domingo, 30 de julho de 2017

"É verdade", diz Bolsonaro sobre acerto com PEN

Jair Bolsonaro confirmou que acertou sua filiação ao PEN.
"Houve (o acerto). É verdade."
Como nada foi assinado ainda, o deputado brincou:
"É igual a um noivado. Você marcou a data do casamento. Em 99% das vezes, você casa."
O Antagonista conteúdo.

"Quando o juiz decide, avalia as provas diretas e as indiretas", diz Moro

Diz o juiz Sérgio Moro, sobre a análise de provas para a condenação de Lula, em entrevista à Folha:
"Sobre a sentença do ex-presidente, tudo o que eu queria dizer já está na sentença, e não vou fazer comentários. Teoricamente, uma classificação do processo penal é a da prova direta e da prova indireta, que é a tal da prova indiciária. Para ficar num exemplo clássico: uma testemunha que viu um homicídio. É uma prova direta.
Uma prova indireta é alguém que não viu o homicídio, mas viu alguém deixando o local do crime com uma arma fumegando. Ele não presenciou o fato, mas viu algo do qual se infere que a pessoa é culpada. 
Quando o juiz decide, avalia as provas diretas e as indiretas. Não é nada extraordinário em relação ao que acontece no cotidiano das varas criminais.

"O importante é que a legenda é minha", diz Bolsonaro

Sobre seu acerto com o PEN para se candidatar à presidência da República em 2018, diz Jair Bolsonaro:
"O importante é que a legenda é minha. Não vai ter desconfiança em hipótese alguma de alguém trair ali – você sabe bem como funciona a política, não é? 
Nós temos certeza de que vai ter uma enxurrada de filiados ao partido e vai ser no mínimo um partido [de tamanho] médio no ano que vem, se a gente conseguir continuar nessa nossa caminhada. Tem tudo para ser um baita de um casamento.”
O Antagonista conteúdo

"No passado, como regra, o que havia era a impunidade", diz Moro


Sobre a soltura de delatores, disse o juiz Sérgio Moro, em entrevista à Folha:
"A colaboração de criminosos vem com um preço: ele não colabora senão pela obtenção de benefícios. Isso faz parte da natureza da colaboração. Muita gente não tem acordo nenhum, continua respondendo aos processos, alguns foram condenados, estão presos. Essas pessoas também vão sair da prisão um dia. Faz parte do sistema.
O que acho que tem que ser comparado é que, no passado, como regra, o que havia era a impunidade. As pessoas nem sequer sofriam as consequências de seus crimes. 
Em muitos casos, nem sequer eram descobertas. A sensação de impunidade era ainda maior.

Bolsonaro diz que PEN pode virar Prona

Jair Bolsonaro disse que há várias sugestões de novos nomes para o PEN, como, por exemplo:
– Partido da Defesa Nacional;
– Pátria Amada Brasil;
– Prona.
Sobre este último, o deputado ressaltou que o tema já foi conversado com uma das filhas de Enéas Carneiro, fundador do Prona original, e ainda o será com outros familiares do ex-candidato a presidente, "porque a gente não quer ser acusado de estar furtando o nome, então já tem o sinal verde de uma das partes", conforme o site O Antagonista.

"Tornar tudo público protege Lava Jato contra obstrução de Justiça", afirma Sérgio Moro

Sobre ter tornado pública a conversa entre Lula e Dilma Rousseff relativa ao envio do termo de posse do petista como ministro, afirma o juiz Sérgio Moro, em entrevista à Folha:
"A escolha adotada desde o início desse processo era tornar tudo público, desde que isso não fosse prejudicial às investigações. O que aconteceu nesse caso [dos grampos de Dilma e Lula] não foi nada diferente dos demais. As pessoas tinham direito de saber a respeito do conteúdo daqueles diálogos. E por isso que foi tomada a decisão do levantamento do sigilo.
Um efeito indireto ao dar publicidade para esses casos foi proteger as investigações contra interferências indevidas. Afinal de contas, são processos que envolvem pessoas poderosas, política e economicamente. Na prática, pode haver tentativas. Então, tornar tudo público também acaba funcionando como uma espécie de proteção contra qualquer obstrução à Justiça. E isso é muito importante.
Foi seguida a Constituição. Dentro de uma democracia liberal como a nossa, é obrigatório que essas coisas sejam trazidas à luz do dia."

Sergio Moro comenta sobre os políticos brasileiros

“Lamentavelmente, eu vejo uma ausência de um discurso mais vigoroso por parte das autoridades políticas brasileiras em relação ao problema da corrupção.


Fica a impressão de que essa é uma tarefa única e exclusivamente de policiais, procuradores e juízes.

No Brasil, estamos mais preocupados em não retroceder, em evitar medidas legislativas que obstruam as apurações das responsabilidades, do que propriamente em proposições legislativas que diminuam a oportunidade de corrupção”.

Bolsonaro já escolheu partido pelo qual vai se candidatar à Presidência em 2018

“Nós vamos casar logo após o caso Temer” – disse Bolsonaro a amigos, se referindo à votação da denúncia contra o presidente da República na Câmara, que ocorre nesta semana.
Acabou o mistério. O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) irá se filiar ao Partido Ecológico Nacional, o PEN, que é registrado com o número 51. Entretanto, com sua filiação, o partido vai mudar de nome e deverá se chamar Prona (Partido da Reedificação da Ordem Nacional), cujo ex-líder Enéas é admirado pelo deputado, ou Patriotas. 
A mudança de nome é uma mera formalidade e basta uma convenção do partido para a troca se efetivar. 
Por essa nova legenda Bolsonaro irá disputar a presidência da república.

