quarta-feira, 12 de julho de 2017

Condenação de Lula foi 'decisão política, sem provas', baseada em 'prestar contas à opinião pública', disse Gleisi espumando de raiva

Pouco após o anúncio da primeira condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), fez ataques ao juiz Sergio Moro da tribuna do Senado. Segundo a petista, é "lamentável" que um juiz "se dê ao papel de fazer política" com o objetivo de excluir o ex-presidente da República da disputa eleitoral de 2018.

"Foi uma decisão política, sem provas", baseada em "prestar contas à opinião pública", declarou Gleisi.

A tese do PT, reverberada pela presidente nacional da sigla nesta quarta-feira (12), é a de que Lula é vítima de uma perseguição política de Moro para que o petista fique fora das eleições de 2018. Ainda segundo Gleisi, prender o ex-presidente neste momento seria "um drama".
"Ele [Moro] já tentou fazer isso e sabe o drama que é", afirmou a senadora. "Prender por quê? Qual o risco que ele [Lula] oferece ao país?".

Gleisi disse ainda que conversou com Lula por telefone e que ele está "tranquilo". Segundo ela, parlamentares do partido viajarão a São Paulo para encontrar com o ex-presidente no fim do dia e a sigla deve recorrer da decisão do juiz Moro em instâncias internacionais.

O ex-presidente Lula foi condenado nesta quarta (12) a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP). A sentença é a primeira contra o petista no âmbito da Lava Jato.

Lula não será preso agora. Pelo entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal), ele só começa a cumprir a pena se a segunda instância confirmar a decisão de Moro. Lula pode recorrer em liberdade ao Tribunal Regional da 4a Região, com sede em Porto Alegre. Se condenado em segunda instância antes da eleição de 2018, Lula será enquadrado na Lei da Ficha Limpa, tornando-se inelegível.

DEPUTADOS

Deputados petistas fizeram coro à tese de que a condenação de Lula tem viés político e acrescentam que ela serve para "tirar o foco" da denúncia contra o presidente Michel Temer –em tramitação na Câmara dos Deputados.

"Fazer isso no dia em que se discute a denúncia contra Temer [na CCJ da Câmara] é uma tentativa de tirar o foco do Temer e jogar o foco no Lula", disse o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP). "É uma decisão política. Não há provas ou testemunhas além do relato do próprio delator. É uma tentativa de excluir Lula das eleições", completa.

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara começou a discutir hoje o relatório a favor do prosseguimento da denúncia por corrupção passiva apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Temer.

Segundo o líder da minoria na Câmara, José Guimarães (CE), "não houve surpresa" na condenação de Lula, porque a "intenção" de Moro era fazer política.

"A condenação é injusta porque falta materialidade. Nossa expectativa é que a segunda instância reforme essa decisão. Vamos mobilizar o país", afirmou.

Para o petista, "não existe eleição democrática" sem Lula.

"Acho difícil ele ser preso. O país não vai aceitar que uma pessoa seja presa injustamente. Não há eleição democrática sem Lula", completou Guimarães.