria da Operação Lava Jato fez com que Fachin mudasse não só seus hábitos pessoais, como também o esquema de compartilhamento de informações dentro de seu gabinete.

O ministro, famoso pelos costumes simples, não almoça mais com a mesma frequência no bandejão do Supremo. A segurança da corte também ampliou o esquema de proteção a Fachin em áreas públicas, como aeroportos.

O magistrado agora só embarca em aeronaves direto na pista de decolagem, sem circular pelos saguões. Seu apartamento em Brasília e sua residência em Curitiba também tiveram os serviços de proteção revisados e ampliados.


E LULA ACORDOU NUM SÍTIO QUE NÃO ERA DELE

Para contar desde o começo essa história do sítio de onde Lula se autodespejou, eu preciso começar por seu personagem mais estranho - Fernando Bittar. Ele é dono de um local aprazível onde não chegava telefonia celular. A propriedade precisava de cuidados e reformas para cuja execução não dispunha de renda suficiente. Mas não se deixou abater por isso.
 Disposto a transformar o Santa Bárbara num pequeno paraíso serrano, para onde nunca ia nem iria, o remediado Bittar, em vez de pedir orçamento para três empreiteiros e escolher o de menor preço, como faríamos nós, perguntou a seus universitários botões: qual é a maior empreiteira do país, universitários? E os botões, em coro lhe responderam: a Odebrecht. Não havendo discordância entre os informantes, Fernando decide. Que seja a Odebrecht.
 A poderosa construtora de hidroelétricas, portos e rodovias, despacha engenheiros para Atibaia. E a obra foi feita, ficando pronta bem antes da Linha 6 do metrô de São Paulo. Mas faltavam detalhes. Se alguma vez na vida você tentou falar com empresa de telefonia celular por telefone, deve saber o quanto isso é difícil. Imagine, então, conseguir dela a instalação de uma torre, só para você, em meio aos matagais e matacões de despovoada serra. Impossível? Não ao Fernando. Ele ligou para a OI e conseguiu sua torre. Também a velha cozinha não estava legal. Era preciso melhorar aquela parte da casa. Para a impressionante e complexa tarefa, nosso herói chamou outra grande empreiteira, a OAS, terceira no ranking das maiores do país.
Agora, pasmem. Quando tudo ficou pronto, num lance de fazer inveja a João Pedro Stédile, o ex-presidente Lula irrompe no Santa Bárbara, sem foices nem bandeiras vermelhas, com aquela entourage que a nação lhe disponibiliza vitaliciamente para que nunca mais na vida necessite ir até a adega buscar uma garrafa. E de tudo, a partir daí, usou e abusou em 111 visitas até seu autodespejo.
Gostaria de haver assistido aquela alvorada de uma nova consciência na alma de Lula. Só pode ter sido algo assim. Veja se não. Ele acordou, esfregou os olhos, contemplou assustado seu entorno, sacudiu a galega até despertá-la e disparou: "O que estamos fazendo aqui, mulher? Não me chamo Fernando e não moro em Atibaia! Vamos embora deste lugar!". E se foram para nunca mais voltar.
Nem Luiz Inácio, nem Fernando. Só alguns milhares de garrafas de vinhos finos, se não resgatadas, dormem serenas na fria encosta da Serra do Itapetinga.

Percival Puggina

UMA RUÍNA MORAL

Quanto mais Lula se desdobra em artifícios retóricos, como quem trata de escapar, em ziguezague, da artilharia dos fatos, mais parecido fica com o que se empenha em afirmar que não é. Assistindo trechos de sua inquirição perante o juiz Sérgio Moro, lembrei-me de uma entrevista dele, em Portugal, à jornalista Cristina Esteves, da RTP, em abril de 2014. Nos últimos momentos da conversa, veio uma pergunta sobre o mensalão. A resposta de Lula tem tudo a ver com seu comportamento dia 10 em Curitiba. Transcrevo: "O tempo vai se encarregar de provar que o mensalão teve praticamente 80% de decisão política e 20% de decisão jurídica. O que eu acho é que não houve mensalão. Também não vou ficar discutindo decisão da Suprema Corte. Mas esse processo foi um massacre que visava destruir o PT e não conseguiu". Em sequência, questionado sobre o fato de estarem detidas pessoas próximas a ele - como o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado José Genoino - saltou fora. "Não se trata de gente da minha confiança. Tem companheiros do PT presos".
Esse "tchau queridos", proclamado em Lisboa, antecedeu o "tchau querida" do telefonema sobre a mensagem do Bessil; antecedeu o abandono dos parceiros encarcerados posteriormente, a quem e sobre quem nada tem a dizer; e antecedeu a tentativa de transformar a pacata Marisa Letícia em condutora de providências escandalosas que ele não tem como explicar e que com ela sepultou.
Eis o homem que governou o país sem ninguém de sua confiança por perto, cuja proximidade funcionava como um toque de Midas, gerando inesperadas fortunas, mesadas, pensões, negócios, a quem os amigos davam tudo e que nega lhes haver alcançado a menor vantagem. Eis o homem que se agita no partidor, disposto a concorrer à presidência. Sua anunciada campanha para desfazer as intrigas do mensalão e sua convicção sobre a natureza política do referido processo nunca passaram de peças de discurso.
Tudo isso porque a Lula não interessam os fatos. Os desarranjos políticos, econômicos e sociais a que dá causa se agravam e prolongam precisamente porque sua conduta contamina o juízo e o discernimento moral de dezenas de milhões de pessoas. A exemplo dos grandes ícones do populismo, ele trata o povo que o segue como massa da qual usa e abusa para objetivos pessoais, subtraindo do repertório mental dessas multidões valores sem os quais é impossível operar adequadamente uma democracia constitucional. Os recentes atos de violência contra o direito de ir e vir, a queima de pneus e de ônibus, o abandono de preceitos essenciais à vida civilizada e os anátemas lançados contra a Lava Jato são consequências do que acabei de descrever.
A patética inquirição levada a cabo em Curitiba pode ser parodiada com apenas uma frase: "Doutor, vou lhe confessar. Eu não sou eu. Eu sou um amigo meu, que, se conheço, não lembro".
Percival Puggina