ENQUANTO PT “FLERTA” COM DITADURA, COLUNISTA DA FOLHA “FLERTA” COM INGENUIDADE

Há um tipo de formador de opinião que pulula pela imprensa brasileira: é o “isentão”. Ele até critica a esquerda, mas sempre dando um jeito de defendê-la no processo. É o caso de Helio Schwartsman, da Folha de SP. Sempre educado, e tentando focar em argumentos “científicos”, o fato inegável é que o jornalista carrega em si o ranço esquerdista. Já se encantou com o PT, como confessou outro dia, e pelo visto não foi capaz de fazer o luto completo.
Em sua coluna ele pretende mostrar espanto com a “ala” do PT que ainda defende o regime venezuelano, depois de tudo. A intenção é louvável, e alguns podem achar que eu deveria aplaudir ao menos o esforço. Mas o problema é que o tiro sempre dá um jeito de sair pela culatra. Duvidam? Então veja na largada o deslize:
Lá no comecinho ainda dava para defender o regime de Hugo Chávez. Ele, afinal, chegara ao poder através do voto, em 98, e logo tratou de colocar em prática uma agenda populista, mas que acertava em várias coisas, como a adoção de políticas de redução da pobreza.
Como é?! Acertava em várias coisas, como políticas de redução de pobreza?! Quais?! Onde?! Era pura demagogia, distribuição forçada de renda, populismo, socialismo. E assim eram atacadas essas medidas desde o começo pelos liberais. Desde que me entendo por gente já condeno o chavismo, e fiz inúmeros alertas de que o troço acabaria exatamente como acabou.
Se Helio Schwartsman estava iludido naquela época, ele que faça um mea culpa de que foi bobinho, em vez de tentar justificar o injustificável. Chávez jamais foi defensável, pois desde o começo se mostrou apenas mais um caudilho autoritário e populista, com um discurso igualitário hipócrita que alimentava somente a inveja. Mas piora: não satisfeito com essa concessão, eis o que diz o colunista acerca do PT:
Essa história, porém, só vai até certo ponto. Aos poucos, mudanças cada vez menos sutis foram transformando a paisagem que ainda podíamos identificar como democrática, mesmo que de maneira imperfeita, num regime escancaradamente autoritário. Hoje, nem o mais benevolente dos observadores conseguiria classificar a Venezuela, agora sob o comando de Nicolás Maduro, como algo diverso de uma ditadura. Não há respeito ao voto popular (a Assembleia Nacional eleita em 2015, de oposição, foi na prática destituída), não há liberdade de imprensa e se contam aos milhares os presos políticos. O governo reprime com violência manifestações contra Maduro.
Diante desse quadro, é assustador que algumas alas do PT ainda ensaiem apoio ao regime chavista. Se essa linha predominar, o partido precisará adicionar ao naufrágio ético e ao fracasso administrativo o descaso para com a democracia em sua lista de pecados. É triste para uma legenda que um dia pretendeu ser a vanguarda mundial dos movimentos de esquerda comprometidos com a democracia e bons de governo.
Que a Venezuela vive numa ditadura é outra coisa que liberais já avisam faz tempo, mas tudo bem: ao menos o “imparcial” colunista já reconhece isso. Daí a dizer que “algumas alas” do PT ensaiam apoio ao regime?! Não, meu caro Helio, são todas as alas, é o partido oficialmente, em nome de sua presidente e de seu líder máximo, o Lula, que defende hoje e sempre defendeu o “socialismo do século XXI” da Venezuela.
Não viu os vídeos de apoio do Lula e da Dilma a Maduro? Não sabe que o PT fundou o Foro de São Paulo? Aliás, por falar nisso, vem o ponto mais importante de todos: a última frase do artigo é de uma desfaçatez ímpar, uma mentira assustadora. Uma legenda que pretendeu ser a vanguarda dos movimentos de esquerda comprometidos com a democracia?! Onde, Helio?!
Se, como lembrei, o PT fundou o Foro de São Paulo ao lado de ditadores, se o PT sempre idolatrou Fidel Castro, se o PT aplaudia até as Farc, o MST, terroristas comunistas, como é que você pode afirmar, sem ruborizar (ou ruborizou um tantinho?), essa barbaridade? O PT jamais teve apreço pela democracia, e se você era ignorante ou iludido demais para não saber disso no passado, por favor, não venha desmerecer aqueles que sempre souberam da verdade, que você tenta ocultar até hoje.
Aceite que defendeu uma corja de bandidos socialistas que nunca fez muita questão de esconder que admirava o maior tirano do continente. Quem tem Fidel Castro como guru pode ser democrata?! Como fica claro, os “isentões” até que tentam criticar a esquerda, mas seu viés esquerdista sempre fala mais alto…
Aos que acham que fui duro demais com um sujeito bacana e simpático que estava criticando o PT, eu digo: são esses tipos que hoje vão aplaudir o PSOL, por ter “rompido” com o PT após seus escândalos de corrupção, apenas para dizer, depois, que os socialistas “democráticos” traíram suas bases e decepcionaram seus simpatizantes. Conta outra!
Rodrigo Constantino

Luciana Genro diz que 'Lula mergulhou na lama da corrupção'

A ex-deputada Luciana Genro, última candidata do PSOL ao Planalto, acusa Lula e o PT de fingirem interesse na queda de Michel Temer. Ela afirma que o ex-presidente e seu partido preferem prolongar o desgaste do presidente até as eleições de 2018.



"O PT não tem interesse em derrubar Temer agora. Eles querem deixar o governo sangrar e fazer os ajustes para quem assumir depois", diz.

Ela está cética quanto à chance de afastamento do presidente, denunciado sob acusação de corrupção. "Eu teria esperança se houvesse uma grande mobilização popular empurrando a Câmara a abrir o processo."

A ex-deputada sustenta que a cúpula petista não se mexeu para evitar o esvaziamento das ruas. Ela diz que PT e PMDB já haviam se unido para barrar a cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral. "Ali o Temer poderia ter caído, havia clima político para isso."

Na semana passada, Lula criticou o PSOL e disse que o partido precisa vencer uma eleição para parar de "frescura". "Eles vão perceber que não dá para a gente nadar teoricamente. 

Entra na água e vai nadar, porra", afirmou o ex-presidente, em entrevista ao programa "Na Sala do Zé".

A provocação irritou a ex-deputada. "Lula entrou tanto no mar que se afundou, porque mergulhou na lama da corrupção", rebate.

"O problema do Lula é que ele não pode suportar a ideia de que a sua autoridade moral está sendo questionada. Ele se coloca num patamar superior ao dos mortais. Mas ficou evidente que ele estabeleceu relações promíscuas com as empreiteiras", ataca.

Apesar de defender que o ex-presidente tenha o direito de concorrer em 2018, Luciana diz que ele perdeu as condições de se apresentar como um candidato de esquerda.

"Quando empreiteiras pagam milhões a um metalúrgico, ele deixa de pertencer à sua classe de origem. Vira um agente dos interesses do andar de cima", afirma.

A ex-deputada contesta a tese de que o ex-presidente seria vítima de perseguição judicial. Suas declarações a favor da Lava Jato já irritaram colegas do PSOL. "Apoio a Lava Jato e defendo que ela vá até o fim, doa a quem doer."

"Setores do PT já disseram que a operação seria uma manobra do imperialismo americano para destruir a esquerda brasileira. Se esse discurso tivesse prevalecido, não teríamos Eduardo Cunha preso, Temer denunciado e políticos do PSDB sendo investigados", acrescenta.

POR QUE A MORTE DE POLICIAIS COMOVE TÃO POUCO OS GRUPOS DE DIREITOS HUMANOS E A GRANDE IMPRENSA?

Apenas nesse ano, no Rio de Janeiro, já foram 92 policiais militares ASSASSINADOS. Esse número impressiona a população, causa medo nas famílias de policiais, mas por incrível que pareça parece não despertar maiores simpatias nos grupos de direitos humanos e nem na grande imprensa. Por que isso ocorre?
POR QUE A MORTE DE POLICIAIS COMOVE TÃO POUCO OS GRUPOS DE DIREITOS HUMANOS E A GRANDE IMPRENSA, por Adolfo Sachsida
Existe uma verdadeira caça a policiais no Brasil. Quem conhece a realidade, sabe que a farda de um policial militar nunca é posta para secar num varal. Motivo: isso denunciaria a presença de um policial naquela residência, colocando sua vida e de sua família em risco. Também é de conhecimento geral que diversos policiais só vestem sua farda longe de suas casas pelo mesmo motivo. São vários os exemplos desse tipo de comportamento que denota o óbvio: o policial no Brasil está sendo caçado pelos bandidos.
Apenas nesse ano, no Rio de Janeiro, já foram 92 policiais militares ASSASSINADOS. Esse número impressiona a população, causa medo nas famílias de policiais, mas por incrível que pareça parece não despertar maiores simpatias nos grupos de direitos humanos e nem na grande imprensa. Por que isso ocorre?
A primeira explicação refere-se a política de segurança pública adotada pela esquerda. Para os esquerdistas, grande parte deles com postos altos na mídia e nas ONG's de direitos humanos, o crime dificilmente é culpa do bandido. Pelo contrário, o bandido seria ele mesmo vítima do sistema. E um dos principais sustentáculos do sistema é a polícia. Logo, numa brutal inversão de valores, a polícia é geralmente vista com viés negativo. Policiais são perseguidos por traficantes, por assassinos, por criminosos em geral, sob o silêncio covarde de vários "especialistas" em direitos humanos.
Outra explicação é que ao reconhecer que a polícia é perseguida por bandidos resta evidente também que parte da violência policial, que as ONG's adoram denunciar, é legítima forma de autodefesa da polícia contra bandidos desumanos.
O Brasil é um país violento. Em nenhum lugar do mundo se matam tantas pessoas quanto aqui. Apenas no ano passado foram mais de 60.000 pessoas assassinadas. Infelizmente, o establishment prefere criar espantalhos em vez de lidar com problemas reais. Nesse caso, adoram culpar a "cultura machista" do brasileiro para expressarem que isso mata muitas mulheres. Sim, sem dúvida isso é um problema. Contudo, num país onde a taxa de homicídios entre homens é 12 vezes superior a taxa de homicídios entre mulheres, essa dificilmente é a explicação correta. O mesmo vale para a homofobia, certamente alguns homossexuais são perseguidos e sofrem por causa da intolerância. Contudo, fingir que a violência no Brasil decorre da discriminação sofrida por homossexuais está longe de ser verdadeiro. O número de assassinatos decorrentes de homofobia no Brasil estão longe de mostrarem algum padrão distinto da violência enfrentada pelo resto da população.
Basta de criar espantalhos! A violência no Brasil se combate com policias nas ruas e bandidos na cadeia. Se puder liberar o porte de armas para a população melhor ainda. Mas é fundamental lembrar de uma lição básica: na hora do perigo é para a polícia que pedimos socorro. Desmerecer o policial, enfraquecer sua legitimidade, atacar a polícia como a culpada por ser a guardiã do "sistema", só fazem colocar a vida do policial em risco e, em última instância, colocar toda a sociedade sob riscos cada vez maiores associados ao crime e a violência.

por Adolfo Sachsida

sábado, 29 de julho de 2017

'O RESPEITO AO CRIADOR DA RIQUEZA É O COMEÇO DA SOLUÇÃO DA POBREZA'


'O RESPEITO AO CRIADOR DA RIQUEZA É O COMEÇO DA SOLUÇÃO DA POBREZA', Roberto Campos
É isto que os esquerdopatas não conseguem entender. 

Gilberto Carvalho foi recrutado por Gleisi Hoffmann para ajudá-la no PT

A senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente do PT, tirou o ex-ministro Gilberto Carvalho do Senado, onde estava como assessor parlamentar da liderança, para ajudá-la no comando do partido. 

Carvalho conhece a máquina partidária e os caminhos do diálogo entre as diversas correntes. Algumas delas não querem conversa com Gleisi.