Dilma e Lula só estarão seguros na prisão após delação do grupo JBS-Friboi, diz ex-dirigente do PT

A notícia de que a holding brasileira J&F Participações, proprietária da empresa JBS-Friboi, iniciou as tratativas com o MPF (Ministério Público Federal) para negociar o fechamento de acordos de leniência e de delação premiada caiu como uma bomba no PT neste final de semana. As informações sobre a tentativa de um acordo do Grupo foram publicadas pelo jornal “ Folha de S.Paulo ” e deixou a cúpula do PT em polvorosa. Após o depoimento devastador do casal de marqueteiros do partido, João Santana e Monica Moura, após a informação de que o ex­-ministro da Fazenda Antonio Palocci retomou seu acordo de delação com a Lava Jato, a notícia sobre a delação da JBSFriboi foi definida como fatal para Lula e Dilma. A publicação adiante que pelo menos duas reuniões já foram realizadas entre representantes da JBS e procuradores do MPF. A empresa já teria, inclusive, feito contato com o advogado Luciano Feldens – especialista em delações premiadas e responsável pelo acordo feito por Marcelo Odebrecht. A operação Bullish, deflagrada na semana passada pela Polícia Federal para investigar irregularidades e fraudes em empréstimos concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) precipitou ainda mais o grupo para um acordo rápido. A colaboração com as investigações da PF tornou-­se imprescindível, ante a possibilidade de ver a empresa afundar com a prisão de seus donos e executivos. Lula, Dilma e o PT serão profundamente atingidos pela delação que vem por aí.

"São tantas denúncias graves, que em pouco tempo, o único lugar seguro para Lula, Dilma e muita gente do PT será a prisão. A revolta e a indignação da sociedade com a revelação de tantos crimes perpetrados pelos petistas pode gerar um clima de intolerância acima do razoável ", analisa um ex­dirigente do PT de São Bernardo do Campo, São Paulo. Segundo o jornal, Joesley Batista estaria disposto a assumir os crimes envolvendo Lula e Dilma no BNDES para deixar seu irmão Wesley Batista livre para comandar a empresa. São tantas denúncias graves, que em pouco tempo, o único lugar seguro para Lula, Dilma e muita gente do PT será a prisão. A revolta e a indignação da sociedade com a revelação de tantos crimes perpetrados pelos petistas pode gerar um clima de intolerância acima do razoável.

 Segundo o jornal, Joesley Batista estaria disposto a assumir os crimes envolvendo Lula e Dilma no BNDES para deixar seu irmão Wesley Batista livre para comandar a empresa.


Dilma afirma que não há como provar que ela sabia de propina em sua campanha:" Só eu sabendo o que quem sabe sabe"

Como sempre de forma desastrosa, a ex­-presidente Dilma Rousseff tentou refutar as últimas declarações do casal de marqueteiros João Santana e Monica Moura sobre seu conhecimento dos esquemas criminosos que irrigaram suas campanhas. A petista participou de um evento do PT em Porto Alegre na noite de sexta­-feira (12) ao lado dos senadores do PT Gleisi Hoffmann (PR) e Lindbergh Farias (RJ) e apresentou o esboço de uma narrativa, bastante confusa, sobre a impossibilidade da Justiça provar se ela sabia ou não que se elegeu com dinheiro roubado da Petrobras: "Pra mim provar que eu não sabia [de pagamento de propina e caixa dois] é a prova negativa, é a coisa mais impossível que tem. Só no processo 470 [mensalão] houve essa definição do que era a prova negativa. Como que eu provo que eu não sei? Só eu sabendo o que quem sabe sabe", explicou a petista, que disse que a "segunda etapa do golpe" é a criminalização do PT e dela.