Provas reunidas pela JBS-Friboi somam R$ 1,1 bilhão em propinas

A um mês do prazo estipulado para entregar à Procuradoria-Geral da República (PGR) evidências comprobatórias das delações feitas pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, um conjunto de documentos incluindo planilhas, comprovantes bancários, notas fiscais frias, contratos fraudulentos e contas secretas no exterior mostram que a empresa destinou R$ 1,1 bilhão em propinas a políticos ou empresas indicadas por políticos entre 2006 e 2017. Desse volume, segundo reportagem da revista "Época", que teve acesso exclusivo ao conjunto de papéis, R$ 301 mil ocorreram em dinheiro vivo e R$ 395 mil por meio de empresas indicadas por políticos, além de R$ 427,4 milhões em doações oficiais.

Do papelório, emergem provas como recibos de pagamentos fraudulentos a empresas indicadas à JBS, durante a campanha eleitoral de 2010, pelo então candidato a vice-presidente Michel Temer (PMDB) ou do candidato a presidente José Serra (PSDB). Ou extratos das duas contas mantidas nos Estados Unidos, com saldo de US$ 150 milhões de propina do BNDES, para financiar a campanha da candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e dos partidos que se aliaram a ela. Para a primeira campanha da petista, em 2010, foram destinados R$ 12 milhões, segundo “Época”.

De acordo com a revista, a JBS relata que R$ 21,7 milhões foram distribuídos, a pedido de Temer, a aliados políticos e amigos em campanhas eleitorais ou fora delas. A publicação traz uma reprodução do que seria uma nota fria da empresa do marqueteiro do presidente, Elsinho Mouco, para justificar dinheiro pedido por Temer à JBS.

Ainda segundo a reportagem da “Época”, para Temer foram destinados R$ 2,2 milhões na campanha de 2010 por meio de pagamentos com notas frias de empresas indicadas por ele. Outros R$ 9 milhões foram por meio de doação eleitoral oficial. A reportagem aponta que, segundo os executivos da JBS, R$ 138 milhões foram usados nas campanhas de 2010 e 2014 para comprar partidos que hoje defendem o presidente no Congresso. A revista reproduz uma nota fria emitida por uma empresa de Salvador ligada ao PR.

 ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está preso, teria recebido R$ 3 milhões na campanha de 2014 em dinheiro vivo. Ao núcleo do PMDB no Senado, composto por cinco parlamentares, teriam sido destinados R$ 29,1 milhões. Para o núcleo do partido na Câmara, foram R$ 55,2 milhões, de acordo com a revista.

Ao PT, de acordo com os delatores, foram remetidos US$ 151 milhões no exterior e R$ 111,7 milhões no Brasil a título de propina paga em troca de financiamentos à JBS obtidos no BNDES. Já o montante aplicado em candidatos do PSDB nas campanhas de 2010 e 2014 foi de R$ 42,2 milhões. A revista traz a reprodução de um recibo que seria fraudulento e foi emitido por uma empresa indicada pela campanha de José Serra para dar apareência legal a uma doação de dinheiro em 2010. O senador Aécio Neves teria recebido R$ 5,3 milhões na campanha de 2010 em dinheiro vivo e outros R$ 12 milhões por meio de notas frias de empresas indicadas por ele.

Há também novidades, segundo a revista. Provas do pagamento de US$ 1 milhão ao ex-ministro Antonio Palocci por meio de conta nos Estados Unidos. E pagamentos em dinheiro a políticos que fazem parte do atual governo, como Eunício de Oliveira, presidente do Senado, e aos ministros Bruno Araújo, Gilberto Kassab, Helder barbalho e Marcos Pereira. Kassab teria recebido, até o ano passado, cerca de R$ 18 milhões.

Os registros mostram que houve um aumento de 4.900% nos gastos da JBS com pagamentos irregulares ao longo de três eleições. Os valores saltaram de modestos R$ 12,5 milhões, em 2006, para R$ 617 milhões, em 2014. Na reeleição de Lula, a empresa pagou propinas a políticos de 11 partidos em seis estados; na reeleição de Dilma Rousseff, esse número subiu para 27 partidos, cobrindo todo o território nacional.

De acordo com a reportagem, o acervo demonstra que a JBS não fazia distinção entre os partidos. Não existia um "corte ideológico", o valor do político era proporcional à capacidade de proporcionar benefícios à empresa. Em estados como Ceará, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, onde a empresa tinha mais interesses comerciais, o volume de dinheiro distribuído era proporcionalmente maior.

OUTRO LADO

Em nota enviada à revista, Temer disse jamais ter ordenado “ao meliante Joesley Batista qualquer pagamento a quem quer que seja. Nem o fez a nenhum de seus capangas”. “A delação é uma peça de ficção, baseada em mentiras e ilações”, afirmou o presidente.

O marqueteiro Elsinho Mouco afirmou, por meio de nota que Joesley Batista se dispôs, “voluntariamente”, a bancar os custos de monitoramento e proteção digital a Temer durante o impeachment e que tem toda a documentação que comprova o trabalho.

A Dilma Rousseff afirmou, em nota, que todas as doações feitas a sua campanha foram dentro da lei, “conforme determina a legislação, registradas e aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral”. O texto diz ser “inaceitável que, mesmo com os recursos registrados conforme determinam as normas legais, insinue-se agora que o dinheiro teria como origem algum tipo de ilicitude”.

Eunício Oliveira disse à “Época” que as informações são “inverídicas”. Os quatro ministros de Temer citados negam as acusações. A defesa de Marcos Pereira afirma que está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários. O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho disse, em nota, que “a doação era prevista em legislação vigente à época” e Fernando Bezerra Filho, ministro de Minas e Energia, disse que não comentaria a reportagem da revista porque “o nome do ministro não aparece” em qualquer documento público referente às delações da JBS. O ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, afirmou que a empresa de sua família presta serviços à JBS há anos e que já enviou esclarecimentos à Receita Federal. A defesa de Eduardo Cunha afirmou à revista não ter conhecimento sobre os fatos citados.

A defesa de Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que “os valores recebidos da JBS pelo PSDB estão devidamente declarados ao TSE” e que se tratam de “doações oficiais, desvinculadas de qualquer contrapartida ou ilegalidade”. Já o senador José Serra declarou que as doações foram declaradas na forma da lei.

Alberto Youssef: 'Não menti. Era evidente que Lula e Dilma sabiam de tudo'

Quando o doleiro Alberto Yous­sef foi preso, na manhã de 17/03/2014, nem o mais perspicaz dos investigadores da Operação Lava-Jato tinha ideia do tamanho do peixe que fora fisgado. No escritório de Youssef em São Paulo, a Polícia Federal apreendeu uma infinidade de documentos. Mensagens de celular mostravam o doleiro como interlocutor frequente de políticos importantes. Planilhas e contratos listavam personagens de alto quilate do empresariado nacional. 

No meio de tudo, uma nota fiscal de aparência irrelevante — apenas na aparência. Juntas, as evidências sugeriam que ainda havia muito mais a ser descoberto na investigação que tinha como alvo uma obscura casa de câmbio que funcionava em um posto de gasolina em Brasília. Quase por acaso, os agentes esbarraram em algo que envolvia de golpistas contumazes a grandes empreiteiras, de altos funcionários públicos a autoridades de grosso calibre. 

Mas qual seria o elo entre eles? Depois de seis meses preso e diante da perspectiva de uma condenação que poderia chegar a algumas décadas, Youssef decidiu assinar um acordo de delação premiada. Em troca da redução de pena, contou às autoridades o que sabia — e sabia muito. Sabia, principalmente, os fios que uniam os personagens aparentemente tão distintos: um gigantesco esquema de corrupção.

Em seus depoimentos, o doleiro contou que empreiteiras como Odebrecht e OAS eram suas clientes, contou que distribuiu milhões em propina a políticos e contou que participou de reuniões secretas em gabinetes de autoridades. A tal nota fiscal, por sua vez, era referente à compra de um carro importado, gentilmente presenteado a um diretor da Petrobras. Era a ponta do iceberg cujo tamanho espantaria o país. 

O doleiro Youssef foi o primeiro dos delatores a dizer que os ex-presidentes Lula e Dilma sabiam das trapaças na Petrobras, como revelou VEJA em outubro de 2014. 

Hoje, os políticos e empresários que ele denunciou estão presos, condenados ou sob investigação. Alberto Youssef cumpriu três anos de prisão. Foi para o regime aberto em março passado. 

Em duas oportunidades distintas, o doleiro falou com exclusividade a VEJA sobre a vida dentro e fora da cadeia. 

Leia abaixo os principais trechos dessa entrevista.

Três anos não é pouco tempo de prisão para quem se envolveu num escândalo dessa proporção? 
Vocês não sabem o que é ficar preso no meio de um tiroteio desse tamanho. Vocês nem sonham. Uma semana só já é uma eternidade. Tem uma série de coisas que só sabe quem está preso. Mas o importante é que entrei pela porta da frente, saí pela porta da frente. Colaborei com a Justiça. Saí de cabeça erguida.

Qual é o sentimento que predomina? 
Estou alegre, feliz. Imagine a ansiedade de chegar em casa, tomar um banho, encontrar minhas filhas, ficar com elas. Passar um dia preso é uma infinidade. Eu fiquei três anos. A única coisa que eu queria era ver as meninas, sentar com elas, abraçar, beijar. O básico. É um recomeço depois de passar o pior.

O senhor foi o primeiro a dizer que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. 
E eu menti? Eu não menti. Se tem uma coisa em que você não vai me pegar é na mentira. Eu tive a coragem de falar. Era evidente que eles sabiam de tudo. O Lula já está condenado. Eu disse que derrubaria a República. E derrubei.

Qual é a rotina de delator? 
Eu confesso que não gosto muito da palavra delator. Gosto mais do termo colaborador. Delator é um cara que alcaguetou. E não foi isso que eu fiz. Mas não é fácil exercer esse papel. A pior das consequências foi ter a vida da minha família vasculhada.

Como foi conviver na cadeia com aqueles que já representaram a nata do poder? 
Convivi com todos eles e não tive diferença com ninguém. Estive com Léo Pinheiro (ex-presidente da OAS), Renato Duque (ex-diretor da Petrobras), Pedro Corrêa (ex-deputado), Marcelo Odebrecht (dono da empreiteira Odebrecht), um tal de Paulo e outro Flávio (Macedo, operador ligado a José Dirceu, chefe da Casa Civil no governo Lula). Tem pessoas que são verdadeiras e outras que fazem que são verdadeiras, mas não são. Garanto que duas ou três pessoas ali ficaram felizes de eu ter saído da cadeia. O resto, não.

Como era a relação com o ex-deputado Eduardo Cunha, que virou seu desafeto? 
A própria Polícia Federal tomou o cuidado de deixá-lo totalmente separado, sem que a gente pudesse se encontrar. Ele não criou confusão. Ficava lá na celinha dele, quietinho. Foi isolado para evitar problemas. Nós nos cruzamos durante o atendimento de advogado uma ou outra vez. Eu saindo do parlatório e ele chegando. Mas nem cumprimento rolou.

Vocês ficaram separados para evitar um conflito? 
Eu não tenho bronca nenhuma de ninguém. Mas logicamente não conversei com o Eduardo Cunha. Quando ele estava no poder, quis ferrar as minhas filhas. Quis ferrar a minha esposa — pessoas que nunca participaram de nada. Eu nunca deixei que a minha esposa e as minhas filhas chegassem perto dos meus negócios. Eu nem sequer depositava dinheiro na conta-­corrente delas. Zero. Nunca participaram ou souberam de nada. E o cara vem querer ferrar as minhas filhas?