A "criminalização do PT" também é uma alegação recorrente dos petistas, que no entanto, não conseguem explicar como seria possível criminalizar o PT e seus membros, caso estes não tivessem cometido nenhum crime. No caso do PT e de seus membros, eles não estão sendo criminalizados. Seria mais apropriado afirmar que eles próprios se "incriminaram". Os inquéritos decorrentes das delações dos executivos da Odebrecht e do casal de marqueteiros João Santana e Monica Moura já foram remetidos para Curitiba, aos cuidados do juiz federal Sérgio Moro. Quem sabe a petista consegue convencer o responsável pelos processos da Operação Lava Jato que "Só (ela) sabendo o que quem sabe sabe que seria possível provar que ela não sabia de nada". Alguém não entendeu nada um pouco muito?

sábado, 13 de maio de 2017

JEC provoca, mas Moro brinca: "Eu não dei nenhuma cotovelada nele"

Sérgio Moro e José Eduardo Cardozo, como antecipou O Antagonista, dividiram uma mesa redonda neste sábado, no evento Brazil Forum UK 2017, em Londres.
Ecoando a narrativa do PT, Cardozo afirmou, segundo o Valor, que juízes "não são nunca neutros", pois todos têm suas preferências e ideologias, e que é um risco se transformarem em agentes políticos, pois não foram eleitos para ter a devida legitimidade.
Já Moro, em sua palestra, disse que faz apenas uma interpretação ortodoxa do direito penal e que juízes não devem se preocupar com as repercussões políticas de seus julgamentos.
Para ele, o apoio inicial da população aos processos contra a corrupção foi "fundamental para prevenir a obstrução da Justiça" (entendeu, JEC?), mas juízes obviamente não podem julgar casos baseados na opinião pública e sim "nas provas concretas dos processos".
JEC e Moro, acrescenta o jornal, sentaram-se lado a lado na mesa e Moro brincou ao iniciar sua apresentação: "Não sei se as pessoas esperavam algum confronto aqui. Eu não dei nenhuma cotovelada nele".
O Antagonista acha que Moro faz bem em não se preocupar com repercussões petistas.

"Um país de ricos delinquentes"

Luís Roberto Barroso esteve no mesmo evento em Londres do qual participaram Sérgio Moro e JEC.
Ele defendeu o fim do foro privilegiado e uma reforma política que diminua o poder presidencial brasileiro. Sugeriu um modelo próximo do francês -- que é outra porcaria.
Mas o que importa foi o que disse sobre o direito penal brasileiro:
"A verdade é que um direito penal absolutamente incapaz de atingir qualquer pessoa que ganhe mais de cinco salários mínimos criou um país de ricos delinquentes, em que a corrupção passou a ser um meio de vida para muitos e um modo de fazer negócios para outros. Houve um pacto espúrio entre iniciativa privada e setor público para desviar esses recursos. E não é fácil desfazer esse pacto. Qualquer pessoa que esteja assistindo o que se passa no Brasil pode testemunhar."
Completamos: é por isso também que, no Brasil, muito pobre quer ser rico delinquente.

Talvez no desespero, Dilma esclareça JEC

Em Londres, JEC negou que tivesse passado a informação de que Feira e Xepa seriam presos a Dilma Rousseff:
"Talvez no desespero de conseguir redução de pena, ela (Mônica Moura) tenha inventado situações. Eu nunca dei para a presidenta Dilma Rousseff qualquer informação privilegiada, jamais. Nem recebia. Essa informação não o menor amparo na realidade e quem pode responder isso é a Polícia Federal e o Ministério Público."
Talvez no desespero, Dilma esclareça esse ponto sobre JEC.

Dilma deve pensar bem antes de dizer que não usava e-mail falso, recomenda especialista. MPF pode acionar o Google

A ex­-presidente Dilma Rousseff se meteu em uma verdadeira enrascada ao se utilizar de um endereço eletrônico com nome falso para se comunicar com os membros da organização criminosa sobre os avanços das investigações da Operação Lava Jato. 


Os e-­mails atribuídos a ex-­presidente Dilma Roussef pela delatora Mônica Moura são válidos e podem ser rastreado, garante o coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio, Pablo Cerdeira. Segundo o especialista, "tudo que está na internet deixa rastros". 



Neste caso não é diferente, informou o Globo. "Quando a mensagem não vai a lugar nenhum, permanece no rascunho do correio eletrônico, ainda é possível descobrir com mandados de busca e apreensão, segundo Cerdeira. 



Além disso, o Google também tem as informações salvas no rascunho do e-mail". Caso a petista continue negando que recorreu a este tipo de artifício para ocultar suas atividades criminosas, o Ministério Público Federal pode, a qualquer momento da investigação, requisitar ao Google quebra do sigilo eletrônico referente aos e­ mails supostamente usados por Dilma. 



Neste caso, será possível identificar de qual endereço físico a conta foi utilizada. — O Ministério Público pede uma ação cautelar para o Google dizer quais IPs estavam vinculadas a essa conta (de e­-mail). IP é o número único de conexão para internet, que é mais ou menos igual ao CEP. 



O Google vai informar isso. Depois, para saber qual computador estava conectado, vão precisar de outra ordem contra provedores de conexão — afirmou o especialista. 



A defesa de Mônica fez um registro em cartório da existência do e­-mail fictício (iolanda2606@gmail.com) pelo qual ela disse que se comunicava com a ex-­presidente. O registro foi feito em 13 de julho de 2016 em um cartório de Curitiba.