O senhor está se referindo à acusação de que o senhor mantinha contas bancárias escondidas no exterior? 
Naquele dia (refere-se ao dia em que depôs na CPI da Petrobras no Congresso), se não fosse o advogado do Paulo Roberto Costa me segurar, eu tinha pulado para cima do Pansera (deputado Celso Pansera, aliado de Cunha, que Youssef acusou de ser “pau-mandado” do ex-presidente da Câmara). Foi o advogado do Paulo que me segurou. Eu sabia que o Eduar­do Cunha estava por trás das besteiras que ele estava falando.

Por quê? 
Antes de Eduardo Cunha pôr a Kroll (empresa de investigação internacional contratada pela Câmara dos Deputados para auxiliar o trabalho da CPI da Petrobras) atrás de mim e das minhas filhas para tentar me ferrar, eu tinha feito uma carta para ele enviar ao Supremo dizendo que uma história que tinham contado lá, que o comprometia, não era verdadeira. E não era verdadeira mesmo. Eu desmenti, ajudei o cara. Depois disso, ele se elegeu presidente da Câmara, e vem querer ferrar a minha família. O meu problema com o Eduardo Cunha é só esse.

O senhor acha que a Lava-Jato vai mudar a forma de lidar com a corrupção no país? 
Não vejo interesse em mudar os costumes políticos. Essa fase de Lava-Jato vai passar, e vai continuar tudo como está. O sistema vai continuar. O Brasil não vai mudar.

Alguém foi preso injustamente? 
Não é porque sou amigo do Pedro Corrêa, mas para que prender o Pedro? Ele ficou preso três anos. Ele tem diabetes, insuficiência renal, tudo que é doença que você possa imaginar… Ele toma 45 remédios por dia. Você tem de estar cuidando dele 24 horas. Tem outro cara, gente boa, o Flávio, que não merece estar ali. Ele se ferrou porque era chegado ao José Dirceu. Dizem que ele é laranja do cara.

É verdade que o senhor ficou amigo do ex-ministro Antonio Palocci? 
O Palocci ficou triste no começo, mas ele é um cara forte, tranquilo. Foi ministro da Fazenda durante três anos, ajudou o país a tirar o dólar de 4,20 para 1,60. Ajudou a baixar uma taxa de juros de 23% ao ano para 7,5%. Aí sai do governo, uma empresa o procura para dar consultoria. Ele não vai? Eu acho que foi isso que aconteceu com o Palocci. Não estou dizendo que ele não pediu dinheiro para campanha. Isso é outra coisa. Coitado.

Como é o dia a dia na prisão? 
O problema é durante o frio. Todo mundo fica de chinelo de dedo na cela. No frio, o cara colocava aquele Crocs com uma meia e pronto. E tem aqueles casos isolados. O Léo Pinheiro roncava muito. O Renato Duque também incomoda todo mundo. Ele, para você ter uma ideia, almoçava e ia dormir. Roncava a tarde inteira. Ninguém conseguia descansar. Tem gente disciplinada, como o Marcelo Odebrecht, que faz oito horas de ginástica e    come 5 000 calorias por dia. A cela dele é cheia de comida. O mais gente boa era o Adir (Adir ­Assad, dono de empresas de fachada que lavavam dinheiro do petrolão), um showman. E o Cerveró (Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras), que tem uma história engraçada. Ele foi flagrado fazendo coisas estranhas na cama, debaixo dos lençóis (risos).

Os críticos da Lava-Jato dizem que a cadeia tem servido como um instrumento para forçar o sujeito a fazer delação. 
Rapaz, não tem um ali que não quer fazer delação. A verdade é essa. Basta ver a fila.

Incluindo os petistas flagrados no esquema? 
O Vaccari (João Vaccari, ex-­tesoureiro do PT) já andou pensando… O Vaccari é um cara que não tem um centavo para puxar para ele. Um cara correto. Eu digo sempre que tem dois caras que não roubaram ali. Um sou eu. O outro é o Vaccari. No esquema da Petrobras eu, como operador, tirei a minha comissão e mandei o dinheiro roubado para quem devia. O Vaccari fez a mesma coisa. O dinheiro roubado entrava e ele mandava para o PT. Não ficou com um centavo para ele.

Mas vocês dois estavam envolvidos num esquema de corrupção, não? 
Mas não roubamos. Éramos prestadores de serviço. O dinheiro era dos outros.

O Brasil é mesmo um país movido a propina? 
Só se faz obra se pagar. Se não pagar, não faz. Veja o caso do Marcelo Odebrecht. O cara está em não sei quantos países. Tem uma estrutura enorme. Quantas vezes eu fiquei na recepção desses caras uma hora, duas horas, três horas, até seis horas… O cara passava, olhava e eu estava lá, e ele falava: “Só mais um pouquinho”. Fazia isso para ver se eu ia embora. Esses caras não querem pagar a ninguém. Pagam porque são obrigados. Tem de mudar o sistema.

Os políticos com os quais o senhor convivia também foram induzidos? 
Tem político que faz dinheiro para campanha e faz campanha os quatro anos. E tem político que faz dinheiro para pôr no bolso. São diferentes.

O senhor acha que um é melhor que o outro? 
Não estou dizendo isso. O que eles fazem é ilícito. O que estou dizendo é que, perante a visão de alguns partidos, o cara que põe no bolso é pior.

O senhor concorda? 
Partido político é uma m…!

Como o senhor pretende tocar a sua vida em liberdade? 
Estou procurando emprego. Qualquer coisa que eu possa fazer para recomeçar. Ainda estou rea­tivando meu CPF, resolvendo coisas básicas. Agora, não posso abrir uma quitanda na esquina. Tenho de trabalhar com o que eu sei fazer, que é mercado financeiro. Mas quem vai me contratar? É bem complicado.

O senhor vai escrever um livro? 
Já está na fase final. Vou ser totalmente autêntico, sem leviandade, uma coisa séria. Acho que a história é muito boa. Não quero fazer um livro só do que aconteceu na Lava-Jato. Temos uma história toda que aconteceu antes da Lava-Jato que daria um bom livro. Vou contar a verdadeira história. Quem não está preso não tem a mínima ideia do que acontece. O que sai publicado na imprensa não chega nem perto do que se vive lá na prisão.

A vida tem sido difícil?
Vi escrito em um monte de lugar que eu iria levar uma vida de luxo em São Paulo, morando em um prédio com vista para o Parque Ibirapuera. Não tem nenhum luxo na minha vida. Mal consigo ver minhas filhas, que trabalham para ganhar a vida.

Sua família sofre com essa situação? 
Você tem ideia do que é uma filha precisar abrir uma conta-salário no banco e não conseguir por causa do sobrenome? É muito difícil.

OS LUDISTAS “MODERNOS” E O BRASIL NA VANGUARDA DO ATRASO

No Brasil, o ludismo ainda vinga. Para quem não lembra, os ludistas eram aqueles que depredavam as máquinas a vapor durante a Revolução Industrial temendo o desemprego que elas gerariam.
A seguir, leia a ìntegra do artigo de Rodrigo Constantino: 
OS LUDISTAS “MODERNOS” E O BRASIL NA VANGUARDA DO ATRASO

Um protesto de taxistas em frente ao prédio da Prefeitura do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (27), terminou em confronto entre manifestantes e policiais militares. O ato seguia sem registro de confusão até 11h15, quando o tumulto começou e rapidamente se intensificou.
Os motoristas lançaram garrafas, morteiros e outros objetos em direção aos PMs, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo e disparos de bala de borracha.
O ato –convocado em repúdio aos aplicativos de transporte de passageiros, tais como Uber e Cabify– começou durante a madrugada e, por volta das 8h, motoristas saíram em carreata com destino ao prédio da administração municipal, no centro da capital.
Apesar do tumulto criado pela máfia dos taxistas, apenas quatro deles foram multados, mostrando a leniência das autoridades.
No Brasil, o ludismo ainda vinga. Para quem não lembra, os ludistas (e o corretor automático insiste em mudar para “budistas”, que seriam talvez o seu oposto, ao menos no que diz respeito ao pacifismo) eram aqueles que depredavam as máquinas a vapor durante a Revolução Industrial(*) temendo o desemprego que elas gerariam.
Todo avanço tecnológico gera mudanças no mercado de trabalho, muitas vezes rupturas violentas. Não é confortável para quem se vê como vítima delas. Mas os economistas já cansaram de provar que são benéficas para a imensa maioria, e que, com o tempo, novos e melhores empregos são criados para todos.
O problema maior é a fase de transição. É preciso apostar no dinamismo do livre mercado, investir em treinamento constante, ter mobilidade. Nem sempre os trabalhadores aceitam isso. Em países que ficam mais atrasados, eles conseguem se organizar para impedir os avanços, preservar por meio de intervenções estatais o status quo, o atraso.
Quando a indústria chegou para revolucionar as sociedades agrárias, muitos chiaram, acreditando que seria o fim. Hoje, menos de 3% da população americana trabalha no campo, o país é um dos maiores produtores rurais do mundo, e a riqueza geral aumentou de forma exponencial. Não há o MST para atazanar a vida dos produtores, que investem pesado em máquinas modernas. Da indústria para os serviços ocorre fenômeno parecido.
Mas claro que o ritmo de crescimento não é igual para todos. Aqueles mais especializados e preparados colhem os frutos com seus trabalhos mais produtivos, agregam mais valor para a sociedade, enquanto os demais, ainda que tenham acesso a produtos mais baratos e maior conforto material, sentem o peso da desigualdade, e podem ser seduzidos pelo discurso da inveja (o socialismo), que foca apenas na relação entre os mais ricos e mais pobres, nunca na relação entre os “pobres” de hoje e os de ontem, ou então pelo discurso nacionalista, que culpa a globalização e o livre mercado por essa fase dura de transição.
Diante desse cenário cada vez mais fluido e global, quem vai sobreviver e prosperar são aqueles que investirem pesado em tecnologia, educação de ponta (não “humanas”, pois “estudar” a importância do ânus no funk ou feminismo não agrega absolutamente nada), e facilitarem o funcionamento do livre mercado.
O Japão, por exemplo, resolveu declarar guerra à área de “humanas” para focar em conhecimento prático e objetivo na produção científica. Está ciente do que vem pela frente. Os Estados Unidos ainda possuem áreas de excelência em tecnologia, como o Vale do Silício, além de um mercado de capitais avançado para permitir o financiamento desses projetos inovadores. Elon Musk, o bilionário da Tesla e da SpaceX, tem investido pesado na robotização, tanto que parece já viver no mundo de “Blade Runner” em sua cabeça, apostando que robôs farão tudo melhor do que humanos e que podem ser até uma ameaça em alguns sentidos.
Enquanto isso, o que faz nosso querido Brasil? Permite que máfias organizadas infernizem a vida de milhões de trabalhadores, em cenário com 15 milhões de desempregados, para “protestar” contra o Uber! E pior, muito pior: como sempre estamos na vanguarda do atraso, nosso governo resolveu aumentar a tributação de empresas de “venture capital” e anjos, ou seja, aquelas que justamente investem nas startups, normalmente de tecnologia.
Mas também, como esperar algo muito diferente de um país que teve, como ministro da ciência, ninguém menos do que o comunista Aldo Rabelo, o mesmo que apresentou projeto de lei contra a automação nos postos de gasolina? Segundo o autor do projeto, deputado Aldo Rebelo (PC do B-DF), a proibição da automação dos postos garante cerca de 300 mil empregos de frentistas. “O projeto garante empregos, saúde e segurança”, afirmou.
Sim! Tanto que eu mesmo abasteço meu carro toda semana sozinho aqui nos Estados Unidos, um país sem dúvida com muito mais problema de emprego do que o Brasil. Ops! Seguindo a “lógica” do comunista, se proibíssemos a eletricidade salvaríamos vários empregos dos produtores de velas e lampiões!  Frédéric  Bastiat deve estar se revirando no túmulo ao constatar que, no Brasil, aquilo que ele ensinou em 1850 ainda é tido como “revolucionário” e “radical”.
O Brasil cansa. E os ludistas “modernos” podem espernear à vontade, brigar contra o destino, mas não serão capazes de impedir o progresso para sempre. Vão conseguir apenas manter o Brasil lá na rabeira, na miséria, na mediocridade, até que mais e mais gente alienada aponte para a globalização ou o capitalismo como culpados por nossa triste condição.
O que não dá é alguém achar que, em pleno século XXI, está em condições favoráveis de enriquecer e competir com uma banana em uma mão e uma saca de café na outra. Depois não adianta ficar reclamando dos baixos preços de nossos produtos no mundo, enquanto os “imperialistas” nos “empurram” produtos caros, como computadores e outros bens de alta tecnologia.
Aí, quando o mundo ocidental capitalista estiver vivendo a realidade imaginada nos filmes de ficção, com um R2-D2 ou um C-3PO ajudando seres humanos no trabalho, lá estaremos nós, brasileiros, montando em jegues ou pagando mais só para um sujeito colocar gasolina no nosso carro, como se fôssemos retardados.
O ressentimento será inevitável, como já é para milhões de muçulmanos do Oriente Médio, que vivem no século XVIII em pleno século XXI, e pior: podendo ver com os próprios olhos a outra realidade possível que os “malditos” ocidentais criaram. O ódio é apenas natural, mas não venham culpar aqueles que progrediram por mérito próprio!
Rodrigo Constantino

Gazeta do Povo conteúdo

(*) Nota BECC: Revolução Industrial - Inglaterra, período entre 1760 e algum momento entre 1820 e 1840.

O PT AGITA A MARÉ VERMELHA DO FORO DE SÃO PAULO

O que o PT, através de sua presidente, apoia na Venezuela é: 1º) uma constituinte inventada para compensar a perda de apoio popular e a derrota na eleição parlamentar; 2º) uma regra eleitoral que permitirá ao governo vencer mesmo sem votos universais suficientes; 3º) uma sentença do ditador determinando que vai às armas (e ele tem todas) se ainda assim for derrotado.
O PT AGITA A MARÉ VERMELHA DO FORO DE SÃO PAULO, por Percival Puggina
Quem pensou que o Foro de São Paulo perderia força com suas derrotas na Argentina, Paraguay, Honduras e os escândalos no Brasil, deveria dar uma lida nas resoluções do seu 23º Encontro, encerrado em 18 de julho, em Manágua.
 De sua leitura se depreende que "democracia", na perspectiva dos partidos do Foro, é o que acontece quando, através deles (que tolos não são), seus militantes em camisas vermelhas, identificados como "o povo", exercem o poder. Alinhadas com Antonio Gramsci, essas legendas reservam para si os papéis de novos Príncipes de Machiavel. E vivem como tal, que ninguém faz revolução para passar necessidade, não é mesmo, senadora Gleisi Hoffmann?
 Não surpreende, portanto, que persista, mesmo sob o sol dos fatos, o apoio desses partidos ao regime venezuelano. "Em respaldo à luta do povo venezuelano e defesa da Revolução Bolivariana" o FSP se declara em "estado de alerta e Sessão Permanente". Todas as tropelias, todos os mortos, toda a miséria causada encontra justificação na causa política.
Ninguém no Brasil, fora do estreito círculo de extremistas concentrados no PT e nas pequenas legendas que com ele pegam carona, haverá de negar a completa ruptura do país vizinho com a democracia e com o estado de Direito. A Venezuela faliu sob a estupidez de um governo comunista e seu povo está sendo executado nas ruas, por ordem de um ditador que arroja milícias e polícias contra multidões desarmadas. Mas para obscurecer a realidade, a declaração final do 23º encontro recomenda às militâncias virtuais e aos professores que vinculem "o estudo de História com a Teoria Revolucionária, para dar batalha na luta das ideias, que é a mais importante das lutas revolucionárias". Conforme o meu artigo "Por que tantos professores de História são comunistas?", danem-se os fatos!
Nesse cenário, durante a reunião do Foro, a senadora Gleisi Hoffmann, assim se expressou:
“O PT manifesta seu apoio e solidariedade ao governo do PSUV, seus aliados e ao presidente Nicolás Maduro frente à violenta ofensiva da direita contra o governo da Venezuela e condenamos o recente ataque terrorista contra a Corte Suprema. Temos a expectativa que a Assembleia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica."
Essa farsa constituinte - denominada por Maduro "comunitária e chavista" - que o PT defende para a Venezuela está urdida de tal maneira que a oposição, mesmo com 80% da opinião pública, não vai compor maioria porque a regra definida, meio distrital majoritária, meio sei-lá-o-quê, o impedirá: dos 540 constituintes, 176 serão eleitos entre movimentos sociais controlados pelo chavismo; as grandes cidades, onde se concentra a maior parte da população e onde haveria votos universais suficientes para derrotar o chavismo, elegerão apenas dois representantes, de modo que por mais votos que o candidato oposicionista faça, sempre se elegerá um chavista em segundo lugar. É uma regra para perder e, assim mesmo, vencer. Com as bênçãos do petismo.
Se você não se sente ameaçado com isso, alarmado com isso e não dá importância a isso, assista este vídeo sobre a violência que grassa na Venezuela de Maduro. E se lhe parece pouco, pondere esta frase proferida pelo ditador no dia 27 de junho:
"Si Venezuela fuera sumida en el caos y la violencia y fuera destruida la Revolución bolivariana, nosotros iríamos al combate, nosotros jamás nos rendiríamos y lo que no se pudo con los votos lo haríamos con las armas, liberaríamos nuestra patria con las armas".
Resumindo, o que o PT, através de sua presidente, apoia na Venezuela é: 1º) uma constituinte inventada para compensar a perda de apoio popular e a derrota na eleição parlamentar; 2º) uma regra eleitoral que permitirá ao governo vencer mesmo sem votos universais suficientes; 3º) uma sentença do ditador determinando que vai às armas (e ele tem todas) se ainda assim for derrotado.